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Para uma experiência de outro mundo, aventure-se nas cavernas de gelo da Europa

Desde uma pista de gelo natural na Eslováquia a formações com esculturas naturais impressionantes de gelo na Áustria, eis quatro cavernas de gelo que deve visitar antes que derretam.

Por Denise Hruby
Publicado 15/09/2022, 11:09
Eisriesenwelt, a maior caverna de gelo do mundo

Todos os anos, milhares de visitantes sobem de teleférico à montanha Hochkogel, na Áustria, para ver Eisriesenwelt, a maior caverna de gelo do mundo. Esta caverna alpina é uma de várias cavernas de gelo europeias que derretem a um ritmo alarmante devido às alterações climáticas.

Fotografia por Robbie Shone, National Geographic

No interior das montanhas mais enigmáticas da Europa encontra-se um mundo oculto capaz de nos deixar sem fôlego – e de nos congelar num instante. As cavernas – formações feitas de calcário solúvel, gesso e rochas de dolomita – permeiam o nosso planeta, atraindo espeleólogos que querem explorar paisagens sobrenaturais de estalagmites e estalactites.

Mas nas cavernas de gelo, os pingentes de gelo pendurados nos tetos cavernosos, as cascatas congeladas em tons de azul e os cones de gelo tão altos quanto um edifício de 10 andares são as grandes atrações. Em algumas destas cavernas, as camadas de gelo são tão espessas que os cientistas descrevem-nas como se fossem glaciares subterrâneos e, noutras cavernas, os investigadores dataram gelo com mais de 10.000 anos.

No entanto, desde o Ártico à Antártida, os campos de gelo, glaciares, gelo marinho e cavernas de gelo estão a desaparecer a um ritmo alarmante. O mundo aqueceu 1,1 graus Celsius desde o início do século XIX, levando a padrões climáticos extremos que só irão piorar à medida que as temperaturas globais continuam a subir, segundo Sarah Gibbens, da National Geographic, citando um relatório da ONU sobre o estado do clima mundial.

Georg Zagler, geólogo austríaco e amante de espeleologia, diz que ficou surpreendido ao ver tanto gelo em falta numa caverna em Unstersberg, um maciço ao longo da fronteira austro-alemã, que Georg Zagler explorou pela primeira vez quando tinha 15 anos. “Agora, quando visito o local, é realmente chocante ver a quantidade de gelo que desapareceu – é um exemplo paradigmático das alterações climáticas”, diz Georg Zagler, agora com 52 anos.

Por enquanto, as cavernas de gelo continuam a ser um portal mágico para o passado geológico e climático do nosso planeta. Seguem-se quatro das mais atraentes cavernas de gelo para visitar antes que desapareçam.

Eisriesenwelt, na Áustria, com 42 quilómetros de profundidade, é a maior caverna de gelo do mundo. Mas só os primeiros 800 metros desta formação estão abertos ao público.

Eisriesenwelt, Áustria

A menos de uma hora de distância da cidade de Salzburgo, a cidade de Mozart e de Música no Coração, fica a maior caverna de gelo do mundo, Eisriesenwelt – ou “mundo dos gigantes de gelo”.

Durante séculos, os aldeões recusaram-se a entrar nesta caverna, acreditando que era o portão para o inferno e que o vento forte que escapava da sua entrada era o sopro do diabo. Alexander von Mörk, espeleólogo de Salzburgo, desmascarou este mito no início do século XX, depois de liderar várias expedições a este conjunto de cavernas com 42 quilómetros de profundidade. Em vez de espíritos malignos, os exploradores encontraram um mundo deslumbrante de safira e gelo. Alexander von Mörk ficou tão encantado com a beleza de Eisriesenwelt que queria que as suas cinzas fossem depositadas no local. Depois de falecer na Primeira Guerra Mundial, o seu pedido foi concedido.

(A terra da Caverna da Bela Adormecida está a despertar para o turismo.)

Todos anos, de maio a outubro, cerca de 200.000 turistas ascendem de teleférico à montanha Hochkogel, na Áustria, para ver o impressionante labirinto de formações de gelo de Eisriesenwelt, incluindo um que se assemelha a um elefante sem tromba. Os visitantes são aconselhados a prepararem-se enquanto os guias turísticos abrem a pesada porta da entrada – libertando rajadas que podem chegar aos 90 quilómetros por hora – antes de usarem lâmpadas de carboneto para explorar os cerca de 800 metros de túneis glaciais acessíveis.

