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A nova moda: turismo lento

Imagine-se a viajar (quase) sem preocupações, de uma forma mais consciente e, talvez até, divertida.

Deixe de contar os minutos enquanto viaja, liberte-se de planos e verá como aproveita o terreno e o tempo de outra forma.

Por Filipa Coutinho
Publicado 28/06/2022, 07:35

Já ouviu falar com certeza em slow living… mas e em slow tourism (ou turismo lento, em português)? Não se trata apenas de viajar com mais vagar. Slow tourism ou slow travel é feito com um estado de espírito mais consciente e desperto. Trata-se de viajar com tempo para mergulhar em novas culturas, abraçar os imprevistos e, ao mesmo tempo, fazer escolhas mais sustentáveis.

Esta nova moda tem vindo a ganhar popularidade, sobretudo com os efeitos da pandemia na qualidade de vida e com a expansão da prática do trabalho remoto. Com o passar do tempo, objetivos como as famosas bucket lists ou os “1000 lugares a visitar antes de morrer” perdem eco e a previsão é que o slow tourism continue a aumentar.

À medida que as preocupações com a sustentabilidade aumentam, o turismo lento ganha maior destaque. Mergulhamos neste universo para que possa entender melhor esta prática e como pode incorporá-la na sua próxima aventura.

Mais uma vez… o que é turismo lento?

O slow tourism teve origem na indústria alimentar. O movimento de slow food foi criado em Itália nos anos 80 como forma de resistência à abertura de um restaurante da McDonald’s em Roma. Rapidamente ganhou popularidade e foi alargado a outras áreas. A premissa entre o slow tourism e a slow food é a mesma – fazer as coisas a uma velocidade mais apropriada e dar preferência à qualidade em vez da quantidade.

O turismo lento implica que a velocidade a que se viaja seja mais lenta para que o turista tenha uma experiência mais profunda e autêntica. Está naturalmente associado a práticas sustentáveis e a preocupações ambientais e socioeconómicas, mas também a visitas lentas a museus e a momentos de contemplação, autorreflexão e relaxamento.

Pressupõe que a viagem se estenda por mais tempo e que as deslocações sejam menos frequentes. Durante a estadia, é expectável que os viajantes utilizem transportes públicos e prefiram negócios de alojamento, restauração e artesanato locais.

Apesar dos princípios do turismo lento poderem ser adotados em qualquer deslocação, para já, este “fenómeno” é mais comum em rotas de mochileiros ou em viagens de casais aposentados. Destinos como os EUA e o Canadá estão mais familiarizados com este conceito.

Fazer slow tourism viajando num automóvel elétrico pode dar-lhe a possibilidade de alterar a sua rota e fazer paragens à sua vontade, indo ao sabor do momento.

Como fazer turismo lento?

Enquanto se prepara para a viagem, tenha presente que a sua visita pode deixar impacto no destino. Além de deixar o stress para trás, eis algumas ideias de como pode viajar praticando turismo lento. Se viajar lhe suscitar ansiedade, leia este artigo e aprenda algumas dicas de como combater os sintomas ou vencer a hodofobia (medo ou aversão a viagens).

- A mais óbvia é: não faça planos à justa e inclua tempo para relaxar no seu calendário de viagem.
- Se puder, viaje sem pressa. Se ajudar, também sem relógio.
- Pode também evitar o consumo de bebidas com cafeína ou teína e comidas pesadas no dia que antecede a viagem.
- Evite viajar de avião e de carro, sempre que possível. Opte por transportes menos poluentes como o comboio, o ferry ou a bicicleta.
- Arrisque mais. Prove novas iguarias, passeie sem destino, observe.
- Aprenda algumas palavras na língua local para poder interagir e conhecer melhor as comunidades.
- A preocupação com o seu impacto no destino passa também por fazer previamente uma consulta do viajante para evitar  doenças que ocorram nas comunidades locais e conhecer as medidas da pandemia no destino.

Os efeitos não se resumem a viajar com um impacto positivo no destino. É bastante provável que se sinta mais tranquilo, com maior gratidão, que poupe dinheiro, que faça mais contactos ou amigos e se redescubra.

Antes de planear a próxima viagem, pense no motivo pelo qual elegeu esse destino. Qual o objetivo? É viajar à velocidade da luz? É riscar um destino da sua bucket list? Pretende ver tudo o que há para ver de rajada ou ter experiências mais autênticas e tranquilas? Nesse momento, lembre-se do que leu e, sobretudo, que em cada momento há uma escolha sustentável.

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