Viagem e Aventuras

O Maior Alpinista Solitário Livre do Mundo Não Está Interessado na Adrenalina

Alex Honnold terminou a primeira escalada do El Capitan sem cordas ou apoio de sempre, mas ele fê-lo apenas pelo desporto. Quinta-feira, 15 Março

Por Sarah Gibbens

“Acho que o Parque Nacional de Yosemite é o lugar mais inspirador do mundo. Nos últimos 10 anos, por aí, tenho ido lá todas as primaveras e outonos”, diz o alpinista Alex Honnold. “É por isso que o ‘El Cap’ era tão especial para mim.”

O alpinista refere-se à sua escalada em modo solitário livre recordista da parede rochosa mais assustadora de Yosemite — o El Capitan.

Foi, seguramente, o maior feito de Honnold no ano passado, mas está longe de ter sido a sua única aventura. Antes de ter sido nomeado como um dos Aventureiros National Geographic do Ano, o alpinista tinha também completado com êxito uma ambiciosa expedição de escalada à Antártida.

Estas experiências são apenas duas das proezas impressionantes que constam do seu currículo de escalada.

“Comecei a escalar quando tinha por volta de 10 anos”, conta. “Nunca quis ser profissional nem nada do género, só queria escalar.”

Uma Vida de Aventura

Quando falámos, Honnold encontrava-se entre o ginásio e o aeroporto. Para além de palestras e treino de alpinistas, ele é também responsável pela Fundação Honnold, uma organização sem fins lucrativos que financia iniciativas que promovam energias renováveis um pouco por todo o globo.

Afirmar que Honnold leva uma vida produtiva é dizer pouco, mas, por todas as suas conquistas, ele guarda consigo um humilde sentimento de gratidão, por ter conseguido construir a sua vida a fazer aquilo de que mais gosta.

Quando lhe pergunto se ele se vê como um aventureiro, ele não mostra qualquer exibicionismo, dizendo, “Nunca me autointitularia um aventureiro, mas julgo que tenho um espírito aventureiro.”

Para Além da Adrenalina

Para ser selecionado pela National Geographic, Honnold foi nomeado pelo seu amigo de longa data Andrew Bisharat, escritor e também ele alpinista.

“Ele era apenas um miúdo calado, tímido, com um casaco de capuz e que dominava a escalada”, recorda Bisharat do seu primeiro encontro com Honnold. “Lembro-me de ficar abismado com a sua técnica, tão sólida e controlada.”

Na verdade, Honnold atribui a conquista deste feito histórico justamente a este seu estilo de escalada, controlado e analítico.

Em junho último, Honnold foi o primeiro ser humano a escalar em modo solitário livre o El Capitan. Em pouco menos de quatro horas, Honnold escalou os 900 metros da parede de granito sem cordas ou apoio. Em vários pontos da escalada, o alpinista deparou-se com rocha lisa, pegas muito espaçadas e saliências na rocha tão estreitas que ele tinha de se lançar estrategicamente até ao próximo ponto de apoio.

Honnold diz que este foi um dos momentos mais marcantes do último ano.

“Mesmo a expedição à Antártida foi uma brincadeira quando comparada à escalada do ‘El Cap.’”

“O solitário livre não tem nada que ver com adrenalina. Demorei quatro horas a subir o ‘El Cap.’ Não podemos ter uma descarga de adrenalina durante quatro horas”, salienta. “É muito mais meditativo, calmo e descontraído. É quase sereno.”

“O Alex é um alpinista nato. Ele não faz nada disto pela fama ou para ser o centro das atenções. Ele só adora o desporto”, diz Bisharat. “Paralelamente, ele abraçou a sua popularidade e usou esta plataforma para inspirar e incentivar a mudança.”

A maioria do seu trabalho sem fins lucrativos envolve o financiamento e implementação de soluções de energia solar. Honnold explica que a sua motivação vem do contacto íntimo que estabeleceu com o ar livre através da escalada.

“Se passamos os dias ao ar livre, sentimos uma grande responsabilidade para cuidarmos daqueles lugares”, diz. “Como atleta profissional, tenho a sorte de ganhar a vida a fazer aquilo de que mais gosto — basicamente, é divertimento a tempo inteiro. Acho que sentimos uma obrigação extra para dar algo em troca.”

Olhar Para o Futuro

Atualmente, Honnold está a treinar para melhorar a sua condição física, mas diz não estar a trabalhar em nenhum projeto de grande escala, como aqueles que levou a cabo na Antártida e no Parque Nacional de Yosemite.

“Não é tão assustador ir para o ginásio e treinar, mas é diferente para mim... e é um desafio de uma forma à qual eu não estou habituado”, diz.

Honnold tenciona continuar a escalar para o resto da sua vida, embarcando em novas aventuras que o conduzam além da sua zona de conforto.

“A definição de aventura é um resultado incerto. Para mim, é tentar algo e não saber como as coisas vão correr. É dar um salto no escuro.”

 

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