A grande caça ao primeiro arquivo LGBTQ do mundo

Antes do nazismo, um instituto alemão consolidou-se como o epicentro da libertação gay. A lendária coleção deste instituto é procurada por ativistas há 40 anos.

Por Nina Strochlic
Publicado 4/07/2022, 11:01
O médico pioneiro alemão Magnus Hirschfeld

O médico pioneiro alemão Magnus Hirschfeld fundou o Instituto para a Ciência Sexual, que realizava cirurgias preliminares de confirmação de género, recolhia dados sobre preferências sexuais e defendia a igualdade de direitos. Quando os nazis chegaram ao poder, o instituto foi saqueado e a sua biblioteca incendiada. Décadas depois, historiadores e ativistas LGBTQ começaram a percorrer o mundo para encontrar o que resta destes arquivos perdidos.

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No início da década de 1990, um estudante canadiano chamado Adam Smith abriu um contentor na cave do seu edifício em Vancouver, no Canadá, e descobriu uma pilha de antigas malas de couro. Numa delas estava uma “máscara da morte” moldada a partir da face de um homem com um bigode grosso. Noutras havia diários, jornais e fotografias. Adam Smith deduziu que estas relíquias pertenciam a um chinês idoso que vivia no seu prédio e tinha falecido recentemente. Incapaz de ver este material descartado, Adam levou as coisas para o seu apartamento e publicou uma nota num fórum, na então jovem internet, com os nomes que tinha encontrado. “PROCURA-SE: Qualquer pessoa familiarizada com Dr. Magnus Hirschfeld ou Li Shiu Tong.” Adam Smith perguntou “se estas pessoas tinham interesse ou significado para alguém”. Uma década depois, Adam iria obter a resposta.

Magnus Hirschfeld foi pioneiro nas áreas dos estudos de género e sexualidade e na defesa dos direitos LGBTQ. A sua visão de uma sociedade mais igualitária só se manifestaria cerca de meio século após a sua morte.

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Na década de 1930, o mundo conhecia Magnus Hirschfeld como o “Einstein do sexo”. Este famoso médico e sexólogo judaico-alemão dirigia o Institut für Sexualwissenschaft (Instituto para a Ciência Sexual), uma biblioteca, centro de investigação e clínica em Berlim. No instituto, Magnus Hirschfeld supervisionou as primeiras cirurgias modernas de confirmação de género, conduziu estudos em grande escala sobre homossexualidade e pressionou o governo na defesa dos direitos LGBTQ. A sua biblioteca continha milhares de livros sobre relações entre pessoas do mesmo sexo, erotismo e género. Mas quando os nazis ascenderam ao poder, o instituto foi saqueado, a biblioteca queimada e Magnus Hirschfeld, que estava a viajar pelo mundo a dar palestras, acabou exilado em França.

Quando Magnus Hirschfeld morreu exilado, apenas dois anos depois, deixou os seus pertences em parte a Li Shiu Tong, um jovem chinês estudante de medicina que era seu assistente e namorado.

Para Adam Smith, Li Shiu Tong era um vizinho tranquilo que ele só via de passagem nos elevadores do edifício. Uma noite, passado cerca de uma década após a morte de Li Tong, um investigador alemão chamado Ralf Dose estava a ver fóruns online quando se deparou com a antiga publicação de Adam Smith. Desde a década de 1980 que Ralf Dose, secretário-geral e cofundador da Sociedade Magnus Hirschfeld, procura o que resta do material que estava no Instituto para as Ciências Sexuais de Magnus Hirschfeld. Foi preciso fazer mais investigação para Ralf Dose conseguir encontrar Adam Smith e, apesar de este já se ter mudado para Toronto, nunca se livrou da mala com os pertences de Li Tong. Em 2003, Ralf Dose voou da Alemanha para o Canadá para ir buscar a mala.

Reunir um arquivo global

Nos últimos 40 anos, Ralf Dose e outros investigadores voluntários têm procurado os arquivos de Magnus Hirschfeld pelo mundo inteiro, rastreando os nomes dos seus associados e descendentes, e perscrutando bibliotecas, arquivos e livrarias de antiguidades. Até agora, encontraram 35 itens dos 10.000 volumes originais do instituto e mais 25 de outras coleções de Magnus. Ocasionalmente, as informações chegam diretamente à sociedade. As mensagens de voz deixadas por descendentes dos irmãos de Magnus Hirschfeld e os emails enviados por herdeiros de livros com o selo distinto do instituto são contribuições surpreendentes. Ainda assim, cabe aos investigadores mais insaciáveis, como Ralf Dose, seguir um trilho de pistas microscópicas.

