Como ter uma alimentação mais consciente em viagem

Maior consciência e pequenos ajustes na alimentação podem tornar as suas refeições em viagem mais sustentáveis e diminuir o impacto ambiental.

Uma alimentação mais consciente durante as suas viagens pode reduzir o seu impacto no ambiente.

Por Filipa Coutinho
Publicado 18/07/2022, 08:45

Há quem diga que somos aquilo que lemos e que comemos. Talvez nos espelhemos, em parte, nessas escolhas literárias e naquilo que pomos à mesa. Os estudos provam que a dieta regula o nosso microbioma, influencia o nosso comportamento e até mesmo a produção de hormonas como a dopamina e a serotonina.

Nas viagens, uma das coisas que muitas pessoas adoram é a experiência gastronómica. Isso pauta muitas vezes a nossa crítica e as memórias da viagem. A alimentação é, de facto, uma parte muito importante da identidade cultural dos destinos que visitamos. No entanto, a alimentação saudável em viagem pode ser um desafio dependendo do destino em que estamos, especialmente se estivermos numa aventura em permanente deslocação ou com opções de comida limitadas.

Por outro lado, viajar pode ser sinónimo de níveis mais altos de cortisol (a hormona do stress), obstipação, náuseas, azia ou inchaço. Para não comer demasiado, pode tentar seguir a regra japonesa de parar quando tiver o estômago 80% cheio – mas sabemos o quão relativo isto é.

No que toca às escolhas gastronómicas é mais sustentável, e mais saudável, ingerir produtos locais, sazonais e autóctones (o que é natural desse território), produzidos e cozinhados segundo métodos tradicionais. Devemos tentar reduzir o consumo de carne e pescado e tentar equilibrar a base vegetal com os pratos tradicionais. Assim estaremos a praticar uma alimentação mais consciente em viagem.

Antes de ir, pesquise os mercados locais e se existe street food nos lugares por onde vai passar. Geralmente, consegue perceber-se se uma banca de street food é boa e segura pelo comprimento da sua fila e se é muito frequentada por locais versus outros locais com menos afluência. Procure também restaurantes locais com comida saudável. O truque é planear o seu dia, ser relativamente disciplinado e escolher alimentos ricos em fibra e nutrientes. Pode passar numa mercearia quando chegar e comprar fruta que não amadureça na sua mochila, frutos secos ou fruta desidratada para ter snacks durante o dia.

Um pequeno-almoço robusto também é meio caminho andado para ter energia para o resto do dia e poder reduzir na refeição do almoço, se for do seu interesse. Deve evitar comidas com muito açúcar ou gordura, como doces e fritos. Aveia é sempre uma boa ideia, tal como os ovos e a granola.

Comer regularmente e em menor quantidade é outro truque para não se sentir inchado e ter energia para movimentar-se e não perder muito tempo em refeições. Se comer menos, há mais probabilidade de tomar uma escolha pior à hora da refeição ou abusar mais na quantidade de comida.

Se ficar alojado num sítio com cozinha, pode optar por cozinhar ou fazer saladas e refeições mais leves ao final do dia. Preparar a sua comida é muito importante na alimentação saudável pois vai garantir que sabe o que está a comer, ou pelo menos, que ingredientes usa na confeção do prato.

A hidratação é imprescindível, e deve ser reforçada em viagens com temperaturas quentes e humidade elevada. A água é essencial para o transporte de nutrientes, os níveis de energia e a regulação de temperatura. Beber água impede a desidratação e ajuda a combater a fadiga. Deve informar-se se os destinos por onde vai passar têm água canalizada potável. A dose diária varia de país para país, mas é recomendado que se bebam dois litros por dia.    

Se tem sensibilidade e sofre flutuações no seu bem-estar gástrico enquanto viaja, experimente evitar o consumo de bebidas com cafeína ou teína nos dias que antecedem a viagem. Evite também refrigerantes e bebidas com gás. Opte por pratos mais leves, sobretudo na véspera e dias de viagem e tente dormir tranquilamente. No destino, dê preferência a acompanhamentos vegetais e diminua o consumo de hidratos de carbono.

Uma boa prática que impera desde a pandemia de Covid-19 é a lavagem mais regular das mãos. Sobretudo antes de comer, lave as mãos em água corrente e com sabão. Pode também levar alguns medicamentos preventivamente. O melhor será auscultar o seu médico de família e marcar uma consulta do viajante.

Outro aspeto importante é o desperdício. No setor do turismo, as doses costumam ser generosas e os buffets são frequentes nos hotéis. Deve recusar produtos embalados, sobretudo quando não têm necessidade de o ser, como a fruta e os vegetais. Se sobrar comida, podemos usar uma marmita reutilizável e ir comendo ao longo do dia ou dar a comida a quem precisa.

Lembre-se que para cada momento há uma escolha sustentável!

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