Uma Lista de Ações Para Combater a Poluição de Plásticos

O mundo está a acordar para uma crise de plásticos no oceano e a National Geographic está a par do acontecimento, acompanhando os últimos desenvolvimentos e as soluções apresentadas.quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Por Brian Clark Howard, Sarah Gibbens, Elaina Zachos
Garrafas de plástico ocupam as águas da Fonte Cibeles, em Madrid, numa instalação temporária, que pretendia chamar a atenção para o impacto ambiental dos plásticos descartáveis.
Esta história é parte integrante da campanha de sensibilização da National Geographic, Planeta ou Plástico?, promovida anualmente, com o objetivo de alertar para a crise do lixo plástico. Saiba como pode reduzir o consumo de plásticos descartáveis e assuma o compromisso.

O mundo debate-se com um problema de poluição de plásticos, uma autêntica bola de neve que cresce a olhos vistos, tal como a consciência e a atitude do público.

Estima-se que, anualmente, 18 mil milhões de resíduos plásticos entrem nos oceanos a partir de zonas costeiras, o equivalente a cinco sacos de compras de supermercado que se amontoam em cada 30 centímetros de costa, à escala planetária. Todo este plástico está a causar danos aos seres que habitam o oceano, desde os recifes de coral que definham sufocados em sacos de plástico, passando pelas tartarugas que se engasgam com palhinhas, até às baleias e aves marinhas que morrem à fome, porque os estômagos estão obstruídos com pedaços de plástico que não deixam espaço para a verdadeira comida.

Gradualmente, vão surgindo novos estudos que analisam os eventuais impactos a longo prazo, causados pela introdução de pequenos pedaços de plástico na cadeia alimentar marinha, levantando novas questões sobre o impacto na saúde humana e ao nível da segurança alimentar.

Cerca de 40 por cento do volume total de plástico produzido é usado no fabrico de embalagens, e grande parte é usada apenas uma vez e deitada fora a seguir. Menos de um quinto do volume total de plástico é reciclado, embora muitos países e empresas procurem soluções inovadoras para aumentar este número.

A revista National Geographic dedicou uma edição especial ao tema do plástico em junho de 2018, e, desde então, os meios de comunicação, o público e a classe política mundial têm revelado maior interesse pelo problema. Neste artigo, apresentamos os desenvolvimentos em torno desta importante temática, com atualizações periódicas em função da evolução dos acontecimentos.

DISNEY ANUNCIA INTERDIÇÃO ÀS PALHINHAS DE PLÁSTICO

27 de julho de 2018

A Walt Disney Company anunciou que irá suprimir o uso de palhinhas e palhetas de plástico descartáveis em quase todos os parques temáticos e estâncias turísticas da marca. A política, que entrará em vigor em meados de 2019, permitirá cortar mais de 175 milhões de palhinhas e 13 milhões de palhetas que são consumidas, anualmente, nas diversas unidades de diversão.

Estarão disponíveis, mediante pedido, palhinhas de papel e, para as pessoas com necessidades especiais, a empresa está a estudar soluções alternativas às palhinhas de plástico tradicionais. A Disney pretende também eliminar o uso de copos de polistireno nos seus parques e diminuir a sua dependência de plásticos de uso único. Em vez de sacos descartáveis, os visitantes terão a possibilidade de adquirir sacos de compras reutilizáveis.

Para além disso, a empresa irá reduzir em cerca de 80 por cento a quantidade de plástico nos quartos das respetivas unidades hoteleiras. Ao longo dos próximos anos, a Disney fará a transição das amenidades para embalagens reutilizáveis em hotéis e navios de cruzeiro. Nas situações em que não seja possível reduzir o uso de plásticos de uso único, a Disney continuará a reciclar e a eliminar de forma adequada os resíduos produzidos.

Estas iniciativas não são inéditas no universo da marca Disney. Em Orlando, no Reino Animal da Disney, o uso de palhinhas e tampas de plástico está interdito desde a abertura do parque em 1998.

Outros parques temáticos, incluindo o SeaWorld, o Busch Gardens e o Sesame Place, anunciaram iniciativas para abandonarem, progressivamente, as palhinhas e outros plásticos de uso único. No início deste mês, a cidade de Seattle proibiu o uso de palhinhas de plástico, e a cidade de San Francisco está, atualmente, a estudar a possibilidade de banir as palhinhas de plástico e outros objetos a partir de 1 julho de 2019.

Em julho de 2018, foi autorizada a operação de compra, avançada pela Disney, da 21st Century Fox, a empresa matriz da National Geographic.

PARCEIRO DE VIAGENS DA NATIONAL GEOGRAPHIC PROÍBE OS PLÁSTICOS DE USO ÚNICO

26 de julho de 2018

No dia 25 de julho, a Lindblad Expeditions, uma empresa de cruzeiros de aventura e parceira da National Geographic Expeditions, anunciou que estava 100 por cento livre de plásticos de uso único. Garrafas de plástico descartáveis, copos, palhinhas e palhetas estão hoje, totalmente, interditas a bordo dos 13 navios que compõem a frota.

