Destinos em Ascensão Para 2021

25 Lugares incríveis para inspirar viagens futuras e para recordar-nos porque adoramos viajar.

Tuesday, November 17, 2020
Por National Geographic Staff
Uma mergulhadora explora os recifes de coral em torno da Ilha de Lord Howe

Uma mergulhadora explora os recifes de coral em torno da Ilha de Lord Howe. Esta ilha vulcânica, localizada no Mar da Tasmânia, entre a Austrália e a Nova Zelândia, tem mais de 60 locais de mergulho, incluindo a Pirâmide de Ball – o aglomerado vulcânico mais alto do mundo.

Fotografia de MELISSA FINDLEY

O MUNDO ESTÁ repleto de maravilhas – mesmo quando são difíceis de alcançar. Embora a pandemia tenha paralisado as nossas viagens, não aquietou a nossa curiosidade. Antes de começarmos um novo ano – com a promessa de um regresso às viagens – estamos ansiosos por partilhar estas 25 histórias de lugares intemporais que irão definir os nossos futuros itinerários.

Narrados pelos editores globais da National Geographic Travel e enquadrados em cinco categorias (Aventura, Cultura e História, Natureza, Família e Sustentabilidade), estes destinos superlativos apresentam comunidades resilientes, esforços de conservação inovadores e oportunidades arrebatadoras para explorações futuras.

A alegria de viajar surge do inesperado. Este é o momento para sonhar com a sua próxima viagem e estabelecer as bases para a próxima viagem. Esperamos que a nossa lista dos lugares mais importantes para o novo ano o inspire. Esperamos vê-lo pelo mundo em breve!
 

SONHE COM AVENTURAS DERRADEIRAS
Veja ursos-pardos no remoto Parque Nacional de Katmai, Alasca. Descubra montanhas, praias e quedas de água na Dominica, a ilha das Caraíbas resiliente ao clima. Caminhe por um reino de gelo azul elétrico no Parque Nacional dos Glaciares, Argentina. Termine uma caminhada escarpada com uma receção calorosa na região de alta altitude da Suanécia, na Geórgia.

Em 1912, uma erupção do vulcão Novarupta formou a caldeira e um lago na cratera, no topo do Monte Katmai. Em 2018 foi feita uma expedição com o objetivo de descobrir os vestígios da história do Parque Nacional de Katmai antes de uma grande explosão.

Fotografia de KATIE ORLINSKY, NAT GEO IMAGE COLLECTION

Parque Nacional de Katmai, Alasca 

Na sombra do vulcão

Não há estradas para Katmai. A maior parte dos quase 2 milhões de hectares deste parque nacional e reserva são considerados território selvagem, onde a caça não é permitida. A única forma de entrar na região é de barco ou hidroavião.

Para a maioria dos viajantes que visitam o parque – que mesmo antes da pandemia já eram em número limitado – Katmai é principalmente uma oportunidade para visitar um buraco de pesca com 2 quilómetros de comprimento para os ursos-pardos que, graças à Bear Cam e à Fat Bear Week, se tornou num fenómeno celebrado internacionalmente.

Para arqueólogos como Laura Stelson, que liderou uma expedição nesta região seguindo os passos de uma expedição realizada na década de 1910 financiada pela National Geographic Society, o parque também é um local para o estudo de 9000 anos de história humana. As antigas comunidades indígenas que viviam na área foram deslocadas e restabelecidas após a erupção maciça do Novarupta em 1912, a maior erupção vulcânica do século XX. Laura Stelson espera um dia encontrar a tecnologia correta para visualizar o que existe debaixo da pedra-pomes e de outras rochas que cobrem esta paisagem de outro mundo a cerca de 466 quilómetros a sudoeste de Anchorage.

“Katmai é um lugar único, com todos estes diferentes tipos de paisagens num só parque”, diz Laura. “Temos praias costeiras. Temos tundra. Temos florestas de abetos, montanhas, vulcões e um deserto estranho. Portanto, há muita diversidade ambiental e diversidade de experiências.”
 

Os amantes de vida selvagem podem nadar ao lado de cachalotes na Dominica, mas só o podem fazer com uma operadora de turismo credenciada que respeite os rigorosos protocolos de bem-estar animal.

Fotografia de FRANCO BANFI, NATUREPL.COM

DOMINICA

Turismo de aventura nas Caraíbas que ajuda a alimentar a resiliência climática desta ilha

As montanhas desgastadas que compõem a espinha dorsal da Dominica formaram um escudo natural que protegeu grande parte da ilha leste das Caraíbas, chamada Waitukubuli (“alto é o corpo dela”) pelos indígenas Kalinago, das intrusões coloniais e do desenvolvimento em excesso. Isto permitiu que uma floresta tropical frondosa e uma coleção de maravilhas naturais, capazes de satisfazer os sonhos de qualquer aventureiro, conseguissem prosperar. Esta panóplia envolve nove vulcões ativos, 365 rios, quedas de água, praias de areia negra e recursos geotérmicos escaldantes, como o Lago Boiling, uma fumarola inundada com temperaturas da água a rondar os 93 graus celsius.

O que o terreno vulcânico singular da Dominica não conseguiu travar foram as alterações climáticas globais, que estão a afetar os efeitos dos furacões. A subida da temperatura no oceano sobrecarregou o furacão Maria, cujo impacto direto na ilha em setembro de 2017 provocou deslizamentos de terras catastróficos e danificou de forma crítica quase todas as estruturas feitas pelo homem.

(Relacionado: Descubra mais aventuras incríveis na ilha dominada pela natureza.)

Depois da passagem do furacão, a natureza recuperou, os residentes reconstruíram as estruturas e o governo decidiu fazer da Dominica a primeira nação do mundo resiliente ao clima. Requer edifícios à prova de furacões, mas também uma economia diversificada, incluindo um setor de turismo que atraia mais consumidores e um sistema agrícola que cultive uma variedade de frutas e vegetais para serem consumidos localmente. O programa Cidadania Através de Investimento, que concede aos estrangeiros cidadania através de contribuições a partir de 100.000 dólares, está a financiar projetos transformadores, como casas à prova de furacões e uma fábrica de energia geotérmica. O turismo de aventura desempenha um papel fundamental no estímulo à resiliência climática, criando empregos e incentivos económicos para restaurar e proteger o maior recurso natural da Dominica – o seu lado selvagem.

O Glaciar Perito Moreno, localizado no Parque Nacional dos Glaciares da Argentina, é um dos poucos glaciares do mundo que está a crescer, em vez de diminuir. Este glaciar faz parte do Campo de Gelo do Sul da Patagónia – a terceira maior reserva de água doce do mundo.

Fotografia de JUERGEN SCHONNOP, EYEEM, GETTY IMAGES

PARQUE NACIONAL DOS GLACIARES, ARGENTINA

Caminhar sobre um reino de gelo

Ao longo das margens de águas turquesa do Lago Argentino, a cidade de El Calafate tem o nome da planta espinhosa cujas bagas infundem bebidas e cervejas regionais. Porém, a sua proximidade com o Parque Nacional dos Glaciares colocou a cidade no mapa turístico como porta de entrada para o reino de gelo no sul da Patagónia argentina.

