A disseminação global do coronavírus está a afetar os viajantes. Mantenha-se atualizado sobre a explicação científica por trás do surto>>

Esta Cidade Antiga de Arranha-céus de Argila é a "Manhattan do Deserto"

A antiga cidade murada de Shibam, no Iémen, é uma das metrópoles mais antigas do mundo a usar o princípio da construção vertical.

"A Manhattan do Deserto"
Nos anos 30 do século XX, Freya Stark apelidou Shibam de "a Manhattan do deserto".
Fotografia de George Steinmetz, Getty Images

No coração da região de Hadramaute, no Iémen, um conjunto de arranha-céus antigos feitos de argila ergue-se no solo do deserto — um baluarte da adaptabilidade do Homem aos ambientes mais severos.

Situada numa área desértica conhecida como o Empty Quarter (o Rub' al-Khālī), a cidade murada de Shibam, uma cidade do século XVI, continua a ser um dos exemplos mais antigos no mundo a usar o princípio da construção vertical. Foi, em tempos, local de paragem das caravanas que faziam a rota das especiarias e do incenso atravessando o planalto do sul da Arábia, e, nos anos 30 do século XX, a exploradora britânica Freya Stark  apelidou esta cidade de argila de "a Manhattan do deserto".

Todos os aspetos da arquitetura de Shibam foram estrategicamente concebidos. Situada numa colina rochosa e circundada por um vale gigante onde as inundações são frequentes , é a sua localização num ponto elevado que a protege das inundações, ao mesmo tempo que a mantém próxima da sua principal fonte de água e agricultura. A cidade foi construída seguindo o padrão de uma grelha retangular, dentro de uma muralha fortificada — uma estrutura de defesa que protegia os habitantes de tribos rivais e que funcionava como ponto estratégico de observação dos inimigos que se aproximassem.

Mulheres colhem trevo em Shibam. Os seus chapéus de palha pontudos, chamados madhalla, foram desenhados para manter as suas cabeças frescas protegendo-as das temperaturas abrasadoras do deserto.
Fotografia de Steve McCurry, Magnum Photos

Estas torres feitas de argila, que podem ter até sete andares de altura, foram construídas a partir do solo fértil existente nas proximidades da cidade. Uma mistura de terra, feno e água foi modelada em tijolos que ficaram a secar ao sol durante dias. Os pisos térreos, sem janelas, eram usados para guardar gado e cereais, e os pisos cimeiros eram tipicamente usados como pisos comuns para socialização. As pontes e portas que ligam edifícios funcionavam também como meios rápidos de fuga — outra das caraterísticas de defesa impressionantes da cidade.

As estruturas são permanentemente ameaçadas pela erosão provocada pelo vento, pela chuva e pelo calor, e exigem uma constante manutenção. Em 2008, um ciclone tropical inundou Shibam, estragando muitos edifícios e pondo em risco de queda estas torres feitas de argila.

Homem em trabalhos de manutenção para preservar os edifícios argilosos de Shibam.
Fotografia de Ullstein bild/Getty Images

A cidade está também suscetível às ameaças provocadas pelo Homem. Em 2015, Shibam foi adicionada à Lista de Património Mundial em Perigo, juntamente com dois outros locais, quando a guerra civil eclodiu no Iémen, empurrando o país para uma catástrofe humanitária constante. O edifícios históricos foram alvo de graves danos durante os bombardeamentos em Sana’a, e permaneceram em risco devido ao conflito armado.

“Além do terrível sofrimento humano que causam, estes ataques estão também a destruir o património cultural único do Iémen, repositório da identidade, da história e da memória das pessoas, e um testemunho de exceção dos feitos da Civilização Islâmica", afirmou Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, num comunicado à imprensa.

Shibam não é a primeira, nem a única, propriedade considerada património cultural a estar sob ameaça. Em 1954, a Convenção para a Proteção dos Bens Culturais em caso de Conflito Armado da UNESCO foi adotada pela Conferência de Haia após a destruição massiva de património cultural durante a Segunda Guerra mundial — a primeira ameaça deste tipo a nível internacional. A convenção atua sob a premissa de que "a destruição de património cultural pertencente a qualquer povo, seja qual for, significa a destruição de património cultural da humanidade", e, portanto, visa garantir a proteção da comunidade internacional.

A escritora Gulnaz Khan vive atualmente em Washington D.C. e dedica-se ao tema das viagens e cultura. Acompanhe a autora no Twitter  e no Instagram.

Continuar a Ler

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio Ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem e aventuras
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeos

Sobre nós

Inscrição

  • Revista
  • Registrar
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2017 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados