Viagem e Aventuras

Os Locais Abandonados Mais Impressionantes deste Ano

Desde foguetões espaciais desativados a ilhas abandonadas há décadas, estes são alguns dos sítios que mereceram destaque em 2017 para este explorador. Quinta-feira, 11 Janeiro

Por Elaina Zachos

Quando ainda era adolescente, Bob Thissen divertia-se a explorar o interior de edifícios abandonados. Há cerca de 11 anos, decidiu profissionalizar-se e transformar a sua paixão em trabalho. Hoje, este holandês de 32 anos é o responsável pelo canal do YouTube Exploring the Unbeaten Path. Thissen começou por explorar lugares desolados munido, apenas, da sua curiosidade, mas agora faz-se acompanhar de câmaras topo de gama, um drone e um microfone.

Thissen pertence à subcultura dos exploradores urbanos, isto é, pessoas que se dedicam a explorar construções humanas que, por algum motivo, foram deixadas ao abandono. Já visitou centenas de locais, tendo passado por mais de 50 países espalhados por quatro continentes. Paralelamente à sua atividade no YouTube, que retomou após ter aparecido no programa de televisão Exitus, em 2016, Thissen mantém duas contas bastante populares no Instagram e no Facebook.

Nos raros momentos em que não está a explorar com os seus amigos Eelco Kuijper e Frederick Sempels, Thissen gere uma empresa que produz vídeos utilizando a técnica de stop motion (uma técnica de animação tradicional aplicada ao vídeo). De foguetões espaciais soviéticos a cidades assoladas por desastres nucleares, o explorador falou-nos das suas aventuras favoritas do ano que passou, e das que 2018 ainda lhe reserva.

Quais foram os locais que mais gostou de visitar em 2017?

Em primeiro lugar, os foguetões espaciais abandonados em Baikonur, porque é muito difícil lá ir e não há muita gente que já lá tenha estado. Se fossemos apanhados, poderíamos ter levado um tiro ou, no mínimo, ter sido presos. Tivemos sorte.

Fukushima tem mesmo de vir em segundo lugar, porque foi absolutamente de loucos. Foi abandonada há seis anos, por causa do desastre nuclear, claro. Quando lá chegámos, foi como se estivéssemos a viajar no tempo. Entrámos numa sala de aula, de onde os alunos se limitaram a sair aquando do acidente, as mochilas ainda lá estão, bem como as tartarugas e os peixes mortos no aquário. Foi uma experiência bastante assustadora, mas triste também.

As lojas também ainda estão intactas. Creio que se tivesse acontecido o mesmo na Europa, as pessoas teriam pilhado tudo no espaço de poucas semanas. Aqui, foram-se embora e nunca mais voltaram. É algo mesmo muito estranho, mas ao mesmo tempo cativante.

O terceiro lugar que mais gostei de visitar é muito conhecido. Trata-se da  Battleship Island, no Japão. Foi onde filmaram o filme Skyfall, da saga 007, e é património universal da UNESCO. Foi muito difícil ter acesso à ilha, pois esta não está aberta a turistas. É um lugar muito interessante, com muita história. Lá, é possível ver o que acontece quando não há humanos por perto, pois a ilha está ao abandono desde 1974.

Como é que escolhe os sítios que pretende visitar?

Tudo começa com uma pesquisa na Internet. Depois, faço uma lista de possíveis locais que gostaria de visitar. Digo possíveis porque quando se faz exploração urbana nunca se sabe se determinado lugar é ou não acessível. Pode já ter sido demolido, pode ter sido restaurado e convertido em algo novo ou pode estar protegido por seguranças que não me irão deixar entrar.

Não é fácil, até porque há tantos locais que gostaria de visitar. Este ano eu quis ver alguns dos locais mais conhecidos do mundo, porque estão todos a desaparecer muito depressa.

Quais são os principais obstáculos com que se depara nas suas explorações?

Os edifícios vão sendo demolidos, vandalizados ou até restaurados. Outro problema, por vezes, é simplesmente a forma de lá chegar. Às vezes, é necessário um barco, ou a ajuda de alguém no interior.

Os seguranças também são um problema. Naturalmente, não nos vão deixar entrar. Podemos até ser presos. Às vezes, é necessário pular cercas ou redes de arame, e escapar a cães de guarda e câmaras de vigilância. Podemos encontrar pessoas peculiares, como toxicodependentes. No Cazaquistão, estávamos a explorar uma zona militar ainda no ativo e tivemos de andar cerca de 32 quilómetros pelo deserto.

É uma grande aventura.

Quais são as características que o levam a destacar estes locais entre todos os que visitou este ano?

Geralmente, prende-se com a arquitetura extraordinária ou com o legado histórico do local. Como os foguetões espaciais: eles encerram um capítulo da história que todos parecem ter esquecido. Muita gente não fazia ideia de que ainda há foguetões intactos no interior do hangar, por isso foi algo muito especial. Algo que também aprecio imenso são os sítios onde o tempo parece não ter passado.

Passamos por lugares fechados ao público ou a sítios onde ninguém quer ir. De Fukushima toda a gente ouviu falar, mas são mesmo muito poucos os que viram como está agora.  

Quais são os seus planos para 2018?

Pyramiden [em Svalbard, Noruega] e Varosha, no Chipre, são alguns dos nomes que figuram atualmente na minha lista. Pyramiden fica mesmo no Norte, onde as temperaturas atingem os vinte graus negativos. Há ursos polares e temos de andar de mota de neve; é muito arriscado. Parece-me uma excelente aventura. Varosha foi invadida pelos turcos em 1974, e ainda se parece com um cenário de combate. Há uma zona interdita. É muito perigoso e não sei até onde conseguirei ir, porque o local é vigiado por militares armados.

Gostaria de ir a outros sítios, sítios onde nunca ninguém esteve. Quero viver grandes aventuras nesses lugares.

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