Nesta região, perto da fronteira com o Chile, o parque de 4460 quilómetros quadrados abrange florestas subantárticas que preservam habitats de espécies como guemais, pumas, emas, condores, guanacos e a planta calafate. Mas as principais atrações são os 300 glaciares que cobrem quase metade da superfície do parque. O glaciar Perito Moreno, o mais conhecido e acessível, com quase 8 quilómetros de largura, fica quase 60 metros acima da superfície do Lago Argentino. As enormes massas de gelo que caem espetacularmente da face do glaciar emitem rugidos estrondosos. É possível caminhar pelo glaciar com equipamento adequado para encontrar quedas de água, fendas, cavernas de gelo, rios subterrâneos e formações de gelo extravagantes.

Este deserto congelado faz parte do Campo de Gelo do Sul da Patagónia, a terceira maior extensão de gelo continental do mundo, ficando apenas atrás da Antártida e da Gronelândia. Depois de explorarem os confins frígidos da Terra, os visitantes regressam a um barco que os espera no lago para celebrarem as suas aventuras com uma dose de uísque e lascas de gelo glaciar. – Erick Pinedo, Nat Geo Traveler América Latina

Rodeada pelos picos nevados da cordilheira do Cáucaso, a Suanécia abriga algumas das aldeias mais isoladas da Geórgia. Muitas das torres de vigia retratadas nesta fotografia foram construídas durante a Idade Média para proteger a região de exércitos saqueadores.

Fotografia de PUNNAWIT SUWUTTANANUN, GETTY IMAGES

REGIÃO DA SUANÉCIA, GEÓRGIA

Uma terra remota de saudações calorosas

Localizada nas sombras de cumes com 4570 metros, a região da Suanécia, nas montanhas do Cáucaso, no noroeste da Geórgia, pode parecer inacessível. Esta paisagem escarpada está repleta de torres de pedra medievais que também serviam de residência e posto de defesa. Estas fortalezas revelam uma época em que as famílias de “Svan” lutavam ferozmente para manter a posse das suas terras nas pequenas aldeias e assentamentos elevados, como Ushguli. Protegida enquanto Património Mundial da Alta Suanécia, Ushguli é uma das comunidades habitadas mais altas da Europa, a mais de 2400 metros acima do nível do mar.

Devido à sua localização remota, a cultura “Svan” evoluiu ao longo dos séculos isolada do resto das terras georgianas, desenvolvendo uma linguagem e tradições exclusivamente orais, como os rituais de barbear e disputas sangrentas. Outrora famosa pela criminalidade, a região é atualmente reconhecida pelo seu espírito acolhedor. “A Geórgia é famosa pela sua hospitalidade, mas a Suanécia tem a hospitalidade georgiana multiplicada por dez. As festas, os brindes e as bebidas alcoólicas estão na ordem do dia”, diz Michał Głombiowski, escritor de viagens polaco e fotógrafo que costuma visitar a Geórgia.

Apesar de ainda permanecer excluída dos destinos mais conhecidos, a Suanécia está agora acessível aos aventureiros mais intrépidos através da secção da Alta Suanécia do Trilho Transcaucásico, uma ambiciosa rede de trilhos de longa distância que tem como objetivo ligar a Geórgia, a Arménia e o Azerbaijão. Os caminhantes com capacidade pulmonar suficiente para enfrentar uma caminhada de quatro dias em altas altitudes, desde Mestia, a capital da região, até Ushguli, são brindados com vistas geladas de cumes serrilhados durante o dia, e saudações calorosas nas pousadas à noite. – Martyna Szczepanik, Nat Geo Traveler Polónia
 

DESCUBRA LOCAIS CULTURAIS E HISTÓRICOS
Descubra como uma história de racismo pode construir um futuro melhor em Tulsa, Oklahoma. Comemore a resiliência dos nativos nas Nações Pueblo, no Novo México. Revisite os 500 anos do legado de Fernão de Magalhães no Pacífico, em Guam. Aprecie as relíquias de uma época dourada em Gyeongju, na República da Coreia. Desfrute de uma encruzilhada cultural em Vitoria-Gasteiz, no País Basco. Veja um festival de arte numa paisagem fabulosa em Tonglu, na China.
 

Várias pessoas circulavam pelo “Mural de Black Wall Street” no distrito de Greenwood, em Tulsa, pouco depois da sua inauguração em junho de 2018. A violência racial devastou este outrora próspero distrito comercial gerido por negros, mas parece estar a surgir um renascimento cultural e económico.

Fotografia de SHANE BEVEL

TULSA, OKLAHOMA, EUA

Um ponto de encontro para debates sobre raça nos EUA

Greenwood Rising, o nome do novo centro histórico da “Black Wall Street” de Tulsa, descreve apropriadamente a onda de apoio à transformação socioeconómica sustentável no conhecido distrito de Greenwood da cidade – local de um dos piores incidentes de violência racial na história dos Estados Unidos.

No dia 31 de maio de 1921, terroristas brancos destruíram o próspero distrito de Greenwood, conhecido por “Black Wall Street”, num ataque de 18 horas, matando cerca de 300 habitantes afro-americanos e arrasando quase 35 bairros com casas e negócios geridos por negros. Para comemorar o 100º aniversário deste acontecimento – e contar a história de um distrito outrora vibrante – a Comissão Centenária do Massacre Racial de Tulsa de 1921 está a construir o Greenwood Rising (com inauguração prevista para o outono de 2021) e está realizar palestras, concertos e outros eventos especiais ao longo do ano.

Este centro histórico foi projetado para fomentar a revitalização da história de Greenwood e para confrontar e acabar com o racismo sistémico nos EUA, explica Phil Armstrong, diretor de projeto da Comissão Centenária.

“Existe um sentimento real em Tulsa e pelo resto do país de que somos muito melhores do que isto”, diz Phil. “Greenwood Rising será uma plataforma de lançamento para continuar a discussão sobre traumas raciais e reconciliação, e todo o distrito histórico será um lugar onde as pessoas podem aprender, reconhecer preconceitos e comprometerem-se pessoalmente com a realização de mudanças reais dentro das suas próprias esferas de influência.”

O único sítio nativo americano designado Património Mundial da UNESCO e Marco Histórico Nacional dos EUA, o Taos Pueblo é uma das comunidades habitadas de forma continuada mais antigas do país.

Fotografia de INGE JOHNSSON, ALAMY

NAÇÕES PUEBLO, NOVO MÉXICO, EUA

Vozes emergentes de nativos americanos no sudoeste dos EUA

No Novo México, os monumentos aos opressores dos nativos americanos – como o do conquistador espanhol Don Diego de Vargas – estão a cair, algo que alguns ativistas designam homenagem a Po’pay, o organizador da Revolta de Pueblo de 1680. A revolta expulsou os espanhóis das Nações Pueblo indígenas. Embora Espanha tenha recuperado o controlo da região em 1692, a revolta está creditada por ter garantido a sobrevivência da cultura Pueblo a longo prazo.

