Açores, um paraíso pioneiro no turismo e nos produtos de outra natureza

Foi o primeiríssimo arquipélago no mundo a obter a certificação internacional de destino turístico sustentável, foi eleito pela National Geographic um dos melhores destinos na categoria natureza para 2023

     

Fotografia por Bruno Ázera
Por Filipa Coutinho
Publicado 10/11/2022, 13:16

Nove ilhas idílicas banhadas pelo oceano Atlântico de uma beleza singular sobre as quais é extremamente ingrato apontar favoritas. De São Miguel ao Corvo, há 1766 vulcões e paisagens para todos os gostos, dignas de uma biodiversidade muito vasta, e que se distinguem de outros destinos insulares. É nesse mosaico de ecossistemas que encontramos uma grande parte da riqueza destas ilhas.

As ilhas açorianas são consideradas um dos destinos mais verdes do mundo. E a proteção não termina nas inúmeras maravilhas naturais da região. Também o é o ananás, o chá de gorreana o vinho e alguns dos queijos produzidos localmente. Sem desprimor pelas outras formidáveis sete, dedicámos o nosso olhar à Graciosa e à Terceira. É nestas ilhas que vivem os produtores da Milhafre, uma marca com origem açoriana que se foca na Origem, Autenticidade, Sustentabilidade e Naturalidade. Quando pensamos em Milhafre pensamos nos pastos dos Açores e lembramo-nos automaticamente da famosa embalagem de manteiga. A marca, criada em 1953, produziu exclusivamente a manteiga de tom amarelado e sabor intenso durante muitos anos, mas tem dado passos importantes na criação de novos produtos biológicos e na conservação das suas pastagens.

Venha connosco numa viagem às ilhas onde nascem os produtos da marca e conheça melhor o seu compromisso com o futuro do planeta.

A ilha agraciada pela geodiversidade

Acredita-se que a chegada dos primeiros navegadores portugueses ocorreu no começo do século XV. Ímpar nas condições naturais e na biodiversidade, a Graciosa passou a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO em 2007. Esta é a segunda menor ilha do arquipélago e também a mais baixa e a menos húmida. As Reservas da Biosfera funcionam como laboratórios de sustentabilidade onde se ensaiam projetos de conservação e utilização sustentável dos recursos endógenos num elo entre as populações e os atores de desenvolvimento local. O seu importante património geológico reúne lugares com interesse científico e pedagógico, englobados no Geoparque dos Açores, uma área única no mundo com mais de 120 geossítios dispersos pelas nove ilhas.

Destaca-se ainda a Furna do Enxofre, uma caverna lávica com um teto em forma de abóbada perfeita, e os seus ilhéus - importantes habitats de nidificação para aves marinhas e pontos de paragem de aves migratórias. Foi num desses ilhéus, o Ilhéu da Praia que, foi recentemente descoberta uma espécie endémica, o Painho-das-tempestades-de-monteiro (Oceanodroma monteiroi), que só nidifica nos ilhéus da Graciosa. A ilha tem uma riqueza significativa de flora terrestre endémica, sendo o habitat de cerca de 55 espécies endémicas.

Este é considerado o “celeiro dos Açores”. No entanto, quando os primeiros colonos se estabeleceram na ilha, em meados da década de 1450, as zonas costeiras não eram tão férteis para o cultivo do solo, fazendo com que se deslocassem para o interior da ilha.

Além do crescimento do birdwatching, a Graciosa tem vindo a destacar-se como capital do mergulho nos Açores, com condições naturais excecionais para esta prática, refletindo o esforço local em oferecer atividades económicas ambientalmente sustentáveis. Tem atraído recentemente mergulhadores de todo o mundo que procuram estudar ou avistar as várias espécies de tubarões que circulam por águas açorianas. Nomeadamente, os tubarões-albafar, uma espécie de alto-mar.

No top de locais de mergulho desta ilha estão a área circundante ao navio naufragado “Terceirense”, em frente à entrada do porto da Praia, a 21 metros de profundidade, e a gruta do Carapacho, num dos ilhéus. Também a costa Nordeste oferece excelentes condições de mergulho, nomeadamente as baixas próximas da Vila de Santa Cruz, como a Baixa do Ferreiro de Fora e a Baixa do Pesqueiro Longo, onde é possível observar jamantas nos meses de verão.

Para os fãs de trilhos, a ilha tem vários percursos marcados. O trilho circular da Volta à Caldeira – Furna do Enxofre, com perto de 11 quilómetros, passa pela Furna do Enxofre, Furna do Abel, Furna d’Água e pela Furna da Maria Encantada - um tubo lávico imperdível que se originou no transbordo de lava sobre o bordo da cratera da Caldeira da Graciosa. A Grande Rota da Graciosa percorre uma vasta parte da ilha, ao longo de uns corajosos 40 quilómetros.

No campo gastronómico, a Graciosa é conhecida pelas suas queijadas com o nome da ilha. A gastronomia é rica no aproveitamento dos produtos locais em pratos como caldeiradas de peixe ou assados. A meloa graciosense, o queijo curado e o alho são três produtos de eleição.

Na ilha, diz-se que há mais vinho do que água. Isto pela Denominação de Origem dos vinhos licorosos e espumantes da Graciosa e, por outro lado, pela escassez de água potável. Este último é um problema desde o seu povoamento e apenas há algumas décadas foi ultrapassado com um sistema público de abastecimento de água. É também apelidada de Ilha Branca, devido às suas características geomorfológicas.