“O oceano está a ser atacado em tantas frentes, e a sua proteção é, simultaneamente, a missão da atividade comercial que desenvolvo e uma paixão pessoal”, afirma Sven Lindblad, diretor-geral da Lindblad Expeditions, num comunicado de imprensa. “A saúde do nosso planeta depende dos nossos oceanos, e é essencial que mudemos o nosso comportamento relativamente aos plásticos”.

Lindblad é conhecido por viajar pelo mundo, sobretudo pelas viagens ao Alasca e às Ilhas Galápagos. A empresa deu os primeiros passos, no âmbito da iniciativa para suprimir em absoluto o uso do plástico, em 2007, quando proibiu as garrafas de água descartáveis a bordo dos seus navios. Em alternativa, a marca colocou ao dispor dos visitantes garrafas de aço inoxidável, que podiam ser enchidas nos postos de abastecimento de água filtrada a bordo dos navios. Segundo um estudo desenvolvido pela Adventure Travel Trade Association, em colaboração com a Travelers Against Plastic, o operador de viagens de aventura médio consome, anualmente, cerca de 30 000 garrafas de plástico de uso único.

Cerca de 80 por cento do turismo desenvolve-se perto das zonas costeiras, expondo os nossos oceanos a um maior risco de poluição de plásticos. Quando fizer a mala para viajar de avião, considere a possibilidade de usar embalagens reutilizáveis, com 90 mililitros de capacidade, para os seus produtos de higiene pessoal e acondicione-os numa nécessaire transparente reutilizável, ao invés de um saco de plástico. Nos voos, leve consigo os seus auscultadores e decline a bolsa com artigos de cortesia, envoltos em plástico. Faça-se acompanhar de uma garrafa de água reutilizável e enche-a sempre que possa.

Para outras sugestões, descubra como um dos nossos colaboradores tentou explorar Belize, abstendo-se de usar objetos de plástico de uso único.

GRANDES EMPRESAS APONTAM NA DIREÇÃO DAS PALHINHAS

13 de julho de 2018

As empresas de retalho, restauração e de bens e serviços de consumo podem, potencialmente, ter um grande impacto na luta pela redução do uso de palhinhas de plástico. Estas empresas sustentam a atividade comercial dos fabricantes de palhinhas, porém as marcas estão a reagir cada vez mais à pressão exercida pelos consumidores.

A Starbucks é uma das marcas mais recentes a anunciar o abandono do uso de palhinhas de plástico nos espaços comerciais até 2020. Sem palhinhas, as bebidas frias vendidas pela marca serão servidas em copos com tampas de plástico especiais. Essas tampas têm menor probabilidade de obstruir as narinas de uma tartaruga e são mais recicláveis do que as palhinhas, mas a marca recebeu algumas reações negativas, porque as tampas continuam a ser de plástico.

A cadeia de restaurantes de comida fast food McDonalds também tenciona abandonar, gradualmente, o uso de palhinhas de plástico nos seus espaços comerciais no Reino Unido e na Irlanda, coincidindo com as propostas do Reino Unido e da União Europeia para reduzir o consumo de plásticos de uso único.

Entre outras empresas que desenvolveram políticas para reduzir o consumo de plásticos, destaca-se a Bacardi Rum, que planeia cortar em cerca de mil milhões o volume unitário de palhinhas nos próximos dois anos. A Bon Appétit Management e a Aramark, dois gigantes de gestão de serviços alimentares, propõem-se a reduzir as palhinhas de plástico em 2019 e 2022, respetivamente. Por seu turno, as companhias aéreas Alaska Airlines e American Airlines começarão a abandonar, faseadamente, as palhinhas de plástico este verão.

O futuro dirá se estas empresas cumprirão com os objetivos a que se propõem, sendo certo que a interdição das palhinhas de plástico não resolverá o problema da poluição. Os defensores dizem que a redução do uso de palhinhas é o primeiro passo e uma prática relativamente simples, enquanto os mais céticos afirmam que pode desviar a atenção de assuntos de maior relevo. Seja como for, reduzir o consumo de palhinhas de plástico tornou-se moda este verão.

MANTÉM-SE A INTERDIÇÃO DOS SACOS DE PLÁSTICO NO CHILE

6 de julho de 2018

O Tribunal Constitucional do Chile ratificou a lei que interdita o uso de sacos de plástico em todo o país, no dia 6 de julho deste ano, decidindo contra o recurso interposto pela indústria de produção de plástico. Em junho, o Congresso do Chile aprovou, em unanimidade, a nova interdição, citando preocupações de poluição de plásticos no oceano e em terra.

A Associação de Plásticos Industriais do país interpôs uma ação legal para bloquear a aplicação da nova lei, invocando a inconstitucionalidade de algumas normas. Mas o tribunal rejeitou os argumentos.

