Esta Região Francesa Vai Ser a sua Próxima Obsessão de Viagem

Em Jura, descubra vinhos, queijos e aventuras ao ar livre que proporcionam uma experiência maravilhosa longe dos destinos mais conhecidos.

Tuesday, January 7, 2020,
Por Kimberley Lovato
Em França, na cidade ribeirinha de Arbois, os viajantes podem provar vinhos locais e desfrutar de ...
Em França, na cidade ribeirinha de Arbois, os viajantes podem provar vinhos locais e desfrutar de uma gastronomia galardoada com estrelas Michelin.
Fotografia de Christian Kerber, Laif/Redux

Com uma estimativa a rondar os 89.4 milhões de visitantes internacionais em 2018, França reivindica novamente o título de país mais visitado do mundo. Será que ainda existem alguns segredos para descobrir neste cobiçado destino? Uma passagem pela região cénica de Jura, na parte este do país, mostra que oui, c’est possible!

Jura, oficialmente um departamento na grande região de Borgonha-Franco-Condado, fica situado entre a Borgonha, a oeste, e a fronteira com a Suíça, a este. Graças a uma economia que gira em torno de vinhos e queijos produzidos em vinhas e prados nas montanhas, Jura é um buffet bucólico para os amantes de gastronomia francesa. Mas também atrai aventureiros para experiências ao ar livre com os seus deslumbrantes lagos, quedas de água, vales, falésias de calcário e mais de 4.000 cavernas. Se juntarmos as aldeias históricas e os Patrimónios Mundiais da UNESCO, podemos ficar surpreendidos por não ouvirmos falar mais sobre esta região. E claro, descobrir tudo isto faz parte do seu apelo. Veja como explorar um tesouro desconhecido.

Prove o queijo local
Dos quatro queijos com designação DOP feitos em Jura, o Comté, de cor amarela esbranquiçada, é capaz de ser o mais adorado. (Os outros são o Morbier, o Mont d'Or e o Bleu de Gex.) Se quiser saber mais sobre esta preciosidade coalhada, leve a sua curiosidade e apetite até à Maison du Comté, na vila de Poligny. Aqui, tem uma visão geral interativa sobre os métodos tradicionais utilizados na produção e a influência distinta destas terras no aroma e sabor do queijo. A visita termina com uma degustação de duas variedades.

Esquerda: Na Domaine Jacques Tissot, em Arbois, o filho do fundador, Philippe, prova um dos vinhos. Direita: O restaurante Le Grand Jardin, em Baume-les-Messieurs, serve queijos feitos em Jura.
Fotografia de CHRISTIAN KERBER, LAIF/REDUX

Compre uns petiscos na Badoz Vins & Fromages, uma loja gerida por uma família de fabricantes de queijos premiados e, de seguida, faça uma das Routes du Comté que serpenteiam por prados e quintas. Algumas das quintas oferecem acomodações noturnas, como a Ferme de Fleurette, onde as pastagens estão repletas de vacas Montbéliarde, uma das duas únicas raças cujo leite é permitido na produção do queijo Comté.

Visite a loja de Édouard Hirsinger, em Arbois, para descobrir chocolates, doces e bolos deliciosos.
Fotografia de Christian Kerber, Laif/Redux

Para algumas pessoas pode ser possível viver só de queijo, mas, para um leque mais variado, visite a cidade de Arbois e descubra a Maison Jeunet, um destino de peregrinação gastronómica com duas estrelas Michelin. A taberna rústica La Finette é outro dos lugares recomendados, conhecida pelo seu fondue de queijo Comté. Na praça principal de Arbois, os vários cafés e pastelarias oferecem bons pontos para descansar, recuperar energias e absorver o cenário. E para a sobremesa, não pode perder a loja do mestre chocolateiro de quarta geração, Édouard Hirsinger, cujos bolos, tartes e chocolates estão entre os melhores de França.