A ilha das obras de arte naturais

Noutra orla costeira mais a este, a Terceira destaca-se por ser uma das ilhas com maior biodiversidade e com mais espécies e subespécies endémicas terrestres. Também pelas obras de arte naturais que sustenta, pela variedade de elementos vulcânicos e por preservar o maior conjunto de áreas de vegetação natural com fraca ou nenhuma intervenção humana, a par da ilha do Pico. A ilha tem sete geossítios de notável geodiversidade: Algar do Carvão; Caldeira de Guilherme Moniz; Caldeira da Serra de Santa Bárbara e Mistérios Negros; Furnas do Enxofre; Monte Brasil; Pico Alto, Biscoito Rachado e Biscoito da Ferraria; e a Ponta da Serreta e escoadas traquíticas.

A localização central da ilha Terceira desempenhou um importante papel durante a crise de sucessão de 1580, albergando D. António I, e em 1829, na batalha entre miguelistas e liberais. Mais tarde, durante a Guerra Fria, a Base das Lages (a nordeste da ilha) foi um importante vértice na geopolítica dos EUA. Em 1983, a cidade de Angra do Heroísmo foi classificada Património da Humanidade pela UNESCO, afirmando o seu potencial como um dos principais destinos turísticos dos Açores.

Na costa e ilhéus adjacentes nidificam algumas das espécies de aves marinhas mais relevantes da Europa, como o cagarro (Calonectris diomedea borealis), o garajau-comum (Sterna hirundo) e o garajau-rosado (Sterna dougallii). Na esplêndida Baía da Mina ou Baía de Mós conseguem ver-se elementos de uma das maiores colónias de garajau-rosado (Sterna dougallii) dos Açores. Na Lagoa do Negro, em plena Reserva Natural da Serra de Santa Bárbara e dos Mistérios Negros, é possível observar algumas das 150 espécies de aves que habitam esta área.

Trilhos existem vários, de curto e médio ‘porte’. O da Serreta à Lagoínha, de sete quilómetros de extensão, permite observar uma pequena lagoa circundada por uma floresta de cedros e a Ribeira do Além, localizada num vale profundo repleto de vegetação natural. O trilho dos Mistérios Negros, com cerca de cinco quilómetros, mas de dificuldade difícil, inicia-se e termina no mesmo local: a Gruta do Natal. No final da caminhada observa-se o Pico Gaspar, de onde caso suba, poderá ver uma cratera rica em endemismos. Outro grande ponto alto deste percurso são os “Mistérios Negros”, que consistem em domos traquíticos formados por acumulações de lavas recentes que ainda não se encontram totalmente providos de vegetação.

Mais alto, no topo da Serra de Santa bárbara, poderá contemplar o Parque Natural da Terceira e a floresta-de-nuvens dos Açores, uma das mais importantes e raras formações vegetais. No extremo ocidental da ilha, na Ponta da Serreta, é possível visualizar o processo de colonização de campos de lava por matos costeiros de urze (Erica azorica). Olhe para o oceano, onde poderá avistar a ilha Graciosa.

Nesta ilha, as condições de pastagem são excecionais. Reconverteu-se os solos para pastagens 100% biológicas, através de um rigoroso processo de certificação. Isto torna não só o seu leite de pastagem bio mais saudável e sustentável, como assume o compromisso dos seus produtores com as gerações futuras. Nestes terrenos são respeitadas as necessidades e expressões comportamentais das vacas e é defendida a biodiversidade do ecossistema.

A gastronomia desta ilha não fica atrás das suas pastagens. É de bradar aos céus, desde a alcatra que se desfaz garfada após garfada, ao boca negra, um peixe assado que se encontra com frequência nesta ilha. Apesar dos muitos encantos, a estrela é o famoso queijo da ilha Terceira, premiado internacionalmente.

Terras mais justas e sustentáveis

Falamos de territórios cada vez mais sustentáveis. Como incentivo ao reforço do desenvolvimento sustentável das suas ilhas, o governo regional criou a Cartilha de Sustentabilidade dos Açores. Este mecanismo pretende apoiar a implementação local dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e fomentar o contributo da região para a Agenda 2030, por um mundo mais sustentável e uma sociedade mais justa e inclusiva.

A subscrição da cartilha, disponível a todos os setores da região, permite ter acesso a um conjunto de serviços como consultoria especializada e eventos de networking. Subscrever a cartilha é assumir publicamente o compromisso de uma gestão responsável, justa e transparente. As entidades signatárias têm a missão de definir três compromissos por ano que contribuam de forma objetiva e verificável para a agenda 2030. Até ao momento, 207 entidades assumiram este compromisso e rumam os seus negócios com vista a um futuro mais equilibrado e sustentável.

Também plenamente alinhada com práticas sustentáveis e conscientes, Milhafre tem dado vigorosos passos através dos seus produtores, contribuindo para a união entre a natureza das ilhas, a subsistência das suas famílias e a manutenção do património gastronómico altamente premiado. Por outro lado, em prol das gerações futuras e de um planeta mais saudável, reduziu o plástico nas embalagens de manteiga e começou a produzir leite biológico. Este leite, o primeiro leite de pastagem biológico do arquipélago, é embalado em pacotes feitos com polímeros renováveis de origem vegetal. Desta forma, a pegada de carbono destes empacotamentos é reduzida, para um consumo mais ético e consciente.

Porquê os Açores? Acolhedores, acessíveis, com uma imensa variedade de programas, clima ameno e cada vez mais sustentáveis. Entre os elementos singulares da flora à fauna, da riqueza das paisagens ao património cultural, das pastagens às reservas naturais, aventure-se nestas ilhas e descubra autênticos paraísos insulares.

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