Uma estátua de Po’pay representa o Novo México no Centro de Visitantes do Capitólio dos EUA, em Washington D.C. Mas o legado duradouro de Po’pay é evidente nos 19 pueblos deste estado, incluindo Taos Pueblo, Património Mundial da UNESCO. Cada pueblo é uma nação soberana e uma comunidade viva com tradições distintas. O Centro Cultural dos Índios Pueblo (IPCC), em Albuquerque, é o ponto de partida para explorar os pueblos – pode começar online através de um Guia Virtual de Cultura, e em pessoa quando for seguro regressar às excursões e visitas em grupo.

Michael Lucero, diretor de experiências dos visitantes do IPCC e membro do San Felipe Pueblo, diz que os recursos do centro são “lentes” pelas quais os visitantes podem apreciar melhor a riqueza da vida em Pueblo. “Quando uma pessoa coloca os pés num pueblo, começa a unir os pontos”, diz Michael. “É aqui que nos sentimos seguros e nos ligamos com a Terra”.

Em Guam, um grupo de dança Chamoru realiza uma bênção no Cemitério Naval dos EUA, em abril de 2017.

Fotografia de CHUCK LITTLE, ALAMY

GUAM, EUA

Revisitar o legado de Fernão de Magalhães no Pacífico

O 500º aniversário da primeira circum-navegação do globo não é propriamente um motivo de celebração em Guam, território dos EUA e a maior das Ilhas Marianas. Durante uma paragem de três dias em março de 1521, o explorador português Fernão de Magalhães chacinou o povo indígena Chamoru e designou erradamente as Ilhas Marianas Islas de los Ladrones (Ilhas dos Ladrões).

Em março de 2021, uma embarcação da marinha espanhola vai fazer escala em Guam, integrada numa viagem comemorativa de reconstituição da rota mundial lançada por Magalhães em 1519 e concluída pelo navegador espanhol Juan Sebastián Elcano em 1522. Para os Chamoru da atualidade, o aniversário da expedição é uma oportunidade para contar a sua história, cujos capítulos incluem o encontro com Fernão de Magalhães, a história colonial de Guam e as realidades de se viver na região apelidada de “ponta de lança” pelos militares dos EUA no Pacífico.

A história complexa de Guam reflete-se na língua Chamoru, que contém palavras em espanhol, inglês e japonês. Os jovens Chamoru estão cada vez mais a aprender a abraçar a sua cultura, diz Michael Bevacqua, autor e ativista Chamoru.

“Chamoru é uma memória indígena”, acrescenta Michael Bevacqua, que dá aulas gratuitas desta língua austronésia e incentiva os seus companheiros Chamoru a expressarem as suas opiniões pelo futuro do estatuto político da ilha. “Para mim, poder falar Chamoru está no centro da nossa cultura e na identidade do nosso povo.”

O Palácio de Donggung tem vista para as águas serenas do Lago Wolji, em Gyeongju, na República da Coreia.

Fotografia de JOSHUA DAVENPORT, ALAMY

GYEONGJU, REPÚBLICA DA COREIA

Este antigo reino coreano ainda brilha

Nomeada Cidade Coreana da Cultura do leste asiático em 2021, Gyeongju é mais conhecida pela sua alcunha: “o museu sem paredes”. A cidade, localizada no canto sudeste da península coreana, é o lar de uma abundância surpreendente de sítios arqueológicos, graças a um reinado de quase mil anos enquanto capital do antigo reino coreano de Silla (57 a.C. a 935 d.C.).

Protegidas enquanto Património Mundial da UNESCO, as Áreas Históricas de Gyeongju são uma coleção cativante de arte budista de uma época dourada. Entre estes tesouros encontramos ruínas de templos e palácios, pagodes de pedra, esculturas de pedra, uma estátua soberba de Buda do século VIII e cerca de 150 túmulos da nobreza Silla, alguns com mais de 20 metros de altura.

Coroas de ouro, prata e bronze dourado, joias e outros artefactos brilhantes escavados dos túmulos estão em exibição na exposição “Silla, o Reino do Ouro” do Museu Nacional de Gyeongju. Faça uma visita virtual pelo salão de exposições para ver os estilos de vida luxuosos da realeza de Silla. –Bo-yeon Lim, Nat Geo Traveler Coreia

A elegante Plaza Nueva (ou Plaza de España) é um ponto de encontro central na capital basca de Vitoria-Gasteiz.

Fotografia de FRANCESCO BONINO, SHUTTERSTOCK

VITORIA-GASTEIZ, PAÍS BASCO, ESPANHA

Jazz e lendas na capital da cultura basca

No interior de um País Basco rico em tradição, uma cidade de Espanha reivindica a coroa cultural. Vitória, também conhecida pelo nome basco de Gasteiz, foi historicamente uma encruzilhada comercial e cultural devido à sua posição privilegiada na rota mais curta entre o reino medieval de Castela e o norte da Europa.

Agora, os habitantes da cidade continuam a tradição de acolher influências externas ao receberem artistas de jazz emergentes e outros já conceituados – como o trompetista Wynton Marsalis, cujo álbum Vitoria Suite homenageia esta cidade – durante o Festival Internacional de Jazz de Vitoria-Gasteiz que se realiza em julho. Uma estátua de bronze que homenageia Wynton Marsalis está nos jardins do Parque La Florida, o pulmão verde da cidade e parte de um anel de parques que oferece mais metros quadrados de área verde por habitante do que qualquer outra cidade espanhola. Os esforços de conservação de natureza urbana, juntamente com um compromisso com meios de transporte sustentáveis – grande parte da população viaja de bicicleta ou de elétrico – valeu a Vitoria-Gasteiz o título de Capital Verde da Europa em 2012.

(Relacionado: Como o povo basco se transformou numa comunidade autónoma.)

Os habitantes desta cidade, amigos do planeta, são igualmente apaixonados pela preservação das tradições, sobretudo no bairro histórico. A majestosidade gótica da Catedral de Santa María fica no topo de uma colina com vista para este bairro centenário. Nas ruas que têm os nomes de guildas de artesãos medievais, os habitantes locais enchem os bares e restaurantes, degustando a versão basca das tapas, conhecida por pintxo. Uma praça no extremo sul da cidade velha é o local onde todos os meses de agosto uma celebração invulgar homenageia a padroeira da cidade – e a praça homónima – la Virgen Blanca. Durante o festival, uma multidão reúne-se nesta praça para assistir a uma efígie de um habitante basco, conhecido por Celedón, que desce rapidamente por uma tirolesa com o seu guarda-chuva aberto para dar início às festividades. Quando acaba de descer, Celedón “transforma-se” como que por magia numa pessoa real que incentiva a multidão a desfrutar da festa. –Sergi Ramis, Viajes National Geographic (Espanha)

A pitoresca zona rural de Tonglu inspirou artistas e escritores chineses durante séculos, incluindo o famoso pintor Huang Gongwang.

