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Cevide, a Localidade Mais Setentrional de Portugal

Cevide é o ponto mais a Norte de Portugal, no concelho de Melgaço. É a aldeia que acolhe o marco da fronteira n.º 1 com Espanha, entre as margens do rio Minho e do rio Trancoso.

Publicado 10/11/2020, 11:36 WET, Atualizado 10/11/2020, 14:36 WET
Passadiço de acesso ao marco de fronteira nº 1.

Passadiço de acesso ao marco de fronteira nº 1.

Fotografia de Município de Melgaço

A aldeia de Cevide situa-se no concelho de Melgaço e conta com menos de meia dúzia de habitantes. Tem aos seus pés o Rio Trancoso e, como vizinha, a Galiza. É uma localidade geralmente deixada de fora dos roteiros turísticos, mas que acarreta um grande significado, ou não fosse aqui o início de Portugal.

O Rio Trancoso nasce na Portelinha, perto de Castro Laboreiro e estende-se por 13,6 quilómetros, definindo na sua grande maioria a fronteira entre Portugal e Espanha. É uma região pouco povoada e, por isso, com muita qualidade ecológica, boa conservação das ribeiras e das suas margens.

Pelo seu estado de conservação, existe um plano hidrológico conjunto de Portugal e Espanha para classificar a zona como Reserva Natural Fluvial Internacional. O município espanhol de Padrenda já se adiantou e reconheceu o potencial paisagístico como “Río Toncoso ou Barxas”. Na margem do rio criaram uma ecovia de poucos quilómetros, vedada em madeira, que acompanha o seu percurso.

O marco n.º 1 de Portugal
No ponto mais a Norte do país, encontram-se paisagens deslumbrantes, que se conjugam e alternam consoante as estações do ano. Neste marco, onde se começa a ouvir a língua de Camões, existe uma pedra com um grande cariz histórico.

Em Cevide observa-se uma placa com indicação para um caminho estreito, utilizado no passado para aceder ao Porto de Bregote, onde se podia fazer a travessia do rio Minho, entre os dois lados da fronteira. Esse caminho, designado localmente por caneja, conduzia à passagem a que recorria não só a população em geral, mas também os contrabandistas, tornando-o uma das rotas locais de tráfico. Chegando a Cevide, a placa indica a freguesia de Cristoval, em Melgaço, como lugar mais a Norte de Portugal.

Para chegar ao marco basta seguir o caminho à frente do largo da aldeia.

Fotografia de Município de Melgaço

A capela de Cevide
Neste recanto, gabam-se os locais que se ouvem cantar os galos de três províncias: do Minho, de Pontevedra e de Ourense. A construção da aldeia é envolta em misticismo e as edificações são escassas, sendo preenchida por alguns terrenos cultivados e uma imensidão de árvores.

Em Cevide é possível visitar uma capela dedicada a Santo António que remonta, pelo menos, ao século XVIII, embora o ano indicado no seu exterior registe o ano de 1937, correspondendo ao ano em que foi reconstruída.

No interior da capela, que prima pela simplicidade, pode observar-se um altar de madeira, pintado de tons claros e com alguns ornamentos dourados. A ara maciça, em granito claro, está encostada ao altar, um facto que não é muito comum atualmente. Tal pode explicar o motivo de, até 1969, as missas serem celebradas pelo Missal Romano e a posição mais comum do sacerdote ser de costas voltadas para o povo.

A terra raiana
Cevide contava com bastante movimento. Tal como acontecia em outras localidades raianas, o contrabando de bens e pessoas era uma das principais fontes de rendimento e fazia-se nos dois sentidos.

Hoje, a localidade tem um registo pacato, entre cobertores de folhas, caminhos ladeados por muros de pedra e vegetação densa. Aqui desaguam as águas do rio Minho, onde surgiu recentemente uma praia de areia clara e água translúcida, consequência das chuvas que aumentaram o caudal do rio e arrastaram pedras e areia.

O Rio Trancoso delimita parte da fronteira entre Portugal e Espanha.

Fotografia de Município de Melgaço

O marco n.º 1 do outro lado da fronteira
A antiga ponte suspensa de madeira que conduzia os transeuntes a terras espanholas foi retirada após ter ficado danificada com o caudal do rio. O Município de Melgaço está a estudar a colocação de uma ponte com todas as condições de segurança necessárias. Em alternativa, pode atravessar-se a ponte internacional para Acivido (Ourense, Espanha), onde se situa o outro marco n.º 1, desta vez com um E inscrito, no lugar de um P.

Neste local encontra-se um painel solar e uma caixa de distribuição, pertencente a um sistema de informação meteorológica. Aqui existe também uma praia e o que resta de uma estrada romana até às primeiras casas da aldeia galega.

O regresso a Cevide
Uma outra ponte possibilita o regresso a Portugal e assinala a linha incorpórea que separa os dois países, terminando junto a um edifício que outrora abrigou a Guarda Fiscal com o posto n.º 451, que hoje é propriedade privada. Na parede da casa observa-se uma imagem rústica de Santo António, esculpida em granito e protegida com gradeamento. O caminho de volta guia até à aldeia e à Quinta da Netinha, uma casa cujo objetivo se destina ao alojamento de turismo rural.

A par deste tipo de desenvolvimento, surge um plano para a construção de uma ciclovia para ligar Melgaço a Cevide. A aldeia já integra a Rede Municipal de Percursos Pedestres e Cicláveis do Município de Melgaço com um percurso que liga Cevide a Lamas de Mouro, já no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Estes projetos reforçam a importância da inclusão de Cevide na rota de uma viagem pelo Minho.

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