Os Dinamarqueses Utilizam Muito Menos Plástico do que os Americanos. Saiba Como.

Os cidadãos dinamarqueses utilizam em média cerca de quatro sacos de plástico não reutilizáveis por ano, enquanto os cidadãos dos Estados Unidos da América utilizam um por dia. Contudo, isto não significa que os dinamarqueses estejam satisfeitos com estesWednesday, June 6, 2018

Por Karen Gunn
Os consumidores de Copenhaga, bem como de outras cidades dinamarquesas, têm uma postura em relação aos sacos de plástico muito diferente da que têm os cidadãos de outros países.
Este artigo faz parte da campanha da National Geographic, Planeta ou Plástico?—o nosso esforço para alertar sobre a poluição dos plásticos em todo o mundo. Saiba o que pode fazer para reduzir a sua utilização de plásticos de uso único, e assuma este compromisso.

Aqui em Copenhaga, acontece-me muitas vezes chegar ao supermercado e reparar que deixei o meu saco reutilizável em casa. É algo que me aborrece de duas maneiras diferentes: vou ter de gastar dinheiro em mais dois sacos de plástico, quando já tenho uma quantidade absurda deles acumulada num armário, em minha casa; e o desperdício de plástico, o que aumenta desnecessariamente a pegada ecológica que deixo no nosso planeta, não por falta de boas intenções, mas por falta de prudência.

Aqui na Dinamarca, onde vivo, raramente vejo aqueles sacos de plástico genéricos e menos resistentes. Talvez os encontre em pequenas mercearias locais ou nas peixarias, mas, no geral, não há sacos de plástico gratuitos nos supermercados dinamarqueses. Estes vendem sacos grandes e reutilizáveis, feitos de um plástico mais resistente para encorajar as pessoas a reutilizá-los.

Em 1993, a Dinamarca era o primeiro país a aplicar um imposto ao preço dos sacos de plástico. Hoje, um saco custa cerca de 50 cêntimos, parte dos quais corresponde a impostos, apesar do supermercado também obter um pequeno lucro com a vendas dos mesmo. O aumento do preço destes sacos fez com que as vendas descessem mais de 40% ao longo dos últimos 25 anos. Em média, um dinamarquês utiliza cerca de 70 sacos reutilizáveis por ano e apenas quatro não reutilizáveis, ou seja, menos de 1,5 sacos de plástico por semana.

Porém, tenho-me esforçado para que a Dinamarca apresente resultados ainda melhores.

Em minha casa, separamos o lixo — temos recipientes diferentes para o papel, o vidro e os metais. O meu filho de dez anos certifica-se de levar sempre as nossas garrafas e latas de refrigerante vazias para as colocar a reciclar na máquina que existe no supermercado — recolhendo a sua recompensa monetária. Se entregar 10 garrafas de um litro vazias e outras 10 latas de meio litro, a máquina dar-lhe-á 45 coroas dinamarquesas — cerca de 6 euros — em dinheiro. Tentamos reciclar e reutilizar o máximo que conseguimos. Contudo, parece que nunca tenho um saco comigo ou no meu carro quando realmente preciso, e acabo por ter de comprar mais sacos de plástico.

SABIA: Que Foi Encontrado um Saco de Plástico na Fossa Oceânica Mais Profunda do  Mundo?

Por outro lado, a minha mãe, com 80 anos de idade, raramente utiliza sacos de plástico. Desloca-se às lojas locais servindo-se sempre do seu saco de compras em xadrez com rodas. Admirável, sim, mas ainda não estou pronta para adotar essa imagem — ir à mercearia com um trolley é coisa de reformado.

Quando um amigo meu fez 50 anos, começou a estar constantemente numa grande azáfama à procura dos seus óculos de leitura por todos os cantos da casa. Por fim, a mulher desse meu amigo comprou-lhe dez pares de óculos — daqueles baratos que se compram no supermercado — e deixou-os estrategicamente espalhados pela casa, no carro e no escritório. Começo a achar que deveria adotar uma estratégia semelhante com os meus sacos de plástico. Mas deveria optar por sacos de plástico reutilizáveis, ou serão os sacos de pano uma solução mais ecológica?

QUAL É O SACO MAIS ECOLÓGICO QUE PODEMOS USAR?

