Isabel II foi a rainha mais improvável da Grã-Bretanha dos tempos modernos

Isabel ocupava o quinto lugar na linha de sucessão, mas uma série de caprichos históricos colocou a princesa no trono mais poderoso do mundo.

Por Erin Blakemore
Publicado 13/09/2022, 10:28
Família Real

Isabel Alexandra Mary Windsor não era suposto ser rainha, mas acabou por ser a monarca com o reinado mais longo da Grã-Bretanha. Nesta imagem, a princesa Isabel (ao centro) e a família real cumprimentam a multidão após a cerimónia de coroação do seu pai, o rei Jorge VI, em maio de 1937.

FOTOGRAFIA POR Central Press , Getty

O falecimento da rainha Isabel II encerrou o reinado mais longo da monarquia britânica. Contudo, apesar de ser descendente da realeza, Isabel Alexandra Mary Windsor não era suposto ser rainha – até que uma série de caprichos históricos a colocaram no centro da monarquia mais visível do mundo.

Árvore genealógica da realeza

A rainha Vitória governou o Império Britânico ao longo de quase 64 anos, o período mais longo de qualquer monarca britânico, até que foi superada pela sua tetraneta Isabel II em setembro de 2015. A rainha Isabel morreu após 70 anos de reinado.

A tetravó de Isabel, a rainha Vitória, governou o Império Britânico ao longo de quase 64 anos, mais do que qualquer outro monarca britânico antes de si. E Isabel não era a primeira na linha de sucessão ao trono – estava em quinto lugar na linha de sucessão, mas uma série de mortes colocou-a no poder quando tinha apenas 18 anos.

O filho mais velho da rainha Vitória, Eduardo VII, foi herdeiro ao trono durante décadas, mas a longevidade da sua mãe impediu a ascensão de Eduardo até este ter 59 anos. Eduardo reinou apenas durante nove anos antes de morrer. Naquele momento, o seu filho mais velho, o príncipe Alberto Vítor, já tinha falecido – com apenas 28 anos – pelo que o seu segundo filho assumiu o trono.

Jorge V reinou durante 25 anos e, após a sua morte em 1936, o seu filho mais velho, Eduardo VIII – tio de Isabel – assumiu o trono. Porém, quando Eduardo VIII se apaixonou pela americana Wallis Simpson, divorciada de dois casamentos, Eduardo decidiu abdicar do trono.

O caminho inesperado de Isabel até à monarquia

Esta situação criou uma crise constitucional, e a linha de sucessão alterou-se novamente em direção a outro ramo da família. Se Eduardo VIII tivesse os seus próprios filhos, estes poderiam ter subido ao trono. Em vez disso, o irmão do rei desonrado, Jorge VI, assumiu relutantemente o trono.

A princesa Isabel (à esquerda), mais tarde rainha Isabel II, anda de triciclo num parque londrino por volta de 1935.

FOTOGRAFIA POR Keystone , Getty

Como Jorge VI não tinha filhos do sexo masculino (na época, os herdeiros do sexo masculino tinham precedência devido ao sistema de primogenitura masculina do país, uma tradição que acabou em 2013), a sua filha primogénita, Isabel, ficou em primeiro lugar na linha de sucessão da monarquia.

Quando o seu tio abdicou, Isabel tinha 10 anos e tinha passado a infância tanto em Londres como numa zona rural nas proximidades. Apesar de a sua casa em Londres, nos limites de Hyde Park, ser elegante e muito grande, não tinha realmente segurança. A princesa foi educada em casa por uma variedade de tutores juntamente com a sua irmã mais nova, Margarida.

A vida da princesa Isabel

“Se a princesa Isabel fosse prima ou irmã do monarca, continuaria a assumir alguns deveres reais, mas também teria desfrutado de uma vida mais tranquila, com menos escrutínio por parte da imprensa e teria mais tempo para perseguir os seus próprios interesses”, diz Carolyn Harris, historiadora e comentadora real.

