As Compras na Black Friday Prejudicam o Ambiente, Mas o Leitor pode Ajudar

Os consumidores irão gastar mais na azáfama pós Dia de Ação de Graças do que em qualquer outra altura do ano.segunda-feira, 26 de novembro de 2018

 

O FIM DE NOVEMBRO é um momento de rechear: rechear o peru com pão ralado, a barriga com peru e a casa com presentes da época.

Os Correios dos EUA preveem entregar 15 mil milhões de peças de correspondência e 900 milhões de encomendas entre o Dia de Ação de Graças e o Ano Novo. Muitos destes artigos serão enviados na sequência de uma compra realizada durante o popular fim de semana de compras que se segue ao Dia de Ação de Graças.

A Black Friday é um dia anual de compras que ocorre na sexta-feira subsequente ao Dia de Ação de Graças. Nos últimos anos, este feriado também foi sendo introduzido no Reino Unido. Além disso, há cada vez mais consumidores a participar na "Cyber Monday", a primeira segunda-feira depois do Dia de Ação de Graças marcada por promoções em diferentes sites da Internet.

De acordo com um relatório de consumo realizado pela empresa de análise de dados Adobe, cinco dos dias de maior consumo do ano ocorrem entre 21 e 26 de novembro.

"Para as pessoas que não têm poder de compra, a possibilidade de comprar algo que é uma necessidade a um preço com desconto é obviamente um benefício", diz  Nicholas Ashford, professor de Tecnologia e Política no MIT, onde também ensina Lei Ambiental.

"Para outras pessoas que têm mais do que o suficiente, é só a perpetuação de uma sociedade orientada para o consumo, que têm um efeito adverso no ambiente", afirma.

Vejamos de que forma os seus hábitos de consumo poderão afetar o ambiente nos dias mais agitados do ano em matéria de consumo:

 

A FORMA COMO COMPRA

De acordo com um inquérito aos consumidores divulgado pela Deloitte, o consumidor médio planeia gastar mais 20 por cento do que gastou em 2017. Cinquenta e sete por cento do valor será gasto on-line e não em lojas tradicionais, o que é uma mudança relativamente a anos anteriores.

A forma como os consumidores decidirem expedir as compras on-line terá impacto no respetivo nível ecológico.

Uma análise realizada no ano passado pela Vox e pelo  Laboratório do Clima da Universidade da Califórnia mostrou que o envio em dois dias, como o oferecido gratuitamente aos membros do Amazon Prime, deixa uma pegada de carbono maior do que as opções mais lentas de envio numa semana. Isto acontece porque o envio mais rápido dos artigos exige a utilização de mais camiões a gasóleo e de sistemas de envio menos eficientes.

"Dantes, as empresas podiam consolidar-se para otimizar a distribuição. Agora, o facto de algumas empresas estarem a oferecer entregas muito rápidas impede a consolidação", disse à Vox Miguel Jaller, do Instituto de Estudos de Transporte da Universidade da Califórnia.

Para compensar uma parte desta poluição com carbono, algumas empresas, como a Dell, compram compensações de carbono, um sistema que promove a redução de carbono numa região para compensar o impacto negativo da poluição com carbono noutra região. Estas compensações podem consistir em projetos que financiam energias renováveis ou promovem a gestão sustentável da floresta.

Um estudo do MIT chegou à conclusão de que a pegada de carbono das compras on-line era menor do que o custo de carbono de comprar em lojas físicas, mas a Universidade da Califórnia verificou que este benefício se perdia quando os consumidores optam por envios mais rápidos.

 

O QUE COMPRA

Quando um artigo chega a sua casa, a forma como foi construído e o que lhe acontece quando vier a ser descartado são alguns dos muitos fatores que contribuem para a forma como afeta o ambiente.

Eletrónica

  • Durante a Cyber Monday do ano passado, os artigos eletrónicos foram dos mais adquiridos. Todos os novos telemóveis, tablets, máquinas fotográficas e dispositivos domésticos acabarão um dia por se tornar lixo eletrónico, ou "e-lixo". De acordo com os dados da ONU, apenas cerca de 20 por cento do lixo eletrónico é reciclado, e, quando os artigos eletrónicos são colocados em aterros sanitários, podem libertar materiais tóxicos, como chumbo e mercúrio, para a atmosfera, a água e o solo, o que constitui um risco para a saúde. Um estudo de 2003 mostra que as crianças enfrentam um risco muito mais elevado de desenvolverem disfunções neurológicas e cognitivas se forem expostas a químicos resultantes de lixo eletrónico.

 

Moda rápida

  • Roupa imediatamente disponível e a preços reduzidos pode ser uma vantagem para o consumidores, mas, em demasia, pode prejudicar o ambiente, sobretudo quando é comprada e vendida rapidamente. Um estudo da Fundação Ellen Macarthur estima que a cada segundo é desperdiçado o equivalente a um camião de têxteis. Além de exigir recursos para o fabrico e o processamento, e de produzir emissões de carbono, o material descartado usado na roupa da chamada "moda rápida" contém microfibras de plástico que, em última instância, poluem o oceano.

 

Plástico

  • O plástico está em todo o lado: é usado no fabrico de tudo, de brinquedos a artigos domésticos, e nas embalagens de muitos dos artigos que expedimos. Todos os anos são produzidos milhares de milhões de quilos de plástico, 91 por cento dos quais não são reciclados. A maior parte do plástico acaba no oceano, onde pode inundar corais e sufocar animais.

 

DIMINUIR O IMPACTO

Nicholas Ashford salienta que a atual cultura de consumo incentiva muitas vezes o desperdício, mas há passos que as pessoas podem dar para reduzir o custo das compras neste período para o ambiente.

Jarett Emert, gestor de investimentos do Carbon Fund, um grupo que gere projetos de compensação de carbono, afirma que as escolhas que reduzem o número de carros e camiões nas estradas podem ter um impacto positivo.

"Para tal, podemos, por exemplo, pedir um envio em conjunto quando compramos vários artigos ou reduzir o número de viagens quando vamos às compras", afirma. O Carbon Fund permite também que as pessoas comprem compensações de carbono.

Grupos ambientais como a Greenpeace incentivam os consumidores a pensar a longo prazo quando compram um artigo. Comprar produtos usados ou produtos resultantes de reutilização criativa ou com conteúdo reciclado ajuda a reduzir a utilização de recursos na produção. Presentes experiência ou tempo podem também ser alternativas a artigos físicos. Além disso, os consumidores podem usar os seus próprios sacos reutilizáveis, evitando os sacos descartáveis, e embrulhar os presentes com sacos de tecido ou papel reciclado.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

 

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