Fotografia de ANDY BRANDL, GETTY IMAGES

TONGLU, CHINA

Uma paisagem chinesa que ficou famosa em pinturas organiza o seu primeiro festival de arte

Concluída em 1350, a pintura “Habitação nas Montanhas Fuchun” é um marco no shanshui tradicional chinês, ou pintura de paisagens – que oferece uma viagem visual fluida ao longo do rio Fuchun e pelas suas montanhas através de uma tela que, quando completamente aberta, tem mais de seis metros de comprimento.

O pintor Huang Gongwang, um dos Quatro Mestres da dinastia Yuan, viveu em reclusão ao longo do rio Fuchun, em Tonglu, durante três anos, antes de concluir esta obra-prima em pergaminho. Desde então, a tranquila Tonglu – situada nas montanhas do leste da província de Zhejiang, a cerca de 270 quilómetros a sudoeste de Xangai – tem sido uma fonte de inspiração para gerações de artistas e escritores chineses.

Em 2021, Tonglu estará novamente no centro das atenções do mundo da arte. A primeira Trienal de Arte de Tonglu, originalmente agendada para o outono de 2020 e adiada devido à pandemia para a primavera de 2021, vai exibir instalações de arte moderna ao longo do rio – com a esperança de impulsionar o turismo rural. O curador e diretor do festival, Fram Kitagawa, fundador da Trienal de Arte Echigo-Tsumari do Japão, diz que a própria palavra “Tonglu” representa o espírito do evento.

Fram Kitagawa explica: “Nesta época do ano, a névoa do rio Fuchun entrelaça-se com as nuvens nas montanhas, algo que é muito semelhante à pintura de paisagens chinesa que conheci quando era jovem”. –Yi Lu, Nat Geo Traveler China
 

EXPLORE LUGARES SELVAGENS MARAVILHOSOS
Fique atento aos lobos e aos alces num parque nacional na Ilha Royale do Michigan. Imagine-se num Parque Jurássico entre as savanas do Cerrado, no Brasil. Vagueie pelo “último paraíso” da Ilha de Lord Howe, reconhecida pela UNESCO, na Austrália. Maravilhe-se com a aurora boreal em Yellowknife, no Canadá.

Um alce fêmea atravessa um lago no Parque Nacional de Isle Royale, no Michigan.

Fotografia de JIM BRANDENBURG, MINDEN PICTURES, NATIONAL GEOGRAPHIC

ILHA ROYALE, MICHIGAN, EUA

Lobos e alces vagueiam por este parque nacional pouco conhecido nos EUA

A natureza é livre na Ilha Royale do Michigan, o segredo mais bem guardado de um parque nacional no canto noroeste do Lago Superior. Esta ilha selvagem com 72 quilómetros de extensão fica a apenas 28 quilómetros da costa nordeste do Minnesota, mas o nevoeiro frequente, as tempestades violentas e as águas agitadas podem fazer com que pareça mais remota do que qualquer outro lugar.

Para além dos inúmeros naufrágios que provocaram desde finais do século XIX até ao início do século XX, as águas perigosas que rodeiam a Ilha Royale também moldaram um ecossistema singular. O parque tem apenas 18 espécies de mamíferos (em comparação com as mais de 40 que existem no continente), muitas delas descendentes de animais resistentes que conseguiam nadar até à ilha no verão, ou atravessar o lago congelado durante o inverno.

Desde 1958 que os cientistas observam os residentes mais famosos da Ilha Royale, lobos e alces, no estudo entre predador-presa mais longo do mundo. Em 2018, quando restavam apenas dois lobos, um plano de realocação plurianual começou a restaurar a população de lobos, ajudando a manter o número de alces sob controlo e aumentando a resiliência de todo o ecossistema.

Os avistamentos de alces são frequentes, assim como os chamamentos assustadores das aves mobelha. Menos avistados ou escutados são os humanos. O isolamento e a solidão desta ilha atraem maioritariamente caminhantes experientes, praticantes de caiaque e canoístas que chegam equipados para navegar pela inóspita Chain of Lakes da Ilha Royale.

O Cerrado do Brasil, a maior savana da América do Sul, é um paraíso para o tatu Dasypus septemcinctus e para centenas de outras espécies.

Fotografia de PETE OXFORD, MINDEN PICTURES, NATGEO IMAGE COLLECTION

CERRADO, BRASIL

Esta região brasileira pode ser o que temos mais próximo de um 'Parque Jurássico'

As vitórias ambientais na Amazónia brasileira nem sempre são boas para o Cerrado, o seu bioma vizinho menos conhecido. O Cerrado, a maior savana da América do Sul, cobre quase um quarto da superfície terrestre do Brasil e tem uma biodiversidade extraordinária. Mas está cada vez mais vulnerável à desflorestação devido ao cultivo de soja e às atividades pecuárias que saíram da Amazónia. Só na última década foram destruídos mais de 100.000 quilómetros quadrados de floresta no Cerrado.

A Campanha Brasileira de Defesa do Cerrado (“Sem savana, sem água, sem vida”) está a soar os alarmes sobre a necessidade urgente de se salvar este país das maravilhas em perigo de extinção. Muitos dos principais rios da América do Sul – incluindo o rio São Francisco, Paraná-Paraguai e Tocantins-Araguaia – começam aqui, e 5% das plantas e animais do planeta também se encontram nesta região.

A estonteante variedade de vida do Cerrado inclui mais de 10.000 espécies de plantas (quase metade das quais não existe noutro local) e criaturas do tamanho das do Parque Jurássico: antas semelhantes a javalis que podem atingir os 290 quilos; tatus gigantes raros que pesam até 50 quilos; e papa-formigas gigantes ameaçados de extinção no Brasil que podem pesar mais de 45 quilos. Igualmente descomunal é uma palmeira gigante chamada buriti, local de nidificação de algumas das mais de 850 espécies de aves e principal fonte de alimento para muitas das outras criaturas selvagens que habitam o Cerrado.

O Monte Lidgbird eleva-se sobre uma lagoa na Ilha de Lord Howe, na Austrália. Só são permitidos 400 visitantes de cada vez para desfrutar das maravilhas naturais deste Património Mundial da UNESCO.

Fotografia de PETER UNGER, GETTY IMAGES

ILHA DE LORD HOWE, AUSTRÁLIA

O “último paraíso” no Mar da Tasmânia

O facto de ficar longe das rotas para qualquer lugar ajudou a Ilha de Lord Howe, uma pequena ilha no Mar da Tasmânia, a permanecer livre de humanos até ao século XVIII. Hoje, são permitidos apenas 400 visitantes (um pouco mais do que a sua população permanente) a qualquer momento do ano na ilha, ajudando a proteger um dos ecossistemas mais isolados da Terra – um ecossistema que os habitantes locais chamam apropriadamente “último paraíso”.

