Viagem e Aventuras

Explore o Mundo com Gordon Ramsay

Um chef, seis destinos deliciosos: dicas de viagem na nova série da National Geographic do aventureiro gastronómico. terça-feira, 23 de julho de 2019

Por Brooke Sabin
O chef Gordon Ramsay procura inspiração nos ingredientes indígenas do Vale Sagrado do Peru.

Não é segredo para ninguém que Gordon Ramsay gosta de aventura. Mas até este chef ousado foi além da sua zona de conforto enquanto viajava à procura de inspiração culinária para as filmagens da sua nova série da National Geographic, Gordon Ramsay: Uncharted, que estreia no dia 7 de agosto às 22:10.

O britânico de 52 anos, famoso pelos seus restaurantes galardoados com estrelas Michelin e pelos programas MasterChef, trocou as cozinhas e os estúdios de televisão por “uma oportunidade única na vida para explorar e restabelecer a ligação” com as fontes dos ingredientes. Ramsay acredita na aprendizagem através da execução, e seguiu os conselhos de habitantes locais em expedições por vezes angustiantes – estar perigosamente na encosta de uma montanha, no Peru, para colher um tipo de cato que tem larvas de insetos ricas em proteínas. "Parece uma loucura", diz Ramsay, "mas é o que alguns habitantes locais fazem diariamente".

A desenvoltura e o respeito pelos ingredientes demonstrado pelas pessoas que Ramsay conheceu marcaram-no profundamente. "A comida é o pilar", diz. "A comida dá-nos uma visão real sobre a cultura de um lugar."

O conselho de Ramsay para os viajantes? Seja aventureiro e procure o que realmente define uma cultura. "E afaste-se das ruas principais." Aqui, Ramsay oferece as suas dicas de viagem para cada um dos destinos da série.

Episódio 1: Onde apanhar uma batata perfeita no Peru – 7 de agosto às 22:10
"As grandes altitudes não são brincadeira nenhuma", diz Ramsay. Até o pisco sour, uma bebida à base de aguardente de uva, considerada a bebida nacional do Peru, tem um efeito mais potente nas aldeias do Vale Sagrado. Mas a sua maior descoberta na terra dos Incas? “A incrível diversidade de batatas. São todas únicas e distintas, e são incríveis para cozinhar e comer.” De facto, estima-se que no Peru cresçam cerca de 4.000 tipos de batatas, variando da pálida papa blanca até à papa púrpura. Mas nem tudo o que é suculento tem amido. A carne seca de alpaca, diz Ramsay, é um petisco salgado muito reconfortante.
Chef destacado por Ramsay: Juan Luis Martínez, do Mérito, um restaurante em Lima que adiciona um toque venezuelano aos ingredientes peruanos

As vinhas prosperam perto da cidade de Akaroa, na Península de Banks, na Ilha do Sul da Nova Zelândia.

Episódio 2: Como ser uma estrela culinária na Nova Zelândia – 14 agosto às 22:10
“O hangi é a minha nova maneira favorita de cozinhar carne”, diz Ramsay. "Cavar um buraco, acender o lume, enterrar a carne e desfrutar de algumas horas de descanso." Este método tradicional Maori de cozinhar sobre pedras aquecidas, enterradas numa espécie de forno num buraco, tem sido transmitido de geração em geração, e o hangi ainda é usado para preparar refeições em ocasiões especiais. Ramsay também fica maravilhado com a forma como os Maori cozinham algas marinhas com criatividade – e como mantêm estas técnicas na sua cultura moderna. A enguia fumada, diz, é um dos melhores petiscos. E não se esqueça de fazer uma degustação de vinhos. "A Nova Zelândia tem alguns dos melhores vinhos locais", diz Ramsay, referindo-se às colheitas das Ilhas do Norte e do Sul – sobretudo o tropical e ácido Sauvignon Blanc de Marlborough.
Chef destacado por Ramsay: Matt Brock, do restaurante Kika, em Wanaka; é um génio com pratos sazonais ao estilo das tapas.

