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Esta Antiga Cidade no Irão Parece um Castelo de Areia Gigante

Depois de ter sido destruída por um terramoto em 2003, a cidade de terra do Irão está a ser reabilitada para atingir a glória passada.Wednesday, May 2

Por Gulnaz Khan
Fotografias Por George Steinmetz, Getty Images
Antiga cidade de Bam, Irão

No extremo sul do alto planalto iraniano junto à fronteira com o Paquistão, a cidadela Arg-e Bam, situada no topo de uma colina, é um marco da Rota da Seda. De acordo com a lenda, esta cidade arquitetada em terra deve a sua existência a uma minhoca mágica.

No poema épico Shahnameh, do poeta persa Ferdowsi, uma menina estava a dobar algodão quando descobriu uma minhoca numa maçã. À medida que esta comia e crescia, segregava um fio delicado que viria a trazer enorme riqueza ao pai da menina, Haftvad, que fortificou a cidade para proteger a magia da minhoca. De acordo com o historiador e geógrafo Hamdollāh Mostowfi, quando um conquistador invadiu e atacou a cidade e perfurou a minhoca com uma vara de metal, “a Minhoca de Haftvad explodiu, razão pela qual a cidade foi batizada de Bam (que significa explosão).”

As estruturas convexas e abobadadas de Bam são características de uma cidade medieval fortificada.

A minhoca mágica da epopeia de Ferdowsi era, provavelmente, o bicho-da-seda. A cidade de Bam, construída entre os séculos VI e IV a. C. no cruzamento de importantes rotas comerciais, conquistou a reputação de produtora de vestuário de seda e algodão, que seria tão requintado que acabou por chegar aos guarda-roupas de reis.

A localização estratégica da cidade, no vale do deserto situado entre os Montes Kafut, a norte, e os Montes Jebal-e Barez, a sul, foi essencial para a prosperidade que alcançou. Rios alpinos fluíam até Bam através de um engenhoso conjunto de qanāts, canais de irrigação, e tornavam a cidade um oásis capaz de sustentar a atividade agrícola. As estruturas convexas e abobadadas da cidadela são características de uma cidade fortificada medieval e foram construídas com chineh (camadas de lama) e khesht (tijolos de lama seca pelo sol).

No século XIX, a maioria dos habitantes de Bam mudou-se para povoações fora da cidadela, mas os edifícios e mesquitas continuaram a ser usados para o ensino, práticas religiosas e celebrações culturais como o Nowruz, o novo ano persa, até ao século XXI. Na madrugada de 26 de dezembro de 2003, um terramoto com magnitude de 6,6 com origem na falha geológica de Bam devastou a região. Mais de 30 000 pessoas morreram, dezenas de milhares ficaram feridas e cerca de 100 000 perderam as suas casas. Grande parte dos muros de defesa e do bairro do Governador ficou reduzida a escombros. No entanto, os qanāts e os alicerces da cidadela mantiveram-se intactos e revelaram novas camadas de história aos arqueólogos.

Um homem prepara um khesht, um tijolo de lama seco ao sol.

A UNESCO preparou um plano de reconstrução abrangente para o período entre 2008 e 2017 com vista a reabilitar a cidade usando as técnicas e os materiais originais de arquitetura com terra. Em 2013, a cidade foi retirada da Lista de Património Mundial em Risco e em 2016 mais de 90% já se encontrava restaurada.

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