Esta Antiga Cidade no Irão Parece um Castelo de Areia Gigante

Depois de ter sido destruída por um terramoto em 2003, a cidade de terra do Irão está a ser reabilitada para atingir a glória passada.

Wednesday, May 2, 2018,
Por Gulnaz Khan
Fotografias Por George Steinmetz, Getty Images
Antiga cidade de Bam, no Irão
Antiga cidade de Bam, Irão
Fotografia de George Steinmetz, Getty Images

No extremo sul do alto planalto iraniano junto à fronteira com o Paquistão, a cidadela Arg-e Bam, situada no topo de uma colina, é um marco da Rota da Seda. De acordo com a lenda, esta cidade arquitetada em terra deve a sua existência a uma minhoca mágica.

No poema épico Shahnameh, do poeta persa Ferdowsi, uma menina estava a dobar algodão quando descobriu uma minhoca numa maçã. À medida que esta comia e crescia, segregava um fio delicado que viria a trazer enorme riqueza ao pai da menina, Haftvad, que fortificou a cidade para proteger a magia da minhoca. De acordo com o historiador e geógrafo Hamdollāh Mostowfi, quando um conquistador invadiu e atacou a cidade e perfurou a minhoca com uma vara de metal, “a Minhoca de Haftvad explodiu, razão pela qual a cidade foi batizada de Bam (que significa explosão).”

As estruturas convexas e abobadadas de Bam são características de uma cidade medieval fortificada.
Fotografia de Martin Gray, National Geographic

A minhoca mágica da epopeia de Ferdowsi era, provavelmente, o bicho-da-seda. A cidade de Bam, construída entre os séculos VI e IV a. C. no cruzamento de importantes rotas comerciais, conquistou a reputação de produtora de vestuário de seda e algodão, que seria tão requintado que acabou por chegar aos guarda-roupas de reis.

A localização estratégica da cidade, no vale do deserto situado entre os Montes Kafut, a norte, e os Montes Jebal-e Barez, a sul, foi essencial para a prosperidade que alcançou. Rios alpinos fluíam até Bam através de um engenhoso conjunto de qanāts, canais de irrigação, e tornavam a cidade um oásis capaz de sustentar a atividade agrícola. As estruturas convexas e abobadadas da cidadela são características de uma cidade fortificada medieval e foram construídas com chineh (camadas de lama) e khesht (tijolos de lama seca pelo sol).

No século XIX, a maioria dos habitantes de Bam mudou-se para povoações fora da cidadela, mas os edifícios e mesquitas continuaram a ser usados para o ensino, práticas religiosas e celebrações culturais como o Nowruz, o novo ano persa, até ao século XXI. Na madrugada de 26 de dezembro de 2003, um terramoto com magnitude de 6,6 com origem na falha geológica de Bam devastou a região. Mais de 30 000 pessoas morreram, dezenas de milhares ficaram feridas e cerca de 100 000 perderam as suas casas. Grande parte dos muros de defesa e do bairro do Governador ficou reduzida a escombros. No entanto, os qanāts e os alicerces da cidadela mantiveram-se intactos e revelaram novas camadas de história aos arqueólogos.

Um homem prepara um khesht, um tijolo de lama seco ao sol.
Fotografia de Francesco Lorenzetti, Alamy

A UNESCO preparou um plano de reconstrução abrangente para o período entre 2008 e 2017 com vista a reabilitar a cidade usando as técnicas e os materiais originais de arquitetura com terra. Em 2013, a cidade foi retirada da Lista de Património Mundial em Risco e em 2016 mais de 90% já se encontrava restaurada.

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