Neste tipo de trabalho de detetive, o que não falta são momentos memoráveis, diz Ralf Dose, um homem afável de 72 anos com uma mecha de cabelos brancos, que dedicou a sua vida a desenterrar as raízes do movimento de liberação homossexual. Estes momentos incluem o encontro com a filha idosa de um médico que trabalhava com Magnus Hirschfeld, uma mulher muito refinada que, depois de tomar café e comer um bolo, mostrou a Ralf Dose uma caixa com antigos brinquedos sexuais japoneses. “O meu pai recebeu isto de Magnus Hirschfeld. Gosto muito deles, mas não posso colocá-los em cima piano porque as pessoas iam comentar”, recorda Ralf Dose. E também houve um encontro fortuito com a governanta do instituto, que descreveu o período que trabalhou lá como o mais feliz da sua vida, e contou como foi buscar a estátua de um falo feita de pedra indonésia maciça à alfândega alemã.

Em 1897, Magnus Hirschfeld ajudou a fundar o Comité Científico Humanitário, em parte como uma forma de resposta indignada ao julgamento do autor Oscar Wilde, dois anos antes em Inglaterra, por 25 acusações de “indecência grosseira” relacionadas com as suas relações homossexuais. Agora, acredita-se que este foi o primeiro grupo de defesa dos direitos LGBTQ. Nos anos que se seguiram à Primeira Guerra Mundial, a relativamente progressista República de Weimar lançou as bases para a libertação gay em Berlim, com a cidade repleta de cabarés barulhentos, defensores de alto nível deste movimento e mais liberdade. Segundo Magnus Hirschfeld, havia 43.046.721 tipos diferentes de sexualidade humana. “O amor é tão variado quanto as pessoas”, dizia Magnus.

O primeiro instituto sexual do mundo

Em 1919, Magnus Hirschfeld abriu o Instituto para as Ciências Sexuais, o primeiro do seu tipo no mundo, numa luxuosa vila à beira do Parque Tiergarten, em Berlim. A biblioteca deste instituto continha a maior coleção de livros sobre sexualidade da época, e eram realizadas palestras num salão enorme onde os visitantes podiam examinar um museu do sexo repleto com uma coleção global de artefactos. Na clínica, os médicos realizavam cirurgias preliminares homem-mulher em mulheres transgénero.

Quando os nazis começaram a subir ao poder, Magnus Hirschfeld estava a fazer uma tournée mundial de vários anos. Em Nova Iorque, em 1930, Magnus confraternizou com o poeta Langston Hughes, o advogado dos direitos civis Clarence Darrow e com a defensora do controlo de natalidade Margaret Sanger. Com uma personalidade pública ligada aos direitos dos homossexuais e uma herança judaica, Magnus Hirschfeld não podia regressar a casa. Em 1932, Magnus mudou-se para a Suíça e depois para França, onde viu nas notícias do cine-jornal o instituto a ser saqueado por um grupo de jovens nazis e, dias depois, a queima maciça dos livros da sua biblioteca supervisionada por oficiais paramilitares nazis.

Estudantes alemães, que faziam parte de grupos de jovens alinhados com os nazis, recolhiam a literatura considerada indesejável, incluindo os livros na lendária biblioteca do instituto de Magnus Hirschfeld, e queimavam os livros no centro da cidade de Berlim.

Fotografia por Photograph via ullstein bild, Getty

“Quando Magnus Hirschfeld foi obrigado a abandonar a Alemanha, ele estava convencido de que seriam feitos progressos em poucos anos”, diz Ralf Dose. “Ele estava cheio de esperança de que houvesse um movimento internacional para promover a causa das minorias sexuais. Mas depois parou tudo... não só aqui, mas também nos outros países.” Magnus Hirschfeld morreu de ataque cardíaco no dia do seu aniversário, aos 67 anos, enquanto estava em França em 1935. O seu sucessor minimamente semelhante só surgiria mais de uma década depois, na forma do Instituto Alfred Kinsey para a Pesquisa Sexual na América.

Assassinato em massa de pessoas LGBTQ

Sob o domínio nazi, as pessoas LGBTQ, juntamente com judeus, ciganos, dissidentes políticos e outros considerados indesejáveis, foram enviados para campos de extermínio. Demorou muito tempo até que o movimento pelos direitos dos homossexuais na Alemanha recuperasse a base e o ímpeto que mantinha na década de 1930. Uma secção antiquada do código penal, o parágrafo 175, tornou a homossexualidade punível com prisão. Magnus Hirschfeld fez pressão para que esta lei fosse removida – recolhendo assinaturas de figuras notáveis como Albert Einstein e Thomas Mann – contudo, mesmo depois da Segunda Guerra Mundial, o governo da Alemanha Ocidental perseguiu mais de 100 mil casos através desta lei do século XIX. (A lei só foi excluída dos livros em 1994.)