Deguste vinhos invulgares
Falta algo para emparelhar todo este queijo e chocolate: o vinho da região, naturalmente. Apesar de Jura ser a região vinícola mais pequena de França, produz variedades aclamadas e surpreendentes. O vin jaune (vinho amarelo), um branco de colheita tardia feito inteiramente de uva Savagnin, é um elixir de destaque. Geralmente, na produção de vinho, os barris são cheios até cima, mas os fabricantes de vin jaune deixam um espaço de ar que permite que uma camada de fermento, chamada véu, se forme na superfície do líquido. Isto evita a oxidação adicional e melhora o sabor frutado do vinho durante o processo de envelhecimento de 6 anos. Uma garrafa de vin jaune é facilmente identificável – basta procurar a garrafa clavelin, que é mais pequena do que uma garrafa de vinho normal.

O nascer do sol sobre uma pastagem pontilhada por vacas cujo leito é utilizado na produção dos famosos queijos da região – como o Comté.
Fotografia de Christian Kerber, Laif/Redux

O centro de produção de vin jaune fica na vila de Château-Chalon e nas vinhas circundantes. Todos os anos, durante o primeiro fim de semana de fevereiro, uma vila diferente da região recebe o Percée du Vin Jaune, um festival que celebra as safras recém-engarrafadas. E os enófilos também podem descobrir vinhos tintos de variedades incomuns, como o Trousseau e o Ploussard. Em Arlay, 15 gerações da mesma família cultivam uma variedade de vinhos Jura, nas Caves Jean Bourdy, um dos domínios mais antigos da região.

Aventure-se ao ar livre
Equilibre a ingestão de vinho e queijo queimando as calorias com uma dose de exploração pelas paisagens deslumbrantes. A vasta rede de trilhos que compõem as Grandes Traversées du Jura apresenta 6 rotas diferentes, adaptadas a atividades específicas, incluindo caminhadas, percursos para bicicleta de montanha, equitação e esqui. A corrida de esqui de longa distância mais famosa de França, a Transjurassienne, é aqui realizada todos os anos em fevereiro. E na fronteira franco-suíça, as pistas de Les Rousses e de Métabief oferecem uma variedade de desportos de inverno, desde esqui alpino a caminhadas na neve.

A Saut du Doubs, uma das muitas quedas de água na região da fronteira franco-suíça, tem mais de 25 metros.
Fotografia de Christian Kerber, Laif/Redux

Descansar à beira do lago também é um passatempo muito popular durante o verão e Jura tem muitas opções disponíveis, como acontece com o lago Vouglans, onde é possível alugar barcos a pedais e canoas. Também pode fazer caminhadas impressionantes pelas quedas de água Hérisson, uma série de 7 cascatas acessíveis apenas a pé, ou descer até à caverna de estalagmites de Gouffre de Poudrey, uma “catedral subterrânea” perto da vila de Besançon. Para ver um bom exemplo dos vales planos típicos de Jura, chamados reculées, visite a vila de Baume-les-Messieurs que está rodeada de falésias escarpadas de calcário e tem uma abadia beneditina que vale a pena visitar.

Viaje no tempo
Passando por Salins-les-Bains é possível ver os enormes edifícios e chaminés das Grandes Salinas. Outrora uma mina próspera, este Património Mundial da UNESCO possui agora um museu que mostra os 1.200 anos de história e tradição da produção de sal nas montanhas de Jura. Passeie pelos túneis e veja as fornalhas que os trabalhadores abasteciam para extrair sal da água salgada dos poços subterrâneos.

Na cidade ribeirinha de Dole, a antiga sede dos duques de Borgonha e, de 1332 a 1674 a capital de Franco-Condado, encontra a Collégiale Notre-Dame, uma imponente igreja do século XVI com arte e vitrais impressionantes. Escondido numa das ruas estreitas de Dole está a casa transformada em museu – dedicado ao cientista e filho de Louis Pasteur. Uma visita revela detalhes sobre as descobertas que revolucionaram as indústrias alimentar e médica.

Direções
A partir de Paris, faça um passeio de duas horas de comboio no TGV até Dole, onde pode alugar um carro. Como a área é rural, a melhor maneira de se movimentar pela região é de carro.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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