Episódio 3: Porque razão deve enlouquecer com os mercados em Marrocos – 21 agosto às 22:10
Quando pensamos em trufas, provavelmente imaginamos florestas em França ou em Itália. Mas estas iguarias também crescem em Marrocos, diz Ramsay, juntamente com cogumelos morchella, boletos e chanterelles. Dirija-se aos souks (mercados locais) nos bairros antigos das cidades, para comprar laranjas, verduras, carne de camelo, chá, tapetes, candeeiros de latão, cerâmica, joias, tesouros antigos e tudo o que consiga imaginar. "A almedina está cheia de coisas diversas", diz. "Podemos comprar azeitonas incríveis e um tapete no mesmo sítio." Não se esqueça de experimentar a pizza berbere, ou medfouna, massa recheada com carne, cebola e especiarias.
Chef destacado por Ramsay: Meryem Cherkaoui, do restaurante Mes’Lalla, em Marraquexe, especializado em novas interpretações de sabores locais.

Esquerda: No restaurante Lineage do Havai, na ilha de Maui, os baristas fazem um Mai Tai espetacular. Direita: A “pastilla” de amêndoas é uma forma doce de terminar uma refeição no Mes'Lalla, em Marraquexe, Marrocos.

Episódio 4: Segredos para comer bolo de banana até cair para o lado no Havai – 28 agosto às 22:10
A melhor forma de começar o dia neste arquipélago do Oceano Pacífico? "Pão de banana", diz Ramsay. “Com café da região, é o pequeno-almoço perfeito.” Embora o café de Kona, na Ilha Havai, seja o centro das atenções, o rico solo vulcânico das ilhas sustenta muitas variedades. Depois das aventuras ao ar livre repletas de cafeína, que podem incluir mergulho e caminhadas, pare para desfrutar de uma refeição. “Os restaurantes à beira da estrada servem algumas das melhores refeições”, afirma Ramsay. A escolha do chef recai sobre o frango huli-huli grelhado, devorado à beira-mar.
Chef destacado por Ramsay: Sheldon Simeon, do restaurante Lineage, em Maui, serve pratos familiares deliciosos.

Esquerda: No Laos, o rio Mekong passa por Louangphabang – Património Mundial da UNESCO. Direita: A Inkaterra Hacienda Urubamba, que faz parte da lista “Unique Lodge of the World” da National Geographic, no Vale Sagrado do Peru, faz pratos como esta salada de couve e beringela que vêm diretamente da horta.

Episódio 5: Porque razão o Rio Mekong é essencial para o Laos – 4 de setembro às 22:10
Antes do rio Mekong desaguar no Mar do Sul da China, atravessa seis nações, incluindo o Laos. Na sua primeira viagem ao país, Ramsay aprendeu que “o Mekong é a alma da comunidade. O rio não só é uma fonte de comida, como também é uma forma de chegar a todo lado.” De facto, o rio é tão importante que o seu nome em lao pode ser traduzido para “água mãe”. Ao longo das suas margens, encontramos templos históricos e florestas exuberantes – e refrescos tentadores. Mas "não beba os licores artesanais, a não ser que estejam misturados com outras bebidas", aconselha Ramsay. Prove as bananas assadas, que o chef descreve como “simples, deliciosas e um verdadeiro deleite”.
Chef destacado por Ramsay: Seng Luangrath que, com o seu restaurante Thip Khao, levou os sabores do Laos para Washington.

Durante uma cerimónia de “Regresso à Costa”, os membros do clã Tlingit da Baía de Auke cumprimentam as canoas que chegam à praia, em Juneau, no Alasca.

Episódio 6: Onde encontrar espíritos calorosos no Alasca – 11 de setembro às 22:10
Um dos momentos mais memoráveis para Ramsay aconteceu quando visitou uma comunidade Tlingit indígena. Quando o chef entrou num fumeiro familiar, reparou que uma rapariga de 12 anos estava a "entrelaçar com mestria absoluta" os intestinos de uma foca, com 7 metros de comprimento, para serem fumados e depois comidos. "Nós paramos no tempo e só pensamos, uau", diz Ramsay. "É assim que estas pessoas vão continuar a sobreviver aos invernos brutais." Mas para encontrar pratos locais que exijam um paladar menos aventureiro, Ramsay recomenda o salmão e o gin do Alasca, da Destilaria Amalga de Juneau, que tem uma sala de degustação muito animada. Os donos colhem eles próprios muitos dos ingredientes. "Obrigatório!"
Chef destacado por Ramsay: Beau Schooler, do restaurante In Bocca Al Lupo, em Juneau, serve pastas e pizzas caseiras.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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