No final da visita guiada, os visitantes chegam a um lago congelado, no interior de uma câmara conhecida por Eispalast, ou “palácio de gelo”, onde os cristais de gelo cintilam na presença dos pequenos bastões luminosos.

Caverna de Gelo Scărişoara, Roménia

Declarada monumento natural e reserva espeleológica, a Caverna de Gelo Scărişoara apresenta o segundo maior glaciar subterrâneo da Europa. Os visitantes podem descer as escadas ao longo de 50 metros até ao Grande Salão, uma câmara enorme onde os cientistas descobriram gelo com mais de 10.000 anos.

A partir daqui, a caverna abre-se em quatro secções: A Igreja, a Grande Reserva, a Galeria Coman e a Pequena Reserva. O Grande Salão e a Igreja são as únicas secções abertas aos visitantes – as outras estão apenas disponíveis para investigação científica. No interior da secção da Igreja pode encontrar centenas de pingentes de gelo de até cinco metros de altura a elevarem-se do chão. À medida que a luz natural penetra na rocha, os pingentes iluminados fazem lembrar uma visão etérea de velas sob uma cúpula escura.

Scărişoara é apenas uma das mais de 1.200 cavernas que se podem encontrar no Parque Natural de Apuseni, muitas das quais podem ser visitadas sem equipamento especial. A Caverna do Urso exibe cerca de 140 esqueletos de ursos pré-históricos preservados no gelo. Ali perto, na caverna de Vârtop, os cientistas encontraram pegadas fossilizadas de um neandertal feitas há aproximadamente 65.000 anos (uma das quais foi cortada e roubada).

Visitantes exploram a Caverna de Gelo Dobšinská, na Eslováquia. Considerada Património Mundial da UNESCO em 2000, esta foi a primeira caverna na Europa a ser iluminada com eletricidade.

Caverna de Gelo Dobšinská, Eslováquia

A caverna de Dobšinská, Património Mundial da UNESCO (parte da rede de Cavernas de Aggtelek Karst e Slovak Karst) é grande o suficiente para encher 40 piscinas olímpicas com uns impressionantes 3.2 milhões de metros quadrados de gelo.

Uma escadaria de aço leva os espeleólogos perto do teto – que desmoronou há cerca de 300.000 anos – até ao Grande Salão, onde uma camada de gelo com 20 metros de espessura cobre todo o piso. Os habitantes locais costumam contar que o patinador artístico eslovaco Karol Divín usou Dobšinská como uma pista de patinação simulada para praticar as suas rotações durante o ano inteiro, conquistando a sua medalha de prata olímpica em 1960.

Mais fundo na caverna, os visitantes passam por uma cortina de gelo com 20 metros de comprimento ao longo de um túnel onde as camadas de gelo mostram como a caverna se expandiu ao longo dos séculos. Em alguns pontos, os visitantes podem até avistar um morcego pré-histórico congelado.

Caverna Gigante de Gelo Dachstein, Áustria

Milhares de viajantes aventuram-se por cima dos chalés pintados em tons de pastel de Hallstatt para ver a Caverna Gigante de Gelo Dachstein Giant, uma das maiores cavernas de gelo subterrâneas dos Alpes austríacos. Duas réplicas motorizadas de ursos das cavernas pré-históricos agora extintos (Ben e Boris) recebem os visitantes a caminho da Cúpula do Rei Artur, o ponto mais profundo da caverna, repleto de estalactites e estalagmites. Formadas há mais de 500 anos, dezenas de esculturas naturais de gelo espetaculares pontilham o chão desta caverna.

A partir daqui, os viajantes têm de atravessar uma ponte suspensa sobre um abismo com 12 metros de profundidade para regressar ao exterior. Após a visita guiada, o teleférico nas proximidades sobe até ao topo da montanha Krippenstein, onde as vistas pitorescas do Lago Hallstatt podem ser desfrutadas numa plataforma de observação a aproximadamente 1.800 metros de altura.

Denise Hruby é uma escritora austríaca galardoada que escreve sobre alterações climáticas e vida selvagem.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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