Apesar de ter menos de 12 quilómetros de comprimento e pouco mais de 1600 metros na sua largura máxima, Lord Howe é a maior de uma cadeia de ilhas homónimas, classificadas Património Mundial, remanescentes de um vulcão subaquático que entrou em erupção há milhões de anos. Em torno da ilha está o Parque Marinho da Ilha de Lord Howe, lar dos recifes de coral mais austrais do planeta, mais de 500 espécies de peixes e várias espécies marinhas protegidas e ameaçadas, incluindo o tubarão-baleia, o grande tubarão-branco e a tartaruga-de-pente.

O Programa Protecting Paradise da ilha tem uma abordagem holística à biossegurança, contando com a ajuda de voluntários da comunidade e de novas tecnologias para remover espécies invasoras destrutivas (mais recentemente roedores) e proteger espécies endémicas como o Dryococelus australis da Ilha de Lord Howe, ou "salsicha ambulante", uma espécie de inseto que se pensava extinta até 2001.

Uma aurora boreal nos céus de Yellowknife, a capital dos Territórios do Noroeste do Canadá.

Fotografia de SEONG-WON JANG, EYEEM, GETTY IMAGES

YELLOWKNIFE, TERRITÓRIOS DO NOROESTE, CANADÁ

Nesta região, a aurora boreal brilha 240 noites por ano

A história de Yellowknife, capital dos Territórios do Noroeste do Canadá, parece um romance de aventura. Situada na orla do Ártico, nas margens do Grande Lago do Escravo, e cercada por taiga selvagem, esta cidade com 20.000 habitantes surgiu na década de 1930, quando se descobriu ouro na região.

A mineração de ouro foi a indústria principal de Yellowknife durante décadas, e quando a última das minas de ouro foi encerrada em 2004, a cidade já estava dedicada à mineração de diamantes: em 1991, um dos mais ricos depósitos de diamantes da Terra foi aqui encontrado por geólogos.

O povo Dene administrou e percorreu estes terrenos durante milhares de anos. Hoje, face aos desafios globais como a COVID-19, alterações climáticas e degradação ambiental, os Dene encontram liberdade na terra, diz Catherine Lafferty, da Nação Dene de Yellowknife, cujo livro mais recente, Land-Water-Sky/Ndè-Tı -Yat'a, é o primeiro escrito com o seu nome na língua Dene – Katłıà.

“Percorrer estes terrenos é uma forma de encontrar paz e descanso, uma forma de nos ligarmos novamente e sarar”, diz Catherine Lafferty, que foi criada em Yellowknife e escreve sobre as injustiças sofridas pelos indígenas no norte do Canadá. “A terra ajuda-nos a lembrar o que é importante. É aqui que podemos encontrar felicidade na simplicidade dos dons da natureza.”

Os futuros visitantes de Yellowknife podem experimentar alguns destes dons durante as noites iluminadas pela aurora boreal, que cintila sobre as florestas boreais e inúmeros lagos nos arredores da cidade. – Ondřej Formanek, Nat Geo Traveler República Checa

 

PLANEIE UMA VIAGEM ESPETACULAR EM FAMÍLIA 
Aprenda sobre 10.000 anos de história cultural na Colúmbia Britânica Indígena, no Canadá. Alcance as estrelas na Costa Espacial da Flórida. Passeie pelo trilho de caminhada à beira-mar mais longo do mundo no Trilho da Costa de Inglaterra. Observe vaqueiros tradicionais em ação nos pântanos e prados de Hortobágy, na Hungria. Encontre um lugar de sonho na vida real sob os encantos da Transilvânia, na Roménia.

Os totens no Parque Stanley de Vancouver estão carregados de simbolismo para vários povos das Primeiras Nações da costa oeste da Colúmbia Britânica. Cada escultura refere-se a um evento mítico ou real.

Fotografia de ANDREW (CHUNGHO) KIM, ALAMY

COLÚMBIA BRITÂNICA INDÍGENA, CANADÁ

Onde a natureza e as Primeiras Nações se unem

A Colúmbia Britânica, a província mais ocidental do Canadá, é o lar de mais de 200 nações distintas. Com os atuais movimentos de reconhecimento racial, aprender sobre os indígenas da Colúmbia Britânica é um bom ponto de partida para conversar com as crianças sobre questões oportunas, como apropriação cultural e estereótipos raciais.

Com uma história indígena que abrange mais de 10.000 anos, esta província é o lugar perfeito para embarcar em experiências autênticas oferecidas pelas comunidades indígenas das nações Inuit e Métis. Vancouver e a Ilha de Vancouver estão entre os lugares mais convenientes para se aprender sobre a cultura indígena. A ilha tem mais de 45 nações e a cidade oferece algumas opções urbanas para crianças, como a caminhada “Árvores Falantes” da Talaysay Tours no Parque Stanley.

Durante uma caminhada de 90 minutos pela floresta, os embaixadores culturais Squamish e Shíshálh partilham o conhecimento transmitido entre gerações para ajudar os visitantes a compreender como é que os povos das Primeiras Nações no sul da Colúmbia Britânica usam a terra para obter alimentos, medicamentos e tecnologia.

“Não olhamos para nós como estando separados da terra”, diz Candace Campo, coproprietária da Talaysay Tours e membro da Nação Shíshálh. Candace explica que, na língua Shíshálh, há um ditado que diz que "Nuchutmulh, significa 'somos um' e ligados a todas as coisas vivas”. 

O Rocket Garden no Complexo de Visitantes do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida, inclui os foguetões Saturn, Juno e Mercury-Redstone.

Fotografia de ROBERT ORMEROD

COSTA ESPACIAL, FLÓRIDA, EUA

Uma plataforma de lançamento para o céu e para as águas mais abaixo

Com todos os sistemas prontos para os astronautas americanos entrarem em órbita através do novo programa de Tripulação Comercial da NASA, a costa atlântica da Flórida, no leste de Orlando, está novamente no centro da exploração espacial. Este trecho de 115 quilómetros, conhecido por “Costa Espacial”, inclui plataformas de lançamento na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral e no Centro Espacial Kennedy da NASA.

No Centro de Visitantes do Centro Espacial Kennedy (aberto com restrições devido à COVID-19), as famílias podem assistir aos lançamentos programados das naves SpaceX e Boeing, e caminhar entre foguetões com mais de 30 metros de altura. Um tipo diferente de gigante, o enorme manatim das Índias Ocidentais, navega pelas águas do Refúgio Nacional de Vida Selvagem da Ilha Merritt, em torno do Centro Espacial.

A empresa de turismo Florida Adventurer organiza passeios de caiaque neste refúgio com 56.000 hectares. Durante o dia, os canoístas desfrutam de vislumbres de manatins e golfinhos. À noite (de junho a setembro, ou mais tarde), a Lagoa Indian River do refúgio apresenta um espetáculo subaquático sobrenatural, conhecido por bioluminescência, cortesia de milhares de milhões de organismos de plâncton que emitem luz.

