Fotografias de Identificação de Múmias e Outros Factos Insólitos sobre Passaportes

Das múmias do Egito a cavalos britânicos, estes são alguns dos mais bizarros factos sobre passaportes. sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Os inevitáveis requisitos dos nossos passaportes só foram uniformizados depois da Primeira Guerra Mundial.
Os inevitáveis requisitos dos nossos passaportes só foram uniformizados depois da Primeira Guerra Mundial.
fotografia de NICO TONDINI, ROBERT HARDING/NAT GEO IMAGE COLLECTION

Um passaporte é uma janela para o mundo — pelo menos para aqueles que, por arbitrariedade do destino, tiveram a sorte de ter nascido num país que lhes garante um passaporte suficientemente “poderoso” para que possam viajar livremente pelo mundo sem grandes impedimentos. Mas a evolução do passaporte é repleta de encruzilhadas, sendo o documento que reconhecemos hoje relativamente recente.

Apesar da referência mais antiga de que há registo a um documento desta natureza datar de 450 a.C., e de, no século XV, Henrique V de Inglaterra ter concedido documentação aos seus súbditos que lhes permitia viajar, só no início do século XX é que o formato do passaporte foi uniformizado como o “livro de bolso” a que estamos habituados. Aqui estão alguns dos mais curiosos factos sobre o documento.

A FOTOGRAFIA DE IDENTIFICAÇÃO DE UMA MÚMIA

Não há registo de nenhum tipo de documento remotamente parecido com um passaporte no antigo Egito. Porém, em 1974, quando a múmia de Ramsés II (falecido em 1213 a.C.) foi transportada para Paris a fim de ser restaurada, ter-lhe-á sido atribuído um passaporte válido, que incluía um retrato do faraó. No campo da profissão, lia-se “Rei (falecido).”

DIREITOS REAIS

Mesmo que tivessem existido passaportes durante o reinado de Ramsés II, que se estendeu por 66 anos, este não teria precisado de um — geralmente, os monarcas não precisam de ter passaporte. O website da família real britânica explica-nos que “uma vez que os passaportes britânicos são emitidos em nome de Sua Majestade, não é necessário que a rainha possua um.” Na verdade, a mensagem que consta no interior dos passaportes britânicos é um pedido de autorização para que o portador do mesmo possa avançar livremente “em nome de Sua Alteza Real.” No fundo, a rainha é o passaporte.

Paralelamente, no Japão, concluiu-se que seria “inadequado” emitir um passaporte para o Imperador, uma vez que tal documento apresenta o selo imperial do trono de Crisântemo na capa e encerra com uma “solicitação de um ministro dos negócios estrangeiros para que o portador do documento possa viajar sem problemas.” Contudo, depois de o imperador Akihito abdicar do trono, na próxima Primavera, ele e o resto da família real precisarão de um passaporte para se poderem deslocar ao estrangeiro.

VOOS BEM ALTOS

Apesar de as fronteiras internacionais não passarem de construções humanas, o passaporte de uma antiquíssima múmia egípcia não é o mais insólito que já vimos. O nome do Falcão Peregrino pode implicar diretamente que se trata de um “viajante”, contudo nem mesmo este pode deambular livremente pelos Emirados Árabes Unidos sem um passaporte. Os falcões — principalmente o Falcão-Peregrino e Falcão-Sacre — são muito valiosos nos Emirados Árabes Unidos, sendo a falcoaria uma parte considerável da herança cultural beduína na região. Em tempos, este animal era um elemento indispensável na caça — hoje considerada um desporto e uma fonte de orgulho nacional.

Infelizmente, com o elevado estatuto destas aves (e, consequentemente, o valor monetário que lhes é associado) vem o risco do contrabando. Por isso, os falcões dos Emirados Árabes Unidos têm direito a ter o seu próprio passaporte para poderem viajar livremente pelo mundo inteiro e participar em festivais e competições de falcoaria. Cada passaporte tem o seu número de identificação — correspondente àquele inscrito no anel colocado na perna do falcão, tal como os anéis pelos humanos — e tem de ser validado com uma data, um carimbo e uma assinatura de um oficial competente do controlo de fronteiras, provando assim o historial de deslocações da ave de um estado para outro.”

Teddy, um gato doméstico de pelo curto, tem um passaporte que lhe permitiu viajar até França. Os passaportes para animais emitidos pela União Europeia permitem que os animais viagem sem que seja necessário que estes passem por um período de quarentena.
Teddy, um gato doméstico de pelo curto, tem um passaporte que lhe permitiu viajar até França. Os passaportes para animais emitidos pela União Europeia permitem que os animais viagem sem que seja necessário que estes passem por um período de quarentena.
fotografia de REBECCA HALE, NAT GEO IMAGE COLLECTION

VIDA DE CÃO

Os passaportes para animais são mais comuns do que geralmente se pensa. Enquanto nos Estados Unidos é relativamente fácil conseguir a documentação necessária para um animal poder atravessar fronteiras com os donos, na União Europeia os animais têm de ter passaportes — livrinhos azuis com uma fotografia e tudo. Os passaportes para animais emitidos pela União Europeia permitem que os animais viagem entre os países membros sem que seja necessário que estes passem por um período de quarentena — uma medida tão apreciada que, em Outubro, centenas de cães (e os seus respetivos donos), saíram para as ruas de Londres, organizando-se num wooferendum, com o intuito de protestar contra o controverso Brexit, que ameaça os estimados passaportes dos animais.

Já os cavalos britânicos, por outro lado, são obrigados a ter um passaporte, mesmo que nunca se aventurem além das suas residências — esta medida visa prevenir que animais tratados com medicamentos prejudiciais para a saúde dos humanos sejam enviados para os matadouros e entrem, assim, na cadeia alimentar.

UM SINAL DOS TEMPOS

Em breve, nos Estados Unidos, alguns viajantes (humanos) terão de ter um passaporte, mesmo que não pretendam sair do seu estado. A Real ID Act, de 2005, exige que a identificação dos cidadãos esteja em conformidade com os requisitos crescentes de segurança nacional se o portador quiser embarcar em voos internos. Apesar da maioria dos estados ter aderido a esta medida, há algumas exceções. Os estados da Califórnia e do Massachusetts, por exemplo, têm até 10 de janeiro de 2019 para emitir novos documentos de identificação, caso contrário os residentes desses estados terão de apresentar os seus passaportes sempre que quiserem embarcar num voo interno.

ATRAVESSAR A ESTRADA

Felizmente, o número de americanos que possuem passaportes tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Este fenómeno é muitas vezes associado às alterações legais de 2007 relativamente a visitas ao México e ao Canadá — bem como a uma certa tendência para investir em experiências em detrimento de bens materiais. A fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, em tempos bastante transigente, é agora tão restrita que numa cidade é necessário apresentar o passaporte só para se atravessar a estrada. Tudo isto faz-nos acreditar que este pequeno objeto irá assumir um papel cada vez mais importante nas nossas rotinas.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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