Meio Ambiente

Vídeo de Caçador de Tempestades Revela Tornados Devastadores

O cientista de tornados da National Geographic Anton Seimon tem vindo a registar tornados em vídeo para compreender melhor os danos que provocam. Thursday, November 9, 2017

Por Casey Smith

Como é que os tornados provocam o caos em casas, empresas e na paisagem natural? Esta é a pergunta que o cientista de tornados e explorador da National Geographic Anton Seimon tem vindo a tentar responder com a ajuda de um conjunto de novas tecnologias.

Recentemente, Seimon e a sua equipa experiente de caçadores de tempestades pegaram nos seus equipamentos e foram para o campo em Carpenter, Wyoming, local onde se deu uma violenta tempestade no dia 12 de junho, que deu origem a uma poderosa série de tornados. Seimon e a sua equipa conseguiram registar estes tornados em vídeo.

“Estamos a tentar perceber o que os tornados fazem à superfície, porque é à superfície que se verificam os maiores impactos na humanidade, ainda que seja também o sítio mais difícil de avaliar”, apontou Seimon.

Embora os radares de investigação móvel sejam úteis, só são capazes de analisar os tornados a alguma distância acima da superfície, não sendo possível verificar claramente o que acontece no local onde ocorrem os danos. Por sua vez, diz-nos Seimon, o vídeo de alta resolução “permite-nos olhar diretamente para a zona problemática do tornado” — o que é exatamente o que Seimon e a sua equipa esperam conseguir durante as pesquisas.

“Precisamos de imagens muito claras e isso é o que estamos a tentar obter para podermos documentar a interação de um tornado com a superfície da forma mais ilustrativa possível”, disse.

A equipa de Seimon está, atualmente, a tentar encontrar formas de aplicar os equipamentos e as técnicas que usou durante um projeto anterior — o El Reno Survey — para procurar saber mais sobre a forma como os tornados provocam impactos duradouros na superfície.

A investigação, que recolheu, de fontes dispersas, filmagens da tempestade de tornados que aconteceu em El Reno, Oklahoma no dia 31 de maio de 2013, permitiu a Seimon e a outros investigadores criar um mapeamento em 3D das características daquele enorme tornado em qualquer momento ou lugar em que tenha passado. O tornado de El Reno, um dos mais poderosos alguma vez registados, foi responsável por oito mortes, incluindo as do experiente caçador de tornados da National Geographic Tim Samaras e da sua equipa de investigação.

Segundo Seimon, a equipa está agora a selecionar casos novos nos quais usará análises de dados e reconstruções semelhantes. O tornado de Carpenter é um possível candidato a novas investigações — foi um tornado forte e altamente visível e havia muitos caçadores de tempestades nas proximidades.

“A grande vantagem é que podemos comparar [filmagens de outros caçadores de tempestades] com as nossas próprias filmagens e obter perspetivas novas e diferentes, o que nos ajudará a mapear o campo de vento de um tornado específico à medida que progride no terreno”, afirmou Seimon.

A documentação de seguimento do trajeto dos tornados é também um dos importantes fatores de enfoque para a equipa de Seimon. Ao falar com os moradores cujas propriedades se encontravam ao longo ou em redor do trajeto destes redemoinhos, a equipa é capaz, de acordo com Seimon, de recolher dados valiosos que ajudam os investigadores a obterem mais informações relativas às velocidades do vento que provocaram danos: “Podemos falar com os moradores e registar quais foram exatamente os danos e quando e onde aconteceram.”

Para dar continuidade a este trabalho, Seimon diz-nos que está também a analisar as oportunidades que as imagens obtidas por meio de drones podem oferecer. No entanto, os drones levantam questões de privacidade e o uso destes equipamentos sobre propriedades privadas ainda está longe de ser claro.

“Se [um tornado] estivesse a atravessar um campo, um drone poderia acompanhar o percurso de danos provocados pelo tornado para procurar indicadores que pudessem ser comparados com outros aspetos que temos vindo a identificar”, disse.

Embora a época tradicional de tornados tenha acabado, Seimon diz que continua atento e que é possível que haja uma atividade significativa de tornados no final do ano.

“É muito, muito interessante e fascinante estar em céu aberto a ver a natureza a fazer o que faz”, disse Seimon. “Vamos continuar a fazer tudo o possamos fazer para nos colocarmos perto da tempestade de forma a obtermos as melhores imagens — sem descurarmos a segurança.”

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