“Nos passeios de bioluminescência, as crianças veem a luz a ziguezaguear em todas as direções debaixo de água”, diz Josh Myers, proprietário da Florida Adventurer. “Durante o dia, um manatim pode aparecer ao lado do nosso caiaque e esguichar água para cima de nós. Estes momentos são inspiradores para as crianças, incentivando-as a aprender mais sobre o que vive na água”. –Ivan Vasin, Nat Geo Traveler Rússia

Em 2021, quando estiver concluído, o Trilho da Costa de Inglaterra vai ligar trechos já existentes, como o Trilho da Costa Sudoeste (na costa atlântica da Cornualha, aqui fotografada), com trilhos que foram criados recentemente para englobarem um trilho pela costa com 4500 quilómetros.

Fotografia de SEBASTIAN WASEK, SIME, ESTOCK PHOTO

TRILHO DA COSTA DE INGLATERRA, REINO UNIDO

Uma caminhada épica para recordar

Um empreendimento colossal irá dar frutos em 2021, quando o Trilho da Costa de Inglaterra – o trilho para caminhadas à beira-mar mais longo do mundo, que se estende ao longo de quase 4500 quilómetros – for revelado na sua totalidade.

Como é que uma nação relativamente pequena consegue competir por este título global? A resposta está na geografia de Inglaterra: se observarmos atentamente um mapa do Reino Unido, iremos ver que a terra encontra a água num ziguezague irregular de estuários, enseadas e promontórios. Esta paisagem marítima acidentada – repleta de enseadas secretas, penhascos varridos pelo vento e cidades portuárias acolhedoras – foi crucial para moldar o destino e o caráter desta nação. E o novo Trilho da Costa de Inglaterra visa levar esse valioso património às pessoas e, dessa forma, proteger a paisagem para as gerações futuras.

Embora este projeto tenha sido parcialmente inspirado pela abertura em 2012 do Trilho da Costa do País de Gales – com 1400 quilómetros – Inglaterra tem uma longa história de caminhadas pela costa. Na década de 1970, o Trilho da Costa Sudoeste, com 1000 quilómetros, foi estabelecido como Trilho Nacional. O Trilho da Costa de Inglaterra absorve estes trechos já existentes e criou dezenas de outros a partir do zero, para englobar um total de 67 secções. Os proprietários de terrenos, habitantes e conservacionistas foram consultados para promulgar de forma harmoniosa a decisão histórica tomada em 2009 que, pela primeira vez, abriu legalmente toda a costa de Inglaterra ao público.

Cada segmento de costa tem um caráter diferente. Enquanto que alguns trechos oferecem paisagens rurais intocadas, outros foram cuidadosamente elaborados. Agendado para abrir no início de 2021 no noroeste do país, o segmento de 65 quilómetros apelidado “Costa Oculta de Cumbria”, que vai desde Whitehaven até Millom, é pontilhado por instalações de arte e atividades repletas de adrenalina. Entretanto, no sudeste, um trilho batizado de “Costa Criativa de Inglaterra” faz a ligação entre obras de arte e oferece um passeio de geocaching através de Sussex, Kent e Essex. – Maria Pieri, Nat Geo Traveller Reino Unido

Um csikós húngaro (um pastor tradicional de cavalos) mostra as suas habilidades equestres no Parque Nacional de Hortobágy.

Fotografia de PLINTHPICS, ALAMY

HORTOBÁGY, HUNGRIA

Vaqueiros e garças nas vastas planícies da Europa

Os espaços amplos do Parque Nacional de Hortobágy são feitos naturalmente para o distanciamento social. Cobrindo quase 80.000 hectares da Grande Planície Húngara, no leste da Hungria, este extenso Património Mundial preserva a maior pastagem nativa da Europa, bem como tradições pastorais com milhares de anos.

A pobreza do solo para a agricultura ajudou a manter intacto o mosaico de pântanos alcalinos, prados, pastagens e vegetação das estepes de Hortobágy. Livre das aragens e de um desenvolvimento significativo, esta puszta (terra árida) floresceu. O rico ecossistema daqui resultante, protegido desde 1973, fornece habitats críticos para cerca de 340 espécies de pássaros, incluindo dezenas de milhares de aves migratórias, como gansos-bravos e garças, que tornam o parque num dos melhores locais de observação de aves da Europa Central.

Mas Hortobágy não acolhe apenas aves. Algumas centenas de pastores e vaqueiros, chamados csikós, ainda vagueiam pela vegetação ondulada, oferecendo um vislumbre raro das tradições centenárias da pecuária da região. Os passeios em carruagens puxadas por cavalos revelam pastores com os seus cães puli, uma antiga raça húngara com uma pelagem que parece uma esfregona, e ovelhas racka, famosas pelos seus chifres em forma de saca-rolhas. Os passeios costumam apresentar demonstrações emocionantes de vaqueiros com cavalos – como galopar de pé sobre dois cavalos – feitas por csikós ousados com as suas roupas folclóricas tradicionais de tons azuis e negros.

Hortobágy também acolhe uma das maiores populações de cavalos Przewalski, animais em perigo de extinção, a última subespécie sobrevivente dos cavalos selvagens. Cerca de 300 cavalos Przewalski vagueiam pela Reserva Pentezug do parque. Embora a reserva não esteja aberta ao público, há um passeio de safari complementar pelo Parque de Animais Selvagens de Hortobágy que passa perto destes animais – habitantes indomados do oeste selvagem da Hungria. – Tamás Vitray, Nat Geo Traveler Hungria

Fundada em 1211, a cidade de Brasov é a porta entrada para prados de flores silvestres e para as montanhas arborizadas da Transilvânia rural.

Fotografia de ALEXANDER SPATARI, GETTY IMAGES

TRANSILVÂNIA, ROMÉNIA

Desvende a realidade numa terra famosa pela fantasia

Um dos efeitos secundários de Drácula – o romance gótico de terror do irlandês Bram Stoker – foi ter transformado a Transilvânia, uma região romena perfeitamente real, num reino mítico, “um local amaldiçoado desta terra amaldiçoada onde o diabo e as suas crianças ainda deambulam com pés terrenos”, como disse o escritor.

Mas, como Bram Stoker nunca tinha visto este lugar com os seus próprios olhos, compilou engenhosamente informações para o seu romance de 1897 a partir de livros escritos por escritores de viagem britânicos. E acertou em alguns detalhes: os “bifes de ladrão” (espetadas de carne grelhada chamadas rablóhús), o prato nacional mămăligă (papas de farinha de milho); o vinho doce Golden Mediasch; as descrições das roupas folclóricas; os cruzamentos à beira da estrada; e a mistura culturalmente complicada de magiares, saxões, sículos e valáquios.

