Como São Resgatados os Alpinistas nas Montanhas Mais Altas do Mundo

Quando o pior acontece nos Himalaias, esta equipa de salvamento pode significar a diferença entre a vida e a morte.sexta-feira, 2 de março de 2018

Por Sarah Gibbens
Este artigo foi produzido no contexto da parceria entre a National Geographic e a Rolex, parceria essa estabelecida com o intuito de promover a exploração e a conservação. Ambas as organizações irão conjugar esforços no sentido de apoiar exploradores veteranos, estimular novas exploradores emergentes e proteger as maravilhas do planeta.

Os alpinistas treinam vidas inteiras para escalar o monte Evereste, mas Chhirring Dhenduk Bhote parece ter nascido para o fazer. Bhote é oriundo de uma povoação no leste do Nepal, encaixada entre os montes Kangchenjunga e Makalu, respetivamente, a terceira e quinta montanhas mais elevadas do planeta.

O Evereste, que com os seus 8850 metros, é a montanha mais elevada do planeta, situa-se a oeste do monte Makalu, e é um dos picos dos Himalaias onde Bhote já efetuou operações de salvamentos sob condições dificílimas.

Quando os alpinistas que escalam a montanha se deparam com o perigo, enviam um pedido de socorro às organizações de salvamento da região. A escalada é extremamente arriscada, e todos os anos ocorrem várias mortes. O perigo é tal que a maioria dos alpinistas adquirem um seguro especial antes da subida.

Quando Bhote e a sua equipa de salvamento são chamados, entram imediatamente em ação. Deslocando-se de helicóptero, a equipa busca aqueles que se encontram em perigo de vida. Se não conseguirem aterrar com segurança no local, empregam uma técnica denominada salvamento à corda, em que Bhote desce em rapel por uma longa corda fixa ao helicóptero, até chegar às vítimas. O socorrista prende então a vítima à outra extremidade da corda, quer ela esteja consciente ou não, e ambos são transportados até ao posto médico de emergência mais próximo, suspensos a vários metros do solo.

E uma profissão de risco, fisicamente muito exigente, mas Bhote conta-se entre os melhores da região, tendo conduzido 21 dos 35 salvamentos à corda nos Himalaias desde 2008. Bhote recebeu formação na Suíça para este tipo de salvamentos, embora ele também reconheça o papel da sua afinidade com as montanhas. E ainda que tenha sido bem-sucedido em numerosas ocasiões, ele a sua equipa nem sempre têm capacidade para chegar aos alpinistas em dificuldades a tempo.

“Quando recolho um corpo já sem vida, o meu coração gela e sinto-me muito triste”, diz Bhote num vídeo produzido pelo realizador DJ Clark. A maioria das suas missões de resgate salva vidas, mas quando tal não acontece, Bhote sente o dever de, pelo menos, entregar o corpo à família do alpinista.

Veja as Imagens de Escaladas ao Evereste ao Longo dos Tempos

ver galeria

AVENTURA DE ALTO RISCO

Escalar o monte Evereste é uma tarefa extremamente exigente. Bhote que o diga — já o fez duas vezes. Mas o tempo pode mudar drasticamente de um momento para o outro.

A Base de Dados dos Himalaias dedica-se a contabilizar o número de mortes que ocorreram no Evereste desde 1921. Só em 2017, morreram seis pessoas, mas um dos anos mais mortíferos, de longe, foi 2014, com 17 mortes, devidas, na sua maioria, a uma avalanche. Uma outra avalanche, em 2015, desencadeada por um sismo, matou 15.

As avalanches encontram-se entre as principais causas de morte para aqueles que se arriscam a escalar uma montanha como o Evereste, mas as mortes e os ferimentos poderão ser atribuídos, de forma mais lata, a acidentes imprevisíveis: colapso, quedas, exposição aos elementos, doença. De quando em vez, um montanhista desaparece sem deixar rasto.

MISSÃO DESAFIANTE

Para Clark, cruzar-se com Bhote foi um feliz acaso. Em 2016, o realizador estava no Nepal a filmar as iniciativas de conservação de elefantes para a National Geographic, quando um amigo comum o pôs em contato com Bhote. Ainda que Clark conhecesse outros salvadores à corda, Bhote impressionou-o, tanto pela quantidade de salvamentos bem-sucedidos, como pela sua paixão.

Para registar em filme as missões de salvamento de Bhote, primeiro Clark teve de aguardar que alguém precisasse de ajuda. Para o realizador, que vive em Hong Kong, a logística parecia incomportável, com boa parte das filmagens a serem obtidas através de uma câmara fixa no capacete de Bhote, ou manuseada por um dos seus colegas no helicóptero.

“A sua paixão em fazer do Nepal um lugar seguro para os alpinistas é bem real”, diz Clark.

Num futuro próximo, Bhote tenciona continuar a participar em missões de socorro e, em conjunto com a sua equipa, abrir o seu próprio posto de salvamento no terreno. Assim que tenham a mão de obra necessária, diz ele no vídeo de Clark, poderão “deslocar-se para qualquer local.”

Continuar a Ler