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Castelos de Portugal - Revisitamos o Passado em Almourol

Visigodos, Berberes, Romanos e Templários… todos ali junto a Tomar – as melhores histórias que o Castelo de Almourol tem para contar.Monday, March 25, 2019

Por National Geographic
Castelo de Almourol

O Castelo de Almourol foi levantado num afloramento de granito, que constitui esta pequena mas enigmática ilha com 310 metros de comprimento e 75 de largura, no concelho de Vila Nova da Barquinha (Santarém).

EM ALMOUROL, O CASTELO QUE RESISTIU

O Castelo de Almourol, edificado no século XII, é um dos símbolos da Reconquista Cristã, e um dos maiores exemplos da arquitetura militar da época. Inspirou amores e desamores, vários povos que vieram e foram, e até serviu como ponto estratégico em alturas mais difíceis. Em 2007 foi um dos finalistas do concurso 7 Maravilhas de Portugal.

DE ROMANOS E MOUROS

As origens do Castelo de Almourol não são conhecidas ao certo, e os autores e historiadores não são unânimes. Pensa-se que naquele ilhéu tivesse existido, em séculos passados, um castro pré-histórico, ocupado por Lusitanos ou Pré-Romanos, tendo sido tomado, mais tarde pelos Romanos.

Vestígios arqueológicos como moedas suportam a ideia de que os Romanos teriam estado em Almourol por volta do século I a.C. Acharam-se ainda medalhas da Idade Média, e verificaram-se traços caraterísticos da construção Romana nas bases e fundações do Castelo.

Depois dos Romanos, os Alanos terão passado pelo que é o castelo de Almourol a partir do século III, sendo este tomado pelos Visigodos alguns séculos mais tarde. No século VIII foi a vez dos Mouros, que conquistaram a pequena ilha e fortaleza de Almourol, e a denominaram Al-Morolan (pedra alta).

Vista de Tancos do Castelo de Almourol.

A RECONQUISTA

Por altura da Reconquista Cristã, em 1129, os cristãos conquistaram a Península Ibérica e a zona de Almourol. O Castelo, que ainda não o seria exatamente, foi entregue por D. Afonso Henriques à Ordem dos Templários. Foi, então, pela mão dos Templários que o Castelo de Almourol surgiu quase como hoje o conhecemos.

Nesta fase, o castelo foi reedificado, e adquiriu as suas caraterísticas da arquitetura templária: planta quadrangular, muralhas reforçadas por torres circulares adossadas e uma torre de menagem. É uma placa à entrada, no portão principal, que nos conta que as obras ficaram concluídas em 1171.

Ao cuidado da Ordem dos Templários, o Castelo de Almourol tornou-se um ponto importante da zona do Tejo, por onde passava e se controlava o comércio de azeite, trigo ou madeira.

Com o avanço da reconquista para Sul, a Ordem dos Templários foi extinta em 1311, pelo Papa Clemente V, durante o reinado de D. Dinis. O Castelo de Almourol ficou sob a jurisdição da Ordem de Cristo, mas veio a perder importância e a cair no esquecimento.

O RESGATE PELO ROMANTISMO

O Castelo de Almourol não escapou à fúria do Grande Sismo, em 1755. A estrutura ficou danificada, tendo-se procedido a restauros nos séculos seguintes. Foi apenas no século XIX que o Romantismo resgatou o imponente Castelo, e este voltou a ser visto como património edificado de grande valor.

As renovações e operações de restauro tão necessárias introduziram alguns elementos caraterísticos do Romantismo, suavizando a austeridade da arquitetura militar original. Por exemplo, as muralhas do castelo foram coroadas com ameias – aberturas nos parapeitos – e merlões – os intervalos “dentados” das muralhas.

Mais tarde, por volta de 1898, o Castelo de Almourol foi cedido à Escola Prática de Engenharia, tendo sido considerado Monumento Nacional por Decreto do Rei D. Manuel II a 16 de junho de 1910.

Castelo de Almourol no Inverno.

O ESTADO NOVO, BANQUETES E REMODELAÇÕES

Há pouco mais de 80 anos, o chefe de estado António Salazar deu uma festa com direito a banquete medieval no castelo de Almourol, para o qual foram convidados o corpo diplomático e outras individualidades.

Por ocasião do banquete de 27 de junho de 1938, o Castelo de Almourol não só recebeu obras de restauro como ainda foi adaptado de forma a entreter cônsules, embaixadores e outras figuras políticas convidadas.

Foram cerca de 70 os convidados que vieram num comboio desde Lisboa até à estação de Almourol – e até se construiu uma ponte de madeira para comodidade dos ilustres. A recebê-los estava António de Oliveira Salazar, então Presidente do Conselho de Ministros, vários corneteiros trajados a rigor e figurantes no papel de Templários. O jantar surpreendeu os convidados: vitelo assado transportado numa padiola, com animação musical e ainda uma atriz e cantora trajada de rainha D. Leonor. Ainda no Estado Novo, o Castelo de Almourol foi elevado a residência oficial em 1950, tendo acolhido mais eventos importantes.

COMO VISITAR?

O Castelo de Almourol situa-se num pequeno ilhéu no Rio Tejo, entre as freguesias de Praia do Ribatejo e Tancos. Ao situar-se no mapa, pensará que o ilhéu do Castelo de Almourol pertence a Tancos, pela proximidade e vista privilegiada que esta freguesia tem para o Castelo, mas este é integrante da Praia do Ribatejo.

Pode chegar ao Castelo de Almourol com uma pequena viagem de barco, partindo do cais de Tancos, ou do cais do castelo.

O castelo encerra às segundas-feiras, entre 1 de outubro e 31 de março, e as viagens de barco, de ambos os cais, incluem uma visita ao Centro de Interpretação Templário. Se for visitar Almourol com família, lembre-se que há preços especiais para grupos!

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