O que Bram Stoker errou foi exatamente aquilo pelo qual a Transilvânia devia ser conhecida: a sua sensação pastoral da velha Europa. A cosmopolita Cluj é a porta de entrada para os prados de flores silvestres da Transilvânia, castelos de contos de fadas e aldeias com ruas em paralelepípedo. Para as famílias cada vez mais presas à tecnologia, uma futura estadia numa das quintas da região seria uma oportunidade para desligar do mundo virtual, para passar o tempo a viajar numa carroça puxada por cavalos, para caminhar nas montanhas arborizadas dos Cárpatos e participar em tarefas como ordenhar ovelhas, recolher ovos e empilhar montes de feno.

Os encantos bucólicos da Transilvânia há muito que cativam o Príncipe de Gales, cuja fundação financia os projetos de preservação do património arquitetónico local. “É a vertente intemporal que é tão notável”, diz o príncipe no documentário de viagens Wild Carpathia, “parece que saiu de algumas das histórias que se costumava ler quando éramos crianças”. – Catalin Gruia, Nat Geo Traveler Roménia
 

ADOTE VIAGENS SUSTENTÁVEIS
Pedale pelas ruas da cidade “ecológica gigante” de Denver, no Colorado. Mergulhe num antigo naufrágio no museu subaquático de Alonissos, na Grécia. Procure vida selvagem em terra e no mar dos 13 parques nacionais do Gabão. Conheça mamíferos marinhos nos recifes intocados da Nova Caledónia. Visite a “eco-chique” Copenhaga, na Dinamarca. Adote a sustentabilidade na cidade ecológica de Friburgo, na Alemanha.

Um grupo tradicional de bailarinos astecas atua durante o Crush Walls 2019, um festival de artes de rua muito conhecido em Denver, no Colorado. Originária do México central, esta dança homenageia os antepassados e representa as diferentes relações com a terra, com os animais, com o tempo e as tradições.

Fotografia de REBECCA STUMPF

DENVER, COLORADO, EUA

Uma cidade ecológica gigante no oeste americano

Apesar dos desafios financeiros relacionados com a COVID-19, Denver está a progredir na sua meta para atingir os 100% em eletricidade renovável até 2030. Entre as iniciativas mais avançadas estão os 200 quilómetros de novas ciclovias e jardins solares que vão ser “plantados” nos parques de estacionamento municipais, telhados e terrenos baldios em 2021.

“Os investimentos na economia de energia limpa de Denver vão fortalecer a nossa comunidade e abordar várias preocupações, incluindo a nossa pegada de carbono”, diz Grace Rink, diretora executiva do Gabinete de Ação Climática, Sustentabilidade e Resiliência de Denver. Juntamente com a produção de energia limpa para edifícios públicos, estações de recarga para veículos elétricos e bairros com rendas acessíveis, os jardins solares vão gerar emprego e um programa de formação pago durante a sua construção.

A união entre ação climática, sustentabilidade, prosperidade económica e justiça social ajudou Denver a obter a cobiçada Certificação Platina das Cidades LEED. Para incentivar os proprietários de negócios a juntarem-se a este esforço, colocando soluções ecológicas em funcionamento, a capital do Colorado oferece planos gratuitos de sustentabilidade personalizados através do programa Certifiably Green Denver. Graças a este programa, quase 2000 empresários de Denver estão a criar operações mais ecológicas e eficientes, operações que usam menos água, menos energia e que produzem menos poluição do ar e resíduos.

“Temos a sorte de viver neste lugar maravilhoso”, diz Adam Schlegel, cofundador do Chook, um restaurante do programa Certifiably Green que defende práticas alimentares sustentáveis, “e com esta sorte vem a responsabilidade de o proteger.”

Mergulhadores exploram uma abundância de ânforas de um naufrágio do século V a.C. – o primeiro a ser aberto ao público na Grécia – no Parque Nacional Marinho de Alonissos e Espórades do Norte.

Fotografia de ELENA BECATOROS, AP

ALONISSOS, GRÉCIA

Refúgio mediterrânico para focas – e para um mergulho profundo em naufrágios da antiguidade

Chamado “Panteão dos Naufrágios”, o primeiro museu subaquático recentemente inaugurado na Grécia está acessível a mergulhadores recreativos e apresenta os destroços misteriosos do antigo naufrágio de Peristera. Localizado por baixo da superfície do Parque Nacional Marinho de Alonissos e Espórades do Norte, acredita-se que este sítio arqueológico contém a carga de uma enorme barca ateniense que se afundou no século V a.C. Limitar a atividade humana no parque marinho de 226 hectares – estabelecido em 1992, sobretudo para salvar a ameaçada foca-monge do Mediterrâneo – ajudou a manter os saqueadores de artefactos arqueológicos à distância, preservando o local do naufrágio e a sua abundância de ânforas de vinho.

Para explorar o museu submerso em pessoa, é preciso mergulhar a profundidades de 24 metros ou mais numa visita guiada (a reabertura está programada para o verão de 2021). Também pode visitar o centro de informações na pequena ilha de Alonissos e embarcar numa visita de realidade virtual pelos destroços – não é preciso nadar. –Lakshmi Sankaran, Nat Geo Traveler Índia

Desde 2005, o Projeto Gorila Loango tem habituado os gorilas-ocidentais-das-terras-baixas aos humanos para fins de investigação e ecoturismo no Parque Nacional de Loango, no Gabão.

Fotografia de MARTIN HARVEY, GETTY IMAGES

GABÃO

Mais de 11% deste país africano é um parque nacional

Elefantes e hipopótamos caminham tranquilamente pelas praias do Gabão – “o último éden de África”, de acordo com Mike Fay, explorador da National Geographic – onde mais de 11% do país é um parque nacional que engloba costas de areia branca e florestas.

Os 13 parques nacionais do Gabão não são todos de acesso fácil. Mas o Parque Nacional de Loango oferece por si só uma variedade de paisagens, vegetação e vida selvagem, assim como a Loango Lodge, que fica à beira-mar. Um dos destaques deste parque notável é o encontro com gorilas-ocidentais-das-terras-baixas, uma espécie em perigo crítico de extinção. Diariamente, um grupo com o máximo de quatro pessoas pode tentar encontrar estes gorilas, sem garantias de sucesso. Em Pongara, um dos cinco parques nacionais que protegem um habitat importante de tartarugas marinhas, a Pongara Lodge oferece, de novembro a março, observações aproximadas de tartarugas-de-couro – animais em perigo crítico de extinção – e, entre junho e agosto, observação de migrações de baleias e golfinhos.

Graças a um investimento global nas redes de transportes do país, espera-se que uma visita ao Gabão – onde 80% da massa terrestre ainda está coberta por floresta – se torne mais fácil no futuro. Uma estratégia de desenvolvimento sustentável também promete expandir o ecoturismo de forma responsável, ajudando a garantir que os lugares mais selvagens deste país permanecem selvagens. –Barbera Bosma, Nat Geo Traveler Países Baixos

As águas cristalinas da Nova Caledónia abrigam mais de 9000 espécies marinhas, incluindo raias.

