National Geographic Summit

National Geographic Summit 2017: Um Evento Que Nos Levou Mais Além

O National Geographic Summit reuniu três oradores de renome internacional e uma comunidade de cientistas, exploradores e curiosos à volta de temáticas, que são hoje, mais relevantes do que nunca. Veja aqui os melhores momentos do evento. Quinta-feira, 9 Novembro

Por Gil Gomes

Tendo por base o poder da ciência, da exploração e do storytelling, o National Geographic Summit foi idealizado com o propósito de juntar cientistas, exploradores e curiosos em prol da partilha de histórias e de conhecimento. Um evento que trouxesse uma visão mais ampla sobre a humanidade e que inspirasse a audiência a contribuir para as mudanças que tanto precisamos nalguns dos temas mais pertinentes da nossa atualidade.

Recorrendo a oradores de renome internacional e com fortes laços à National Geographic, o Summit reuniu Jane Goodall, primatóloga icónica, Jodi Cobb, reconhecida fotojornalista e Tristram Stuart, investigador e ativista, no Teatro Tivoli BBVA perante uma sala esgotada no dia 25.

A Condição Humana num Mundo Interligado

Após uma breve apresentação de Dave Schacht, Vice President, Global Initiatives da National Geographic Society, sobre as bolsas e o papel ativo que a instituição tem no apoio à exploração e divulgação de projetos como o Pristine Seas e o Photo Ark, Jodi Cobb subiu ao palco para contar como a sua carreira como fotojornalista e todas as realidades que conheceu a dotaram de uma perspetiva única sobre o nosso mundo e as pessoas que o habitam.

O gosto pela fotografia que desenvolveu desde muito cedo fê-la tornar-se mais tarde numa das fotógrafas mais emblemáticas da National Geographic e a ser a primeira mulher distinguida como Fotógrafa do Ano pela Casa Branca.
O seu percurso por mais de 65 países levou-a a ser a primeira fotógrafa a entrar na China logo após a abertura das fronteiras, a explorar o papel da mulher e da realidade feminina na Arábia Saudita, a capturar o enigmático mundo das gueixas japonesas e a revelar os meandros obscuros do tráfico humano e da escravatura na Ásia.

Para Jodi o medo foi um constante companheiro de viagem, mas a “vontade de abrir os olhos das pessoas e de mudar atitudes” sempre se sobrepôs a ele, levando-a a obter algumas das fotografias mais marcantes dos nossos tempos.

Se para o público em geral o percurso profissional de Jodi é admirável, a sua experiência tem um valor incalculável para fotógrafos e fotojornalistas e no dia 26, Jodi conduziu uma sessão especial destinada a estes profissionais, na qual partilhou algumas das práticas que considera mais relevantes e onde ainda analisou o portfolio de vários participantes.

O Impacto do Desperdício Alimentar a Nível Global

O desperdício alimentar é uma realidade preocupante nos dias de hoje que, apesar dos recentes avanços, ainda não é resolvida à velocidade que deveria. Pelo menos se a quisermos reverter antes que seja demasiado tarde.

Tristam Stuart tem sido um dos grandes ativistas por esta causa, sendo um autor premiado, orador e fundador de diversas iniciativas a nível global que alertam e informam sobre o que podemos fazer no nosso dia-a-dia para a combater. (Leia Um Terço da Comida é Perdida ou Desperdiçada: o que Pode ser Feito).

 

 

Por outro lado, tem também um papel muito importante ao tornar evidente perante grandes corporações que a mudança tem que acontecer agora.
Segundo Tristram, menos de um quarto dos alimentos que os EUA e a Europa desperdiçam são suficientes para colmatar a fome que cerca de mil milhões de pessoas sofrem atualmente no mundo.

O facto do desperdício alimentar também ter um impacto drástico na emissão de dióxido de carbono, na deflorestação e na extinção de espécies levou a que se traçasse um alvo ambicioso pela ONU nos objetivos do milénio: reduzir o desperdício global em metade até 2030. “É ambicioso, mas totalmente possível. Já vemos empresas e países inteiros a mostrar que se consegue esse tipo de redução em relativamente pouco tempo”, comentou durante a sua apresentação.

Natureza, Animais e Culturas – Razões de Esperança

Aos 83 anos, Jane Goodall continua a dar seguimento à sua impressionante carreira como investigadora e ao seu papel como ativista. A primatóloga britânica começou por contar como foi um livro na sua infância que lhe despertou a curiosidade de conhecer o continente africano – “Tinha dez anos quando encontrei um livro numa pequena livraria e poupei dinheiro para o comprar: Tarzan of the Apes. Apaixonei-me. Mas o que fez Tarzan? Casou com a Jane errada!”

A sua ida para o Quénia e o convite para estudar um grupo de chimpanzés nas margens do lago Tanganica, na Tanzânia, deram início a um trabalho intensivo de décadas que revelou, entre várias outras descobertas, o uso e a construção de ferramentas pelos chimpanzés, um traço até então considerado apenas humano. Também analisou o comportamento destes símios em grupo, tendo descoberto que “também têm um lado negro, brutal e até de planeamento da guerra.”

Com o tempo e a consciência de que a conservação da natureza em geral se encontrava em declínio, criou a sua fundação e o programa educativo Roots & Shoots, atualmente em 99 países, para educar as crianças e os jovens a serem mais participativos através de projetos que procurem soluções para ajudar as pessoas, os animais e o meio ambiente.

Foi nesse sentido que, além da sua apresentação no dia 25, Jane orientou uma sessão do Roots & Shoots para crianças na manhã do dia 26, que consistiu no culminar do projeto educativo ‘Ideias para Mudar o Mundo’ e na qual os alunos do British Council, Colégio Valsassina, Externato Marista de Lisboa, Oeiras International School, Escola Básica 2,3 de Vila do Bispo, Park International School e St Julian’s School apresentaram os seus projetos e demonstraram o seu entusiasmo para mudar o mundo.

Um Evento Que Nos Levou Mais Além

No final de um evento que juntou oradores conceituados a uma comunidade interessada e participativa à volta de temáticas atuais e pertinentes, o National Geographic Summit foi a prova viva de que estamos mais conscientes do que nunca dos problemas do nosso planeta e do papel ativo que podemos ter na procura de soluções sustentáveis. Foi também a prova que a missão da National Geographic é, também ela, hoje em dia, mais relevante do que nunca.

A National Geographic Portugal deixa um agradecimento especial a todos aqueles que fizeram parte do evento, desde todos os elementos envolvidos na organização, a toda a comunidade que desde o primeiro momento se mostrou motivada antes e durante o Summit, aos oradores ímpares que aceitaram o nosso convite, a todos os parceiros que tornaram também possível esta iniciativa pioneira – A Fnac, como Patrocinador Gold, a Win World como Parceiro de Gestão Global, a Goody, a Roots & Shoots, a RBA Portugal e a SPEdH como Parceiros Institucionais e ainda ao Alto Patrocínio de Sua Excelência, O Presidente da República.