Na década de 1970, quando o movimento pelos direitos dos homossexuais começou novamente a emergir, era dirigido por estudantes, não pelos burgueses e profissionais da época de Magnus Hirschfeld. Entre estes estava um pequeno grupo, incluindo Ralf Dose, que criou a Sociedade Magnus Hirschfeld.

Em 1982, a Alemanha estava a preparar-se para assinalar os 50 anos da tomada do poder pelos nazis, mas jovens ativistas dos direitos dos homossexuais, entre eles Ralf Dose, esperavam obter esclarecimentos sobre a perseguição e o ativismo LGBTQ. Ralf e outros estavam ansiosos para aprender mais sobre os seus antecessores na década de 1920, figuras como Magnus Hirschfeld, que deram passos enormes neste movimento de libertação antes de terem sido exilados ou assassinados pelos nazis.

Magnus Hirschfeld soube que o instituto tinha sido incendiado alguns dias depois, quando já estava exilado em França. Magnus conseguiu recuperar um lote de materiais da sua biblioteca, que armazenou. Mas esse material nunca foi encontrado.

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Com a ajuda da comunidade judaica em Berlim, Ralf Dose e os seus amigos realizaram uma série de palestras para assinalar os 50 anos da destruição do Instituto para as Ciências Sexuais. E depois ficaram curiosos sobre o espólio da biblioteca. “Todas as pessoas disseram que já não restava nada”, diz Ralf Dose. “O instituto foi pilhado e bombardeado, e as pessoas estavam mortas. Estava tudo perdido. Contudo, por outro lado, ninguém tinha procurado.”

Reconstruir o passado

Os investigadores começaram a recolher pistas – o grupo sabia que Magnus Hirschfeld estava a viajar com uma coleção enorme e que acabou exilado em França. E sabiam que alguém tinha negociado com os nazis em seu nome para comprar 20 caixas de materiais da biblioteca antes esta ter sido incendiada. Magnus queria reabrir o seu instituto em Paris, mas o material acabou num armazém, provavelmente em Nice ou Paris. Quando Magnus morreu, os seus bens pessoais foram deixados a dois herdeiros, entre eles, Li Shiu Tong.

Este ano, uma bolsa da recém-formada Fundação Alemã de Arte Perdida, que visa recuperar a arte e o património cultural saqueados durante a Segunda Guerra Mundial, vai permitir que dois investigadores façam um catálogo sobre o que o Instituto para as Ciências Sexuais realizou, o que foi encontrado e o que está em falta. Parte deste trabalho é especulativo – mas os investigadores acreditam que a pesquisa de sexologia da época mais importante seria propriedade do instituto, desde textos médicos a romances. Contudo, os bens confiscados pelos nazis foram distribuídos primeiro por outras bibliotecas e depois redistribuídos pelas forças britânicas e americanas, espalhando os livros pelos centros culturais da Europa.

Os livros que descobriram até agora incluem The Women's Clothing and its Natural Development de 1904 (encontrado em Berlim), uma cópia de 1920 de Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade de Sigmund Freud (encontrado em Praga) e Vita homossexualis, um livro de 1902 da coleção do ativista gay August Fleischmann (encontrada numa livraria polaca com uma nota a dizer que o livro devia ter sido destruído em 1933). Este catálogo vai ser distribuído por museus e coleções de todo o mundo, na esperança de que estes os usem para procurar nos seus próprios espólios o selo que era a marca registada do Instituto para as Doenças Sexuais.

Na lista de desejos de Ralf Dose permanece uma coleção sedutora de material perdido que Ralf encontrou mencionado em diários e catálogos. Havia uma coleção que era de particular interesse para os nazis: os arquivos dos pacientes do instituto, registos que detalhavam as consultas com os médicos que trabalhavam no instituto, desde exames ginecológicos ao aconselhamento de alteração de sexo e tratamentos para doenças venéreas.