Fotografia de CHRIS HOARE, EYEEM, GETTY IMAGES

NOVA CALEDÓNIA

Onde a vida marinha se diverte no sul do Pacífico

Baleias-jubarte, tartarugas-verdes, dugongos – todos se reúnem nas águas acolhedoras da Nova Caledónia. Este território francês engloba um grupo de ilhas dispostas como se fossem joias no sudoeste do Oceano Pacífico, a cerca de 1200 quilómetros da costa leste da Austrália.

Consideradas Património Mundial da UNESCO em 2008, as lagoas da Nova Caledónia representam um dos sistemas de recifes mais extensos do mundo, com águas cristalinas e mais de 9000 espécies marinhas. Em 2014, o governo criou o Parque Natural Coral Sea, com 1300 milhões de quilómetros quadrados, que se estende muito para além do local designado pela UNESCO. Christophe Chevillon, gestor sénior do Pew Bertarelli Ocean Legacy, diz que o estabelecimento do parque foi “uma etapa notável e crucial para a conservação das águas da Nova Caledónia, bem como para a proteção dos últimos recifes virgens do mundo”.

Agora, este território deu mais passos para garantir a sustentabilidade do seu santuário marinho único. A pesca, as embarcações com mais de 200 passageiros e os desportos náuticos não são permitidos em grandes áreas do parque, e algumas áreas estão interditas a quaisquer atividades humanas, exceto para investigações científicas. Na ilha de Lifou, uma quinta de corais vai restaurar os recifes danificados pelo turismo feito no passado.

Em terra, o governo está a promover o ecoturismo e uma nova lei para o plástico que visa proibir todos os plásticos descartáveis até 2022. O turismo é estritamente regulamentado nos parques das províncias, e o Parque Giant Fern – um local imperdível na floresta tropical da ilha principal – está dividido em zonas para caminhadas e ciclismo, enquanto que outras zonas estão reservadas para a natureza. –Marie-Amélie Carpio, Nat Geo Traveler França

CopenHill, considerada uma das fábricas mais ecológicas de transformação de resíduos em energia do mundo, também funciona como pista de esqui e trilho de caminhadas durante o ano inteiro em Copenhaga, que se quer tornar na primeira cidade neutra em carbono até 2025.

Fotografia de LUCA LOCATELLI, NATIONAL GEOGRAPHIC

COPENHAGA, DINAMARCA

Uma capital cosmopolita que cria soluções sustentáveis que compensam

As desigualdades generalizadas que foram colocadas a nu pela pandemia de COVID-19 despertaram o interesse global em tornar as cidades mais resilientes, equitativas e saudáveis. Por outras palavras, uma cidade como Copenhaga, que está a caminho de se tornar na primeira capital do mundo neutra em carbono até 2025.

“Em Copenhaga, insistimos em soluções ecológicas porque compensam”, diz o presidente da câmara da cidade, Frank Jensen, em We Have the Power to Move the World, o guia de transportes sustentáveis produzido pela C40, uma rede de cidades comprometidas em combater as alterações climáticas.

“A transformação ecológica de Copenhaga anda de mãos dadas com a criação de emprego, crescimento económico e uma melhor qualidade de vida”, afirma o presidente.

A capital da Dinamarca persegue a sustentabilidade há muito tempo. A cidade possui uma rede de transportes públicos muito eficiente, e todos os seus autocarros estão a fazer a transição de gasóleo para eletricidade.

CopenHill, uma fábrica que transforma resíduos em energia e que queima 70 toneladas de resíduos por hora, produz energia limpa para 60.000 famílias, enquanto fornece aquecimento para 120.000 lares. Em 2019, a CopenHill abriu ao público as suas áreas de lazer ao ar livre: um espaço verde no telhado que inclui trilhos para caminhadas, uma pista de esqui e snowboard aberta o ano inteiro, e uma parede de escalada com uma fachada de blocos empilhados.

O planeamento urbano amigo do planeta – como a rede de ciclovias que mais de 60% dos habitantes usam para ir todos os dias de bicicleta para o trabalho ou para a escola – faz com que Copenhaga tenha cinco vezes mais bicicletas do que automóveis. Um passeio numa bicicleta elétrica leva-nos facilmente aos lugares mais conhecidos da cidade, desde Nyhavn, um antigo porto industrial agora repleto de restaurantes e bares, a Rundetaarn, um observatório astronómico do século XVII que também organiza exposições. Não é por isso de surpreender que uma Copenhaga centrada nas bicicletas tenha sido escolhida para receber a Grande Partida da Tour de France (Volta à França) em julho de 2022. –Marco Cattaneo, Nat Geo Traveler Itália

A vibrante cidade universitária alemã de Friburgo organiza semanalmente um mercado de agricultura em frente à sua catedral histórica, e implementa uma série de boas práticas de vida sustentável.

Fotografia de REINHARD SCHMID, HUBER, ESTOCK PHOTO

FRIBURGO, ALEMANHA

Esta cidade universitária alemã está a ensinar ao mundo as melhores práticas ecológicas

Um dos cinco grandes ducados da Alemanha medieval, a região histórica de Suábia estende-se ao longo de partes do sudoeste da Alemanha, leste da Suíça e nordeste de França. Os “suábios” têm a reputação de serem engenhosos, poupados e criativos; não é portanto de admirar que os habitantes da vibrante cidade universitária da região, Friburgo, adotem prontamente uma vida sustentável.

Conhecida maioritariamente por ser a porta de entrada para a Floresta Negra, Friburgo é notavelmente verde, tanto na aparência como nas ações. A floresta cobre mais de 40% da área urbana. As energias renováveis, sejam solar, biomassa, eólica e hidroelétrica, abastecem a cidade, que converte o seu lixo em energia de biomassa. As caminhadas, as bicicletas, os autocarros ecológicos e os elétricos são os principais meios de transporte, aumentando as probabilidades de Friburgo cumprir as suas metas para reduzir as emissões de CO2 para metade ou mais até 2030, e alcançar a neutralidade climática até 2050.

As boas práticas em infraestrutura ecológica – incluindo habitação cooperativa com painéis solares no telhado, jardins urbanos e incentivos para viver sem carros – foram incorporadas no distrito de Vauban, em Friburgo, que foi desenvolvido num antigo terreno recuperado. Reconhecido como um dos bairros urbanos mais sustentáveis do mundo, Vauban foi moldado por uma visão de cidadania em torno de um bairro ecológico auto-organizado e socialmente justo. Concluído em 2016, Vauban tornou-se no distrito mais densamente povoado de Friburgo, demonstrando que, se as cidades construírem de forma sustentável, as pessoas virão. –Werner Siefer, Nat Geo Traveler Alemanha
 

Este artigo foi escrito pelos editores globais da National Geographic Travel com contribuições adicionais de Maryellen Kennedy Duckett. Foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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