Os grandes retalhistas dispõem de seis meses para abandonar, faseadamente, os sacos de plástico de uso único, enquanto os pequenos comerciantes poderão fazê-lo no prazo de dois anos.  A proibição surge na sequência da nova legislação avançada no mandato do anterior presidente, que instava à interdição dos sacos de plástico ao longo dos 6437 quilómetros de costa do país.  

Ao anunciar a nova proibição, Marcela Cubillos, a ministra do ambiente do Chile, disse em declarações ao jornal The New York Times: “Estamos certos de que a nossa costa impõe a obrigação de sermos líderes na limpeza dos nossos oceanos”.

A interdição do Chile é a primeira de cariz nacional nas Américas. Foram aprovadas interdições semelhantes na China, no Quénia, em França, e também noutros países. Várias regiões e localidades implementaram interdições que incidem sobre os sacos de plástico e outro tipo de restrições, incluindo impostos ou taxas que visam desencorajar o consumo de plásticos de uso único.

SEATTLE TORNOU-SE NA PRIMEIRA CIDADE DOS ESTADOS UNIDOS A BANIR AS PALHINHAS E OS UTENSÍLIOS DE PLÁSTICO

1 de julho de 2018

Numa tentativa de reduzir a quantidade de resíduos plásticos que poluem a terra e o mar, a cidade de Seattle proibiu o uso de palhinhas de plástico e utensílios em bares e restaurantes, a partir do dia 1 de julho.

Os cerca de 5000 estabelecimentos de restauração, que se distribuem pela cidade, foram convidados a prescindir do uso de palhinhas e utensílios de plástico nos seus espaços, ou a preferir, pelo menos, alternativas em papel. Uma opção menos ecológica, mas ainda assim legal, é o uso de palhinhas ou utensílios compostáveis.

"A poluição de plásticos atingiu níveis críticos nos oceanos, à escala planetária, e orgulho-me que Seattle esteja na linha da frente do combate à poluição de plásticos e seja um exemplo para a nação ao interditar o consumo de palhinhas”, disse Mami Hara, diretora-geral dos serviços públicos de Seattle, num comunicado.

Uma proibição semelhante foi avançada para o Havai, mas foi rejeitada pela oposição da indústria. Propostas semelhantes estão, atualmente, a debate nas cidades de San Francisco, Nova Iorque e em Washington D.C., entre outros lugares.

As associações que zelam pelos interesses das pessoas com limitações de natureza diversa vieram, recentemente, a público lembrar que as interdições das palhinhas de plástico devem tomar em consideração pessoas com necessidades especiais.

EUROPA, REINO UNIDO E ÍNDIA PROPÕEM INTERDIÇÕES AO PLÁSTICO

28 de maio de 2018

Numa proposta regulamentar, com data de 28 de maio, a Comissão Europeia avançou com uma interdição sobre dez itens de uso corrente, que representam cerca de 70 por cento do lixo em águas europeias. Tal inclui palhinhas de plástico, palhetas para mexer bebidas, pratos, entre outros.

As novas regras terão ainda de ser aprovadas pelos estados-membros e pelo Parlamento Europeu para serem implementadas. É provável que só entrem em vigor dentro de vários anos.

A lei proposta estabelece ainda que os países da União Europeia recolham e reciclem 90 por cento das garrafas de plástico até 2025, e que os fabricantes de plástico sejam responsáveis pela maior fatia dos custos de gestão de resíduos e esforços de limpeza.

Em abril, a primeira-ministra britânica Theresa May anunciou a intenção de aplicar uma interdição no país sobre as vendas de plásticos de uso único, incluindo palhinhas e cotonetes.

Designando os resíduos plásticos como “um dos maiores desafios ambientais do mundo”, May disse que iria trabalhar com a indústria para estudarem alternativas. Estima-se que cerca de 8,5 mil milhões de palhinhas de plástico são deitadas fora todos os anos no Reino Unido.

No dia 5 de junho, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi anunciou a intenção de eliminar o plástico de uso único no país até 2022. Com uma economia em crescimento e uma população de 1,3 mil milhões, a Índia tenta gerir a vasta massa de lixo, sendo um dos países que mais contribui para poluição dos oceanos, à escala global.

“Juntemos esforços para combater a poluição de plásticos e façamos deste planeta um lugar melhor para viver”, disse Modi.

Os especialistas advertem que o objetivo de Modi está longe de se cumprir, e implicaria mudanças de fundo e investimentos tanto ao nível da indústria, como do público. Vários setores da indústria já se insurgiram contra estes esforços, exercendo fortes pressões. O estado de Maharashtra, berço da megacidade de Bombaim, aligeirou a interdição a aplicar sobre o plástico de uso único, apenas uma semana depois de ter anunciado o plano este verão. O estado está a ponderar um conjunto de exceções a aplicar aos plásticos com determinada espessura, produtos com certas dimensões, equipamentos médicos, entre outros usos.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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