É possível que alguém no instituto se tenha apercebido do que ia acontecer quando os nazis subiram ao poder, e saberia que milhares de pessoas estariam em perigo se os seus nomes caíssem nas mãos erradas. Numa das entradas num diário que Ralf Dose encontrou, um jovem trabalhador descreveu ter sido solicitado para transportar um carrinho com papéis para um esconderijo. No caminho, lembra o escritor no diário, a carroça tombou à frente de um oficial nazi que ajudou a reunir os materiais sem saber do contrabando que continham. Acredita-se que estes arquivos foram contrabandeados para Moscovo por membros do partido comunista do instituto. Mas não foram encontrados vestígios dos materiais.

Outro dos itens na lista de desejos de Ralf Dose é o “questionário psicobiológico”. Todas as pessoas que visitaram o instituto preencherem este formulário, detalhando as suas preferências sexuais, estilo de vida e personalidade. Só foi encontrada uma cópia preenchida, na Biblioteca Estatal de Berlim, mas estima-se que o instituto chegou a manter cerca de 40.000 ficheiros para fins de investigação.

Para além da libertação homossexual

Enquanto reunia todas estas provas, Ralf Dose percebeu que o foco de Magnus Hirschfeld ia muito para além da libertação homossexual. “Para nós, ele era um herói do movimento gay – um dos poucos antepassados que conhecemos”, diz Ralf. Porém, à medida que os ficheiros perdidos iam surgindo, ficou claro que o trabalho do instituto mergulhava nos direitos de reprodução, na saúde sexual, nos direitos das mulheres e, mais tarde, nos direitos das pessoas transgénero. “Assim, o espectro da nossa investigação expandiu-se e as ideias que tínhamos sobre o instituto também.”

A Sociedade Magnus Hirschfeld chegou a ter esperança de que o governo alemão ajudasse a reconstruir o Instituto para as Ciências Sexuais, mas essa vontade política nunca se materializou. Durante décadas, os políticos não quiseram ser associados ao tema, diz Ralf Dose. Somente na década de 1990 é que o movimento LGBTQ recuperou o poder que detinha nos tempos de Magnus Hirschfeld.

“Havia toda uma infraestrutura gay e lésbica na Alemanha – bares, discotecas, o instituto e outras organizações – que foi destruída. As pessoas foram enviadas para a prisão e campos de concentração. Queríamos alguma compensação por parte das autoridades alemãs”, diz Ralf. “Quando isso não aconteceu, fizemos as coisas por conta própria.”

Hoje, a sua pequena biblioteca atrai investigadores, estudantes e outros interessados na história LBGTQ, mas está muito longe de ser o movimentado centro internacional de investigação que Magnus Hirschfeld construiu. Meia dúzia de voluntários abdicam do seu tempo para manter o local funcionar e a sociedade recebe uma pequena ajuda do governo de Berlim para ajudar a pagar as despesas de arrendamento de um espaço que está aberto apenas quatro horas por semana.

A sociedade espera fundir-se em breve com a biblioteca e os arquivos lésbicos e feministas de Berlim para formar um arquivo queer central acessível para pesquisa e um espaço comunitário. Os investigadores querem angariar 10 milhões de euros para reconstruir um edifício e contratar uma equipa profissional.

Por enquanto, a procura pelos documentos perdidos de Magnus Hirschfeld continua a ser um projeto de paixão dos voluntários. Há dois anos, quando estava de férias no sul de França, Ralf Dose arranjou tempo para visitar algumas coleções etnográficas, trazendo consigo fotografias de artefactos que provavelmente acompanharam Magnus Hirschfeld no exílio. Ralf visitou livrarias antigas à procura de livros em alemão, mas não encontrou nada. Contudo, nessa mesma viagem, conheceu a sobrinha-neta de Magnus Hirschfeld, que cresceu na Austrália e estava em França em trabalho. Ela pediu a Ralf Dose para a levar a visitar o túmulo do seu tio-avô.

Na época em que Magnus Hirschfeld foi sepultado, o cemitério de Nice tinha vista para o mar, mas agora está rodeado por prédios e um aeroporto. A lápide plana de Magnus Hirschfeld, incrustada com o seu retrato, estava coberta de seixos deixados por visitantes, segundo a tradição de luto judaica.

Ralf Dose e a sobrinha-neta de Magnus Hirschfeld passaram bastante tempo perto do túmulo, contentes por ver que este estava a ser bem cuidado. Ralf Dose regressaria à Alemanha sem novos materiais para adicionar ao arquivo, mas sabia que iam surgir mais coisas através da mistura entre investigação e sorte que nos últimos 40 anos tem lentamente enchido as prateleiras da Sociedade Magnus Hirschfeld. “Aprendemos a ser pacientes”, diz Ralf Dose. “Se esperarmos pelas coisas, elas aparecem.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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