Em vez disso, a vida de Isabel mudou drasticamente em 1936, quando o seu tio abdicou do trono e o pai se tornou no rei Jorge VI. De repente, Isabel deu por si a viver no Palácio de Buckingham. Os seus movimentos eram restritos; a sua educação mudou. Apesar de a sua governanta, Marion Crawford, tentar conferir alguma normalidade à sua vida, levando Isabel e a sua irmã a passear, e chegando até a organizar um grupo de escoteiros entre os filhos dos funcionários do palácio e de uma variedade de amigos e parentes aristocráticos, a vida de Isabel era tudo menos normal.

Era esperado que a princesa dominasse as graças sociais da realeza e que compreendesse a história, os protocolos e as leis do país sobre o qual um dia iria reinar. Isabel estudou história com o arquivista real, teve aulas de religião com o arcebispo de Canterbury e ficou fluente em francês.

Não há consenso entre os especialistas sobre a extensão da educação de Isabel. Assumir o trono “deve ter sido extraordinariamente difícil para ela, principalmente porque nunca foi à escola e nunca teve a educação mais ampla que agora provavelmente encaramos como um dado adquirido”, disse em 2019 ao Daily Express o correspondente real Chris Shop.

A princesa Isabel (à direita) e a princesa Margarida (1930-2002) trabalham em pinturas na sala de aula do Palácio de Buckingham, em Londres, em junho de 1940. Enquanto filha mais velha de Jorge VI, Isabel subiu ao trono após a morte do pai em 1952.

O seu pai, que apesar da sua timidez e gaguez se tornou numa figura nacional muito querida, também ajudou, diz Carolyn Harris. “Isabel aprendeu o futuro papel de soberana a seguir os passos do pai. Jorge VI não nasceu para ser rei e não se sentia à vontade a falar em público, mas assumiu o seu papel e esteve à altura da ocasião.” O rei relutante reinou até morrer em 1952, quando Isabel se tornou rainha.

O dever chama

Sonia Berry, amiga de infância de Isabel, disse em 2006 a Andrew Alderson, do Sunday Telegraph, que a rainha Isabel, se pudesse, provavelmente teria escolhido uma trajetória diferente para a sua vida. “Creio que ela teria sido mais feliz como uma mulher casada a viver no campo com os seus cães e cavalos”, disse Sonia Berry. “É um trabalho muito solitário porque, mesmo que Isabel conheça bem as pessoas, continua a ser a rainha, e continua a haver uma barreira envolvida nisso.”

A rainha Isabel II, sentada num trono de ouro e envergando a coroa do estado, abre a sessão do Parlamento em 1960. A rainha Isabel abriu o Parlamento todos os anos do seu reinado, exceto em 1959 e 1963, quando estava grávida, e em 2022 devido a problemas de mobilidade.

FOTOGRAFIA POR Robert Goodman, Nat Geo Image Collection

Relativamente à série de eventos não planeados, mas fatídicos, que levaram Isabel II ao trono, a exceção foi sempre a regra para a família real, acrescenta Carolyn Harris, sublinhado que, até recentemente, a sucessão seguia muitas vezes rumos inesperados devido a casos de morte, abdicação ou à ausência de herdeiros diretos na família real.

“A atual sucessão real, onde há três gerações de herdeiros diretos do sexo masculino [o príncipe Carlos, o príncipe William e o príncipe George], é relativamente rara na história real britânica.”

Tal como aconteceu com todos os membros da família real que a antecederam, também Isabel II deixou bem patente que o seu dever era servir. “Declaro perante vós que toda a minha vida, quer seja curta ou longa, será dedicada ao vosso serviço e ao serviço da nossa enorme família imperial, à qual todos pertencemos”, disse Isabel aos seus futuros súbditos durante um discurso feito na rádio no dia do seu 21º aniversário, em abril de 1947.

Passados mais de 75 anos, Isabel cumpriu essa promessa – mesmo que não fosse uma promessa que a monarca quisesse fazer.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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