História

Anéis das Árvores Usados para Ajudar a Datar Sítios Arqueológicos

A dendrocronologia é uma ferramenta inestimável que ajuda os cientistas a determinar a idade de povoações e artefactos antigos.Tuesday, July 16, 2019

Por Erin Blakemore
Arqueólogos usam a dendrocronologia para datar um naufrágio encontrado na costa da Alemanha. Ao analisarem os anéis na madeira usada para construir o navio, conseguem estabelecer que as tábuas foram cortadas durante o inverno de 1448-1449.

Os arqueólogos têm um grupo de aliados bastante improvável: as árvores. A dendrocronologia, o método científico que estuda os anéis das árvores, pode identificar a idade de sítios arqueológicos através de informações armazenadas em madeira antiga. Originalmente desenvolvido para as ciências climáticas, este método é agora uma ferramenta inestimável para os arqueólogos que conseguem rastrear até 13.000 anos de história usando as cronologias nos anéis das árvores, em mais de 4.000 sítios de seis continentes.

Os troncos das árvores não crescem uniformemente, mas adicionam um novo anel a cada estação de crescimento, e o crescimento do tronco está intimamente ligado às condições climáticas. Sob as condições ideais, as árvores crescem rapidamente, criando largos anéis todos os anos. Durante as secas, o frio fora de época e outras condições incomuns, o seu crescimento diminui, ficando com anéis mais estreitos.

Os anéis das árvores refletem a sua idade e as condições sob as quais cresceram. Esta sequoia gigante tem mais de mil anéis – um anel para cada ano que viveu, datando de 909 d.C.

No início do século XX, o astrónomo Andrew Ellicott Douglass começou a estudar árvores no sudoeste americano para aprender mais sobre a forma como as manchas solares afetavam o clima na Terra. Quando percebeu que os anéis das árvores nessa área apresentavam os mesmos padrões, decidiu usá-los como registo histórico do clima na região.

Douglass expandiu eventualmente o seu trabalho de árvores vivas para a madeira usada em antigos sítios dos índios Pueblo, e começou a montar uma cronologia da região que pudesse ser usada para datar sítios arqueológicos. A sua investigação, financiada parcialmente pela National Geographic Society, ajudou a afastar as datas anteriormente teorizadas para os Pueblo e mudou a forma como os arqueólogos olham para os locais de escavação.

Hoje, a dendrocronologia é uma ferramenta essencial que ajuda a datar sítios arqueológicos e artefactos. O termo dendrocronologia deriva das antigas palavras gregas para árvore (dendron) e tempo (khronos).

Quando os arqueólogos recuperam madeiras em escavações, cortam uma secção transversal completa, ou recuperam núcleos de secções transversais, e comparam-nos com as cronologias regionais para encontrar padrões de anéis correspondentes e determinar a idade de um local. Espécimes com idades diferentes podem revelar vagas de construção num determinado local, ou revelam padrões de migração e de comércio através de pedaços de madeira que não foram cortados localmente.

A dendrocronologia tem mais utilidade nalgumas áreas do que noutras. Nos trópicos, por exemplo, as árvores não apresentam padrões sazonais distintos, dificultando a dendrocronologia tropical. Para ser estudada de forma eficaz, a madeira deve estar bem preservada. E os povos antigos não faziam construções apenas de madeira, privando os arqueólogos de uma ferramenta crítica para o seu estudo.

Mesmo assim, esta ferramenta é usada em disciplinas como a climatologia e a história da arte, e as cronologias dos anéis das árvores são usadas para calibrar medições de datação por radiocarbono. Laboratórios como o Laboratório de Investigação de Anéis de Árvores, da Universidade do Arizona, treinam investigadores nesta área e fazem pesquisas de acompanhamento.

À medida que os dados dos anéis das árvores se acumulam, os investigadores começam a perceber o quão valiosos podem ser. Foi comprovado recentemente que os padrões nos anéis das árvores se encaixam nos registos históricos de seca e revelaram tudo, desde as alterações na gestão das florestas indígenas da Amazónia Central aos padrões climáticos que levaram à ascensão e queda do império romano. Devido à sua aplicação interdisciplinar, a dendrocronologia fortaleceu os vínculos entre áreas diversas – e comprovou que as árvores podem ser valiosas para os arqueólogos que procuram mais informações sobre os locais que estudam.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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