Motivado pelo relatório divulgado em fevereiro de 2018 pela Technical University of Denmark para a Danish Environmental Protection Agency, este tem sido um tema de debate frequente e particularmente aceso na Dinamarca, nos últimos tempos. Neste relatório mediu-se o impacto do ciclo de vida de vários tipos de sacos (de algodão, de plástico, de papel) no ambiente com base em 15 parâmetros, incluindo a forma como são produzidos, o consumo de água, impacto na camada do ozono, toxicidade, e a capacidade do material para ser reciclado.

Os investigadores concluíram que os sacos fabricados à base de polietileno de baixa densidade — que são os que estão à venda nos supermercados dinamarqueses — são "os que apresentam o menor impacto ambiental em relação aos indicadores avaliados." 

A Danish Society for Nature Conservation discorda desta conclusão, afirmando que este relatório é cientificamente deficitário a vários níveis, não encarando alguns dos aspetos mais importantes com o devido rigor, apresentando resultados "falaciosos" no que toca aos sacos de pano (algodão), e ignorando o impacto ambiental dos sacos de plástico quando estes são descartados como lixo.

Apesar de ainda não ser conhecida a decisão final, todas as partes concordam num ponto: independentemente do tipo de saco que utilizamos, estaremos a fazer um favor ao ambiente se reutilizarmos os sacos até estarem completamente gastos.

O FIM DO CICLO

E o que fazer quando um saco reutilizável já não está, de todo, em condições de ser reutilizado?

Aqui, na Dinamarca, alguns sacos são catalogados como resíduos plásticos e são reciclados. Mas muitos acabam por ser usados como saco onde se coloca o restante lixo e são incinerados com o restante lixo num dos centros de cogeração do país que convertem o lixo em eletricidade e alimentam a rede de aquecimento urbano. Isto evita que o lixo tome conta da paisagem e contribui para a produção de energia. Ainda assim, incinerar plástico de alta-qualidade não é a forma mais ecológica de aproveitar este recurso tão valioso.

A cadeia de supermercados Netto tem desenvolvido esforços no sentido reduzir o número de sacos de plástico utilizados na Dinamarca para reduzir o consumo de plástico.

Num esforço para otimizar a utilização dos sacos de plástico e reduzir o desperdício dos mesmos, a cadeia de supermercados Netto, em parceria com o World Wildlife Fund for Nature (WFF), deu início a um projeto piloto. A Netto, que tem cerca de 1300 lojas espalhadas pelo norte da Europa, decidiu estabelecer um preço equivalente a cerca de sete cêntimos para cada saco de plástico. Depois, por cada saco devolvido pelos clientes, as lojas Netto pagarão o valor de 13 cêntimos. Por outro lado, por cada saco que não for devolvido, a Netto pagará esses mesmos 13 cêntimos (o equivalente a uma coroa dinamarquesa) à WFF para a ajudar a remover plásticos da natureza e a combater a poluição em todo o mundo. Numa primeira fase, este projeto estará limitado à Dinamarca, mas se tiver sucesso, a Netto poderá estendê-lo a todas as suas lojas espalhadas por vários países. Atualmente, a Suécia encontra-se a estudar uma alternativa semelhante.

A população dinamarquesa parece estar de acordo com esta iniciativa. Segundo uma sondagem conduzida pela TNS Gallup, no ano passado, 68% das pessoas que responderam, afirmaram que o sistema de reembolso pela entrega dos sacos de plástico (com o acréscimo de um depósito sobre o valor atual) é uma boa ideia. Com uma oposição de apenas 13%, é possível que esta venha a ser parte da solução para a minha coleção de sacos de plástico: posso dá-los ao meu filho, que ganhará mais umas moedas quando os for entregar juntamente com as garrafas e as latas vazias.

Contudo, ainda não desisti de me tornar uma "senhora dos sacos de plástico" perfeita, desenvolvendo novos hábitos e desafiando-me a reduzir a minha dependência de sacos de plástico ao mínimo.

Basta-me apenas um pouco de planeamento para deixar de gastar dinheiro desnecessariamente e de consumir recursos valiosíssimos — literalmente. É esta a minha pequena contribuição para reduzir a quantidade de plástico espalhada pelo nosso planeta, num mundo onde a produção de plásticos está a crescer de forma exponencial.

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